“Não há como fugir da situação fiscal no próximo ano”, diz ex-presidente do BC

Por InfoMoney · Categoria: Mercado ·

A combinação entre a expansão da dívida pública, a manutenção de programas sociais e a alta das taxas de juros no cenário internacional coloca a economia brasileira em um momento de extrema vulnerabilidade, de acordo com Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Tendências Consu

Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e presidente da Tendências Consultoria. Foto: Divulgação " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2025/03/GUSTAVO_LOYOLA.webp?fit=904%2C778&quality=70&strip=all" /> A combinação entre a expansão da dívida pública, a manutenção de programas sociais e a alta das taxas de juros no cenário internacional coloca a economia brasileira em um momento de extrema vulnerabilidade, de acordo com Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Tendências Consultoria. Em entrevista ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, o ex-BC fala sobre as incertezas da trajetória fiscal do país e a projeção de avanço da relação dívida/PIB, o que contribui para aumentar a desconfiança dos investidores e limita a capacidade do governo de gerar desenvolvimento de longo prazo. Loyola também avaliou que o aumento do endividamento tem reflexos diretos sobre os indicadores de risco e a atração de capital. “Eu acho que a situação macroeconômica é das mais delicadas. Porque o governo Lula até agora expandiu muito o gasto público e a dívida pública”, disse. “Esse período eleitoral adicionou mais gasto ainda e algumas promessas. Então, não há como fugir de uma situação fiscal bastante difícil no próximo ano e nos próximos.” Leia mais: Ressaca fiscal deve cortar margens e exigir seleção criteriosa de ações, diz HIX O especialista destacou que os incentivos do governo para fazer a economia crescer esbarram na alta de juros do BC para conter a inflação. Segundo ele, o governo esgotou “todo o seu arsenal para gerar atividade econômica” nos últimos meses, enquanto o BC “puxava o freio da economia” na outra ponta. Além das incertezas internas, o cenário geopolítico também pesa consideravelmente; guerras e aperto monetário nas principais economias estão entre os principais fatores de pressão. Loyola pontua que essas tensões no exterior reduzem o espaço para recuperação, preservando apenas setores específicos. “A situação externa agora é bastante mais complicada, não apenas pelos juros mais altos, mas pelas tensões geopolíticas, que estão longe de acabar. Eu vejo uma perspectiva de baixo crescimento para a economia brasileira nos próximos anos, com juros ainda elevados”, completou. Leia também: Ibovespa tem quarta queda seguida, com exterior, balanços e fiscal; dólar dispara Resistência política a cortes de gastos pode levar à recessão A estratégia de focar o reequilíbrio das contas públicas na elevação da arrecadação, sem promover reformas estruturais profundas, é vista pelo mercado como insuficiente. Medidas focadas no aumento de tributos, como o ajuste no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ou a revisão de isenções em Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), tendem a retirar recursos do setor privado e gerar impacto negativo sobre a atividade econômica, segundo o especialista. Para Loyola, a recusa do governo em alterar despesas obrigatórias, combinada com um Congresso desalinhado com o Executivo, cria entraves fortes para a aprovação de reformas estruturais de grande porte, como a revisão da Previdência ou a desindexação de gastos. Confira: Pós-eleição: Ibovespa já achou um piso? Dólar ainda tem espaço para subir? “Está muito estabelecido na teoria econômica e na prática de vários países que ajuste fiscal via receita não é eficiente e traz impacto negativo sobre a atividade econômica e, portanto, sobre a própria arrecadação em algum momento, enquanto o corte de gastos tende a ser muito mais eficaz”, disse. Na avaliação de Loyola, a falta de um plano focado na redução efetiva de despesas e o desgaste na articulação com os parlamentares aumentam o risco de o país ingressar em um período prolongado de estagnação. Esse cenário poderia afetar diretamente a oferta de crédito e os níveis de emprego. “Vejo um risco de a gente repetir o segundo governo da Dilma, em que a economia acabou se afundando. Nós tivemos um dos maiores períodos recessivos da história contemporânea do Brasil”, concluiu o ex-presidente do BC. The post “Não há como fugir da situação fiscal no próximo ano”, diz ex-presidente do BC appeared first on InfoMoney .