Ex-presidente do BRB diz que recebeu aval de Ibaneis Rocha para assumir holding do Master
BRASÍLIA E SÃO PAULO - O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou que o então governador do Distrito Federal , Ibaneis Rocha (MDB) concordou que ele aceitasse convite do banqueiro Daniel Vorcaro para assumir a presidência de uma holding que seria criada após a venda do B
BRASÍLIA E SÃO PAULO - O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou que o então governador do Distrito Federal , Ibaneis Rocha (MDB) concordou que ele aceitasse convite do banqueiro Daniel Vorcaro para assumir a presidência de uma holding que seria criada após a venda do Banco Master ao BRB. Em depoimento à Polícia Federal, Costa afirmou que submeteu a Ibaneis o convite de Vorcaro. Além de presidente da holding, o acordo era para que ele também ficasse como conselheiro do BRB, banco que presidia. “Antes de responder ao Daniel, eu pergunto ao governador se posso, o que que ele acha. Porque na minha cabeça eu tinha também um compromisso de ficar até o fim, de cumprir com as metas que tinham sido estabelecidas, e eu sairia antes. E ele fala: ‘Tudo bem’”, disse. Procurada, a defesa do ex-governador ainda não se manifestou. No depoimento, Paulo Henrique também afirmou que as operações com o Banco Master foram acertadas em uma reunião entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Ibaneis Rocha . Como mostrou o Estadão, diálogos do celular de Paulo Henrique mostram que ele mesmo direcionou a venda de participação acionária do BRB para pessoas ligadas a Vorcaro. A PF suspeita que essa operação foi montada para dar lastro ao BRB na tentativa de compra do Banco Master - barrada pelo Banco Central em setembro do ano passado. No depoimento, o ex-presidente do banco distrital afirmou pela primeira vez que foi contrário à operação e disse ter tentado convencer Ibaneis a recuar na venda de participação acionária ao Master, porque poderia acabar resultando em uma privatização do BRB. O depoimento foi colhido pela PF no último dia 15 e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em conjunto com o relatório que promoveu o indiciamento de Vorcaro e Paulo Henrique por crimes financeiros . A PF afirma que Paulo Henrique Costa negociou seis apartamentos com Vorcaro, avaliados em cerca de R$ 140 milhões, para supostamente facilitar os negócios entre os dois bancos. No depoimento, o ex-dirigente do BRB negou a versão. Disse que tratou de imóveis com Vorcaro porque uma das condições para ele aceitar o emprego como presidente da futura holding do Master seria ter casas em São Paulo e Brasília. “Na minha visão, não fazia sentido eu ter que comprar duas casas, ter dois custos. Então, no contrato de trabalho, que é praxe no mercado, eu falei: ‘Olha, mas uma condição: o banco fornecer a minha moradia nas duas cidades, já que estarei a serviço, se tudo se concretizar. Nunca se concretizou”, afirmou.