Juventudes negras e justiça climática: o direito de construir outros futuros
A crise climática não afeta todas as crianças e adolescentes da mesma maneira. As desigualdades raciais e territoriais influenciam as condições de vida, o acesso a direitos e a exposição a riscos ambientais. Nesse contexto, reconhecer o protagonismo das juventudes negras e fortalecer as comunidades
A crise climática não afeta todas as crianças e adolescentes da mesma maneira. As desigualdades raciais e territoriais influenciam as condições de vida, o acesso a direitos e a exposição a riscos ambientais. Nesse contexto, reconhecer o protagonismo das juventudes negras e fortalecer as comunidades em que vivem são passos importantes para construir respostas mais justas aos desafios socioambientais. Essa discussão esteve presente no painel "Colmeia e as juventudes negras: potência e protagonismo", realizado durante o Seminário Equidade Racial, Transição Justa e Empregos Verdes, promovido pelo CEERT em 28 outubro, em São Paulo. CEERT é uma organização da sociedade civil que visa promover a equidade de raça e de gênero, há 36 anos. Entre as experiências apresentadas, a iniciativa Incluir para Resistir , desenvolvida por Dinelma Gonçalves em seu território quilombola, destacou a importância da educação antirracista para fortalecer o pertencimento e valorizar a história e os conhecimentos da comunidade. Ao trabalhar com jovens, o projeto promoveu atividades sobre sustentabilidade, cultura quilombola e agricultura familiar. As discussões também abordaram a forma como a história do Brasil é ensinada nas escolas e os preconceitos enfrentados por crianças e adolescentes quilombolas. A iniciativa buscou construir referências positivas de identidade e aproximar as novas gerações dos saberes ancestrais, contribuindo para que reconheçam o valor de sua história e de seu território. A experiência também evidencia a importância de ouvir crianças e jovens e criar condições para que participem das decisões que afetam suas vidas. Isso significa reconhecer que comunidades quilombolas, indígenas e ribeirinhas não são apenas afetadas pelos problemas ambientais, mas também produzem conhecimentos e desenvolvem iniciativas para enfrentá-los. Apoiar essas ações, por meio de formação, financiamento e redes de colaboração, ajuda a ampliar as possibilidades de participação das juventudes na construção de soluções climáticas. Garantir os direitos de crianças e adolescentes passa, portanto, por enfrentar as desigualdades raciais e ambientais e valorizar suas identidades, seus conhecimentos e sua capacidade de participação. A justiça climática exige que as novas gerações, especialmente aquelas historicamente mais expostas às desigualdades, sejam reconhecidas não apenas como grupos que precisam de proteção, mas como sujeitos de direitos capazes de contribuir para transformar seus territórios e construir outros futuros. A iniciativa Incluir para Resistir recebe apoio do Programa Prosseguir Colmeia, iniciativa do CEERT que visa fortalecer o protagonismo de jovens negros que desenvolvem projetos relacionados à justiça climática, valorização dos territórios e geração de renda. Com formação, financiamento e redes de apoio, a iniciativa contribui para que os próprios jovens desenvolvam soluções a partir das experiências e dos saberes de suas comunidades. Ao reconhecer esses jovens como produtores de conhecimento e agentes de transformação, o projeto também reforça a importância de criar condições para que crianças e adolescentes negros cresçam em territórios mais justos, sustentáveis e comprometidos com a garantia de direitos.