Histórico traz cautela após tombo da Bolsa; recuperação pode levar meses ou até anos

Por InfoMoney · Categoria: Mercado ·

A queda da Bolsa brasileira após o segundo turno das eleições pode não ter chegado ao fim, segundo avaliação do Bradesco BBI, que recomenda cautela aos investidores apesar do forte desconto das ações brasileiras. Os estrategistas do banco argumentam que a experiência histórica mostra que recuperaçõe

Painel de ações (Crédito: Shutterstock) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2019/07/acoes-mercado-bolsa-baixa-queda-2.jpg?fit=900%2C601&quality=70&strip=all" /> A queda da Bolsa brasileira após o segundo turno das eleições pode não ter chegado ao fim, segundo avaliação do Bradesco BBI, que recomenda cautela aos investidores apesar do forte desconto das ações brasileiras. Os estrategistas do banco argumentam que a experiência histórica mostra que recuperações após choques dessa magnitude costumam levar meses, e em alguns casos anos, para se consolidar. Em relatório, os estrategistas destacam que a queda de 18,7% do MSCI Brazil em dólar registrada após as eleições foi a maior baixa diária da história moderna do mercado brasileiro, superando episódios como a crise financeira de 2008, o choque da pandemia de Covid-19 e a crise política provocada pela divulgação das gravações envolvendo o ex-presidente Michel Temer em 2017. Além da intensidade da queda, o banco chama atenção para a forte rotação observada dentro do mercado. Enquanto empresas mais sensíveis aos juros sofreram fortes perdas, investidores migraram para exportadoras, companhias dolarizadas e ativos defensivos, levando a dispersão de retornos entre ações do Ibovespa aos maiores níveis já registrados. Recuperações costumam ser lentas O estudo mostra que o mercado brasileiro passou por 18 quedas de um único dia superiores a 10% desde o início da década de 1990. Na média, foram necessários cerca de três meses para que os índices recuperassem as perdas iniciais. Quando o foco se amplia para mercados emergentes, o histórico é ainda menos animador. Leia também Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai 1% e engata quinta queda seguida pós-eleições Nasdaq Futuro cai mais de 2% com a queda das ações da Amazon e Intel O Bradesco BBI analisou 15 episódios de eleições que provocaram fortes reações negativas dos investidores em países emergentes nas últimas duas décadas. O tombo brasileiro aparece como o segundo pior da amostra, atrás apenas da queda de 40% registrada pela Argentina após as eleições primárias de 2019 que marcaram a derrota de Mauricio Macri. Segundo o levantamento, os mercados desses países ainda estavam, em média, 11% abaixo dos níveis anteriores três meses após o choque e permaneciam negativos mesmo depois de seis meses. Em muitos casos, a recuperação relevante ocorreu apenas cerca de dois anos depois. Estrangeiros continuam no Brasil Apesar da turbulência, os estrategistas identificam poucos sinais de fuga significativa do capital estrangeiro. Com base no comportamento dos ETFs internacionais ligados ao mercado brasileiro, o banco afirma que os fluxos continuam relativamente resilientes. Na avaliação do BBI, isso ocorre porque o Brasil voltou a negociar com múltiplos considerados muito baratos e porque os investidores estrangeiros enxergam poucas alternativas atrativas dentro do universo emergente. O mercado brasileiro passou a negociar a menos de 8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, tornando-se o segundo mais barato do mundo, atrás apenas da Coreia do Sul. Leia também Para CEO da Ouro Preto, “todas as nuvens mostram que vem tempestade” em 2027 João Peixoto avalia que juros altos, descontrole fiscal e crise externa elevam o risco de estagflação, e o investidor de crédito deve priorizar papéis de primeira linha e diversificar Ainda assim, os estrategistas alertam que valuation barato não é suficiente para sustentar uma recuperação consistente. “Historicamente, comprar Brasil a 7 ou 8 vezes lucro não garantiu retornos acima da média”, destacam os analistas. Juros altos devem provocar cortes de lucro Na avaliação do banco, o principal desafio agora será a adaptação das projeções de lucro ao novo ambiente de juros. Segundo o estudo, a reprecificação recente da curva de juros ainda não foi totalmente incorporada às estimativas do mercado. O Bradesco BBI calcula que 74 das 106 empresas sob cobertura podem sofrer revisões negativas de lucro caso a nova trajetória da Selic seja mantida. Entre as companhias mais vulneráveis aparecem Anima ( ANIM3 ), MBRF ( MBRF3 ), JSL ( JSLG3 ), Yduqs ( YDUQ3 ) e Ecorodovias ( ECOR3 ), cujos lucros poderiam cair mais de 20% para cada aumento de 100 pontos-base nas taxas de juros. Por outro lado, algumas empresas tendem a se beneficiar de juros mais elevados. Entre elas estão Auren ( AURE3 ), Banco do Brasil ( BBAS3 ) e Santander Brasil ( SANB11 ). Diante desse cenário, o Bradesco BBI mantém recomendação neutra para o Brasil e continua privilegiando um portfólio defensivo. As principais apostas incluem exportadoras e companhias dolarizadas como Embraer ( EMBJ3 ), JBS (JBSS3), Suzano ( SUZB3 ) e WEG ( WEGE3 ), além de empresas que podem se beneficiar de juros elevados, como Itaú Unibanco ( ITUB4 ) e BB Seguridade ( BBSE3 ). O banco também destaca oportunidades em utilities, especialmente Eneva ( ENEV3 ), setor que, segundo os estrategistas, ficou relativamente mais atraente mesmo após a alta dos juros reais. Enquanto aguardam maior clareza sobre a trajetória fiscal e monetária brasileira, os analistas afirmam enxergar oportunidades mais atrativas em outros mercados latino-americanos, mantendo recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para Chile, México e Peru. The post Histórico traz cautela após tombo da Bolsa; recuperação pode levar meses ou até anos appeared first on InfoMoney .