Israel enfrentará negociações difíceis após bloco de Netanyahu perder maioria parlamentar
Os resultados finais das eleições em Israel confirmaram que o bloco do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu perdeu a maioria parlamentar e que semanas de negociações difíceis entre partidos muito diferentes - de ultraortodoxos judeus a seculares e de orientação árabe - estão por vir. Os resultados d
Os resultados finais das eleições em Israel confirmaram que o bloco do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu perdeu a maioria parlamentar e que semanas de negociações difíceis entre partidos muito diferentes - de ultraortodoxos judeus a seculares e de orientação árabe - estão por vir. Os resultados divulgados no início desta sexta-feira, 30, mostraram que o bloco de Netanyahu conquistou 53 cadeiras na eleição de terça-feira, 27. O principal bloco de oposição obteve 48. Os partidos de orientação árabe garantiram as outras 19, em um resultado histórico. Agora, as legendas precisam se reunir, negociar e buscar uma forma de se unir para alcançar pelo menos 61 cadeiras no Knesset, o Parlamento de Israel, que tem 120 assentos. Netanyahu, o premiê que há mais tempo ocupa o cargo em Israel, continua no poder. “Agora começa a parte realmente difícil”, afirmou líder da oposição em Israel, Yair Lapid, em uma publicação no X, pedindo paciência. “Se vocês querem saber se algo está acontecendo por trás do silêncio que ouvem agora, a resposta é sim”, acrescentou. Presidente encarregará alguém de formar governo Decisões difíceis estão por vir. Os principais partidos de oposição, que fizeram campanha intensa para tirar Netanyahu do poder, optarão por uma aliança politicamente delicada com as legendas de orientação árabe? Ou deixarão de lado suas promessas para se unir a Netanyahu em um governo de coalizão potencialmente conflituoso? A sexta-feira é o dia em que boa parte de Israel começa a desacelerar as atividades para o Shabat, o descanso semanal judaico, e não estava claro quem poderia estar se reunindo com quem. Os israelenses debatiam possíveis coalizões e desafios, enquanto alguns expressavam a tradicional desconfiança em relação aos partidos árabes e outros insistiam que era hora de Israel respirar fundo e acolhê-los. “Há opções para tudo isso, ao contrário dos Estados Unidos , onde existem apenas dois partidos”, disse Beny Engalrd, morador de Tel Aviv. Os resultados eleitorais ainda precisam ser certificados e encaminhados ao presidente israelense, Isaac Herzog , na próxima quarta-feira, 4. Em seguida, Herzog encarregará alguém de formar o novo governo. A tarefa poderá caber ao líder do partido que recebeu mais votos - Netanyahu - ou a quem os dirigentes das diferentes legendas considerarem mais preparado para a função. Se várias tentativas de formar um governo fracassarem, Israel poderá ter novas eleições no início do próximo ano. Herzog afirmou nesta semana que fará tudo o que estiver ao seu alcance para evitar esse cenário. Netanyahu e Likud miram partidos árabes sem apresentar provas Nas horas que antecederam a divulgação dos resultados finais, Netanyahu e seu partido, o Likud, amplificaram acusações sem comprovação de que os partidos de orientação árabe teriam “roubado” a eleição, possivelmente com ajuda estrangeira. A oposição acusou rapidamente Netanyahu de demonizar a população árabe, que representa 20% dos habitantes do país e compareceu às urnas em número recorde, indignada com aliados de extrema direita de Netanyahu, como o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir. O partido dele, Otzma Yehudit, perdeu cadeiras. Em sua primeira manifestação pública nesta sexta-feira, Netanyahu escreveu em uma publicação no X que é proibido formar uma coalizão com partidos árabes. O presidente da comissão eleitoral de Israel, o ministro Noam Sohlberg, da Suprema Corte, havia afirmado que “suspeitas graves” de interferência estrangeira tinham sido apresentadas a ele. Em uma carta à agência de segurança interna Shin Bet, Sohlberg disse que não poderia verificar as acusações, mas pediu que a agência investigasse o caso. A imprensa israelense informou que integrantes do partido de Netanyahu acusavam o Catar de envolvimento - país que muitos israelenses consideram um apoiador do grupo terrorista Hamas , que atua na Faixa de Gaza . O Catar negou as acusações, classificando-as como “ridículas e perigosas”. Ao anunciar os resultados, a comissão eleitoral afirmou que a investigação se baseava em informações de inteligência sigilosas. O diretor-geral interino, Dean Livne, não deu detalhes, mas alertou que as notícias sobre a investigação eram “totalmente infundadas”. “Isso não afeta os resultados finais que serão encaminhados ao presidente, nem diz respeito a qualquer setor específico da população”, afirmou. Ao lançar dúvidas sobre a votação, Netanyahu parecia tentar impedir uma possível aliança entre seus adversários e os partidos de orientação árabe. Netanyahu sugeriu que seria uma traição se seu principal rival, Gadi Eisenkot , ou outros opositores se unissem a essas legendas. Em uma tentativa de reduzir as tensões, o Shin Bet afirmou que sua investigação não tinha a intenção de “lançar suspeitas” sobre um segmento inteiro da população que “exerceu seu direito de voto de maneira democrática e legal”. A comissão eleitoral também fez um alerta em uma carta enviada a um parlamentar preocupado com o caso, afirmando que “as acusações de violações sistemáticas da integridade eleitoral não têm fundamento”. A comissão quer receber as conclusões do Shin Bet em até uma semana. Oposição pode assumir o controle do próximo Parlamento Mesmo com o início das negociações para formar uma coalizão, a posse dos novos integrantes do Knesset está prevista para 10 de novembro. Depois que o Parlamento começar a funcionar, o bloco de Eisenkot poderá se unir aos partidos de orientação árabe para eleger um novo presidente do Knesset, o que lhes daria controle sobre a pauta parlamentar e poderia permitir a apresentação e aprovação de projetos de lei antes da formação de um novo governo. Centenas de israelenses já realizam manifestações para pedir que Eisenkot e outros opositores se aliem aos partidos de orientação árabe, uma medida que só ocorreu uma vez antes, brevemente, em 2021. “Acredito que devemos unir forças e cooperar com os partidos árabes, uma população legítima no Estado de Israel”, disse Miri Sklair, moradora de Jaffa. Se Netanyahu perder o cargo, uma série de acontecimentos poderá se desencadear, em um cenário que, segundo seus críticos, ele tem feito esforços desesperados para evitar. Ele teria de prestar contas sobre acusações de corrupção que se arrastam há anos, e uma investigação quase certamente seria aberta sobre as falhas de segurança anteriores ao devastador ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. /Com informações da AP