Psicóloga orienta como comunicar para filhos o fim do relacionamento
Profissional explica como conversar sobre a separação com os filhos, acolher as reações emocionais e preservar a segurança afetiva das crianças durante as mudanças na rotina familiar.
Existem momentos difíceis na vida de crianças e adolescentes, e um deles, é a separação dos pais. Essa fase da vida representa uma mudança importante para toda a família. Para os filhos, o fim da convivência diária entre os pais pode despertar sentimentos como tristeza, medo, raiva e até culpa. Nesse período, a maneira como os adultos conduzem o processo faz diferença na adaptação e na preservação da saúde emocional. A psicóloga Camila Borba, especialista em psicologia e atuante na clínica cognitivo-comportamental há dez anos, explica que a conversa sobre a separação deve ser conduzida com sinceridade, acolhimento e respeito à idade e à maturidade emocional de cada criança. O primeiro passo é ouvir o que os filhos compreendem sobre a família e permitir que expressem suas percepções. Crianças menores de seis anos costumam entender melhor explicações concretas. Desenhos e brincadeiras com massinha, por exemplo, podem ajudar a identificar como elas estão percebendo as mudanças. Para as maiores, conversas mais elaboradas podem ser utilizadas. “Descrever quais aspectos da mudança afetarão a vida da criança, como as casas diferentes, a rotina, deem uma previsibilidade sobre o futuro, esclarecendo que a mudança também visa o bem estar da criança, que o amor e cuidado continuam sendo a prioridade desta família é essencial. Além disso, é importante salientar que os pais ainda que divorciados continuam sendo compreendidos como ‘família’ pelos seus filhos e é importante a manutenção deste conceito.” Depois desse momento de escuta, os pais devem comunicar a decisão de maneira objetiva, sem apresentar detalhes desnecessários sobre os conflitos do relacionamento. Também é importante explicar como será a nova rotina, quais mudanças acontecerão e garantir que o cuidado e o amor pelos filhos permanecem. As reações emocionais variam conforme a idade e a maneira como a separação acontece. Crianças de até sete anos podem apresentar choro, tristeza, frustração e perda temporária da vontade de realizar atividades cotidianas. Já crianças maiores e adolescentes podem demonstrar isolamento, irritabilidade e menor tolerância à frustração.