Dia dos Mortos: México celebra a vida com caveiras e cores; na capital, cena de ’007′ criou desfile

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Cravos de um laranja vibrante, velas reluzentes e rostos pintados como as elegantes caveiras conhecidas como catrinas enchem as ruas do México todos os anos durante as celebrações do Dia dos Mortos no país. As festividades começam em outubro e se estendem até o dia 2 de novembro, quando se acredita

Cravos de um laranja vibrante, velas reluzentes e rostos pintados como as elegantes caveiras conhecidas como catrinas enchem as ruas do México todos os anos durante as celebrações do Dia dos Mortos no país. As festividades começam em outubro e se estendem até o dia 2 de novembro, quando se acredita que as almas dos entes queridos falecidos retornam temporariamente na madrugada, para se reencontrar com suas famílias. Turismo excessivo. Na Cidade do México , o desfile foi criado para o filme de James Bond 007 Contra Spectre , de 2015, e posteriormente incorporado às comemorações da cidade. O centro da capital do país é tomado por uma espécie de Carnaval. Neste ano, o governo municipal espera que cerca de meio milhão de turistas domésticos e estrangeiros aproveitem a emblemática festa. O evento coincide com o fim de semana do Grande Prêmio de Fórmula 1 da cidade. Ruas, comércios e mercados da capital ficam cobertos de cempasúchil, a flor de cravo-de-defunto mexicana de cor laranja vibrante, que muitos acreditam iluminar o caminho dos mortos até o reencontro com suas famílias. O tradicional pan de muerto (pão dos mortos) lota as vitrines das padarias. Desfile da capital nasceu no cinema e completa 10 anos Esqueletos gigantes, carros alegóricos e artistas com adereços de penas na cabeça e máscaras: o popular desfile do Dia dos Mortos da Cidade do México completa dez anos em 2026 e foi inspirado em uma cena do filme de James Bond. Há músicos e acrobatas, além de carros vistosos. 007 Contra Spectre começa com o espião britânico caminhando entre uma multidão vestida com fantasias de mortos no centro da Cidade do México. “Todo mundo começava a me perguntar: ‘E o desfile? Quando é o desfile?’”, disse Miguel Ángel Mancera, ex-prefeito da Cidade do México (2012-2018), que organizou o evento pela primeira vez. “Foi uma aventura.” Algumas das figuras monumentais utilizadas nas filmagens foram aproveitadas para a primeira edição da marcha em 2016. “Agora já é algo muito, muito grande (...) é algo que realmente me dá muito orgulho”, acrescentou o ex-prefeito. Ao desfile soma-se neste ano a presença de uma colossal catrina de 11 andares de altura, montada em pleno Zócalo, a praça principal da capital mexicana. Assim, de uma celebração mais íntima, “passamos agora para um evento massivo”, explicou Roberto Montalvo, acadêmico da Universidade Ibero-Americana. Atualmente, o fluxo de turistas lota alguns cemitérios e disputa espaço com as famílias. “Vamos adaptar a visita ao ritual ou o ritual se adapta ao visitante?”, questiona. Como era o Dia dos Mortos no México e como ficou O Dia dos Mortos é uma festa tradicional mexicana para honrar e lembrar quem já faleceu. Ninguém sabe quando ocorreu a primeira celebração, mas ela está enraizada em crenças ligadas à agricultura da era pré-hispânica do México. As tradições católicas foram incorporadas à festividade após a conquista espanhola, em 1521. Ela combina elementos pré-colombianos com as comemorações religiosas de Todos os Santos (dia 1°) e Finados (dia 2). Famílias decoram altares e para seus entes queridos em suas casas, colocando doces, comida e mezcál como oferendas ao lado de fotos de quem já se foi. Na noite de 1º de novembro, famílias se reúnem em cemitérios por todo o país para se reconectar com seus mortos, assim como seus antepassados fazem há séculos. Mas, à medida em que a tradição e a capital mexicana ganham cada vez mais destaque internacional e Estados como Oaxaca e Michoacán também registram um grande fluxo de visitantes, algumas regiões têm enfrentado tensões provocadas pelo excesso de turismo. Duas catrinas gigantescas também estavam na praça principal de Zapotlanejo, no Estado de Jalisco, durante as celebrações neste 31 de outubro de 2026. Recriavam uma cena da comédia mexicana O Bolero de Raquel , com os personagens Cantinflas (famoso no país e interpretado pelo falecido ator Mario Moreno) e a dançarina Raquel. Em Janitzio, uma pequena ilha em um lago no Estado de Michoacán, no centro do país – onde as celebrações foram reconhecidas pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2008 –, as autoridades fecharam o cemitério para turistas pela primeira vez este ano. O fechamento ocorreu após o conselho comunitário da ilha relatar o desabamento de túmulos danificados, cruzes e outras partes no perímetro do cemitério devido ao excesso de visitantes. Apenas famílias locais e amigos das pessoas sepultadas lá terão permissão para entrar. / AP e AFP