PGR endossa decisão de Moraes que quebrou sigilo de jornalista do Maranhão

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Luis Pablo publicou uma série de reportagens nas quais denunciava um possível uso irregular de carros oficiais pelo ministro do STF Flávio Dino e seus familiares

A PGR (Procuradoria-Geral da República) endossou o pedido do ministro Alexandre de Moraes , do STF (Supremo Tribunal Federal), para quebra de sigilo da fonte do jornalista Luis Pablo , do Maranhão. Ele publicou uma série de reportagens nas quais denunciava um possível uso irregular de carros oficiais pelo ministro do STF Flávio Dino e seus familiares no Maranhão. O caso está relacionado ao inquérito das fake news . Segundo o ministro, o conteúdo indicava “que o autor da publicação se valeu de algum mecanismo estatal para identificação e caracterização dos veículos empregados, que permitiriam a exposição indevida relacionada à segurança de autoridades”. Em março, Moraes determinou busca e apreensão de celulares e notebooks na residência do jornalista. Leia Mais Moraes defende operação contra fontes de jornalista no MA e cita crimes Relatório da PF diz não ver indício de crime em jornalista alvo de Moraes Jornalista investigado no STF diz que querem sua destruição profissional A defesa, por sua vez, apontou a “atipicidade da conduta investigada” e alegou que houve “obtenção e uso dos dados extraídos, em contrariedade à garantia do sigilo da fonte” . Diante dos argumentos, o presidente do STF, ministro Edson Fachin , determinou que a PGR avaliasse o caso. Para endossar a decisão de Moraes, a Procuradoria-Geral se baseou no art. 43 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, que determina “o exercício do poder de polícia da Corte em face de infrações penais que afetem a sua esfera institucional” . No parecer, ao qual a CNN Brasil teve acesso, a PGR afirmou que a obtenção e a circulação dos dados do veículo poderiam “expor a risco a integridade física de um integrante da Corte”. O procurador-geral, Paulo Gonet, reafirmou a possibilidade de intervenção judicial após a quebra de sigilo, se houver “prática abusiva da prerrogativa de informar” . “Há, pois, fundamento para a permanência dos procedimentos sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal, pelo tempo necessário à realização das diligências destinadas a verificar a extensão desse risco e sua repercussão sobre a segurança institucional da Corte” , argumentou Paulo Gonet em trecho do parecer. Além disso, o jornalista é acusado de cobrar R$ 100 mil para publicar as reportagens. Nesse caso, a PGR entendeu que a quebra de sigilo da fonte ajudaria a entender se uma possível relação financeira para obter ou divulgar “informações reservadas”. “A reconstituição do caminho percorrido pelas informações, desde sua obtenção até a divulgação, revela-se, assim, necessária para esclarecer os atos de perseguição a que se referiu o Ministro Flávio Dino na sua representação. O esclarecimento desse cenário é de serventia para a compreensão da situação de risco que deu causa à representação, para precisar a repercussão das condutas descritas sobre a segurança da autoridade, bem assim a sua relevância penal” , conclui Gonet. O que diz a defesa do jornalista? A defesa do jornalista emitiu um documento argumentando que não havia fundamento para a quebra de sigilo, que ocorreu em março. Depois do parecer da PGR sobre o despacho do ministro, de 23 de outubro, os advogados enviaram ao presidente do STF, o ministro Edson Fachin , um novo ofício contra a medida. Para eles, uma reportagem sobre um patrimônio público também não indica uma possível perseguição política contra Dino. Além disso, a defesa cita o direito do jornalista de “não revelar a forma de obtenção das informações” e fala que o Estado não pode “promover atos punitivos tendentes à obliteração desse sigilo”. “A ordem de revelar a fonte só é compatível com a liberdade de expressão se justificada por exigência preponderante de interesse público” , afirma a defesa. Os advogados também pedem: Proteção das conversas com fontes e advogados; Encerramento definitivo e arquivamento das investigações; Envio do processo para a primeira instância da Corte. O relatório da PF (Polícia Federal) sobre a operação contra a fonte do jornalista do Maranhão Luís Pablo diz não haver indício de crime de violação de sigilo funcional dele e que não é possível “apontar com máxima certeza” que ele recebeu dinheiro para publicar reportagens contra o ministro Flávio Dino, do STF. O ministro Alexandre de Moraes também determinou uma busca e apreensão contra o ex-secretário Raimundo Cutrim, apontado na decisão como a fonte do jornalista nas reportagens. Atualmente, o ex-secretário está preso sob a acusação de obstruir uma investigação de homicídio que apura a conduta de um parente. Ele nega a acusação. A CNN Brasil busca contato com Raimundo Cutrim para um posicionamento, mas ainda não teve retorno. Análise: A matéria de Dino que fez STF investigar jornalista | WW