Vale no 3T26: analistas veem até 56% de alta mesmo após forte queda do lucro; o que fazer agora

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Vale teve lucro 53% menor no 3T26, mas analistas mantêm potencial de alta relevante para VALE3. Veja o que pesou no balanço, os riscos para 2027 e os preços-alvo da ação.

A Vale (VALE3) apresentou resultados já esperados pelo mercado no terceiro trimestre de 2026 (3T26) . Apesar do avanço da receita líquida, a queda dos preços do minério de ferro e as despesas adicionais pressionaram o lucro líquido da mineradora, que recuou 53% em relação ao mesmo período do ano passado. Com os novos números em mãos, analistas enxergam potencial de valorização das ações . O balanço foi divulgado na noite desta quinta-feira (29), após o fechamento do pregão . A receita líquida somou US$ 10,599 bilhões, alta de 2% na comparação anual e de 1% ante o segundo trimestre. Já o lucro líquido atribuível aos acionistas totalizou US$ 1,255 bilhão, queda de 9% em relação ao trimestre anterior. Na avaliação da Genial Investimentos , o resultado ficou 18,7% abaixo das estimativas da casa. “O impairment (perda contábil por desvalorização de ativos) de US$ 242 milhões e US$ 111 milhões a mais de custos de Brumadinho e barragens deixaram o resultado operacional US$ 431 milhões abaixo do nosso (consenso)”, escreveu Luca Vello Izzo, analista da casa, em relatório. Além das despesas adicionais, a desvalorização do minério de ferro continua pressionando as contas da companhia. Nesta sexta-feira (30), o contrato mais negociado da commodity na bolsa chinesa ( Dalian Commodity Exchange ), com vencimento em janeiro de 2027, encerrou o pregão em queda de 1,18%, a 672 yuans por tonelada, equivalente a US$ 100,87. Na avaliação do Itaú BBA , a queda dos preços anulou os efeitos positivos do aumento das vendas e da redução dos custos da Vale. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ( Ebitda , sigla em inglês) da divisão de Soluções em Minério de Ferro recuou 14% na comparação trimestral, para US$ 2,6 bilhões. “O aumento de 8% nos volumes vendidos e a redução dos custos C1 (da extração na mina ao embarque no porto) foram mais do que compensados pela queda de 10% nos preços realizados do minério de ferro fino e pelos custos mais elevados de frete ”, informou o banco. A pressão sobre os resultados deve continuar no quarto trimestre (4T26) . Segundo o Safra , o preço à vista do minério de ferro está 6% abaixo da média registrada de julho a setembro. Ainda assim, a instituição financeira identifica fatores que podem amenizar o impacto sobre os resultados, como a redução dos custos operacionais em razão da desvalorização do real e a perspectiva de aumento da produção. Na divisão de Metais Básicos (VBM) , a expectativa é de melhora nos resultados, principalmente em razão da valorização do cobre e da recuperação dos volumes vendidos. O preço à vista do metal está 2% acima da média do terceiro trimestre, enquanto a produção deve se beneficiar da retomada das operações após a manutenção da planta SAG de Sossego, que gerou um custo de US$ 40 milhões no período. Na contramão, o níquel deve enfrentar um cenário menos favorável, diante da queda dos preços. Segundo o Safra, a cotação à vista do metal está 6% abaixo da média do terceiro trimestre. O que fazer com as ações VALE3 após o balanço do terceiro trimestre Apesar da perspectiva de melhora em parte das operações, o Safra mantém recomendação neutra para as ações da Vale, com preço-alvo de US$ 17,10. “Continuamos a esperar recompras de ações oportunas, mas não consideramos dividendos extraordinários por enquanto”, acrescentou o banco. A Genial Investimentos também recomenda manter posição nos papéis. A corretora estabeleceu preço-alvo de R$ 78,50, o que representa um potencial de valorização de 30,72%. O Itaú BBA, por sua vez, adota uma visão mais otimista e mantém recomendação outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 94, o que representa uma alta de 56%.