Petróleo cai mais de 7% com expectativa de acordo entre EUA e Irã

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Contratos futuros do Brent caíram US$ 9,25, ou 8,15%, para US$ 104,18 o barril, e WTI registrou queda de US$ 8,08, ou 7,76%, para US$ 96,04

Os preços do petróleo caíam mais de 7% nesta segunda-feira (2) à medida que as negociações entre autoridades iranianas e do Catar alimentaram esperanças de um fim à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e de uma estabilização do abastecimento de petróleo no Oriente Médio . O presidente do Irã afirmou que o líder supremo concedeu ao governo “certas atribuições” em relação às negociações de paz. Os negociadores do país mantiveram dias de conversações com mediadores do Catar com o objetivo de pôr fim à guerra. Um rascunho de proposta está circulando, com a possibilidade de uma reunião de acompanhamento, disse uma autoridade a par das negociações. Os futuros do petróleo Brent caíam US$ 9,25, ou 8,15%, para US$ 104,18 o barril por volta de 15:05 (horário de Brasília). O petróleo WTI (West Texas Intermediate) dos EUA registrava queda de US$ 8,08, ou 7,76%, para US$ 96,04. Leia Mais Bolsas da Europa sobem com queda do petróleo e BCE no radar Investimentos em construção nos EUA caem 1,9% em setembro ante agosto Hackers elevam temperatura de freezers a 50ºC em novo ataque na Europa O presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que o líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, havia concedido ao governo certas atribuições para as negociações de paz. Pezeshkian acrescentou que Teerã “tentará resolver o problema por meio do diálogo”, sem dar mais detalhes, segundo a mídia estatal. Sinais de progresso nas negociações entre os EUA e o Irã pressionaram os preços do petróleo para baixo, disse o analista da Raymond James, Pavel Molchanov, observando, no entanto, que o ceticismo é justificado após muitas “falsas esperanças” nos últimos meses. O Brent encerrou outubro em seu nível mais alto em seis meses, em meio a preocupações de que o conflito entre os EUA e o Irã pudesse se intensificar novamente após as eleições de meio de mandato nos EUA nesta terça-feira (3). “O mercado de petróleo ainda está reagindo com extrema sensibilidade a cada notícia que vem do Oriente Médio”, disse o analista do UBS, Giovanni Staunovo. “Embora os temores de uma escalada iminente tenham empurrado os preços para cima na semana passada, eles caíram acentuadamente no início desta semana, à medida que as negociações diplomáticas entre os EUA e o Irã continuam”, acrescentou. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse no domingo que o objetivo das negociações “em andamento e progredindo” era continuar as consultas com os mediadores do Catar, acrescentando que Teerã estava preparada tanto para “a defesa quanto para a diplomacia”. As negociações ocorrem após um recente aumento nos ataques a petroleiros que transitam pelo Estreito de Ormuz, embora também haja sinais de aumento nos embarques de alguns dos principais exportadores. Por Rita Mundim: Newcastle, petróleo e eleições precificam mercado financeiro | MONEY NEWS As exportações de petróleo da Arábia Saudita aumentaram em outubro em relação a setembro, segundo duas das três empresas de rastreamento de navios, apesar dos ataques dos houthis iemenitas, alinhados ao Irã, à sua infraestrutura energética. O início da guerra envolvendo o Irã, no final de fevereiro, esgotou os estoques de petróleo. O mundo consumiu quase 1 bilhão de barris de petróleo dos estoques desde que a guerra interrompeu o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, afirmou o presidente-executivo da ADNOC, empresa estatal de petróleo de Abu Dhabi. O petróleo ainda pode subir mais, afirmam alguns analistas. O Goldman Sachs elevou suas previsões para o preço do petróleo no domingo devido aos elevados riscos de abastecimento e afirmou que o Brent poderia saltar para US$ 140 em 2027 se a produção de petróleo do Golfo permanecer 3,5 milhões de barris por dia abaixo de sua média de 2025. “O aumento dos ataques a navios, os danos à infraestrutura petrolífera e um prêmio de risco mais persistente continuam sendo os principais fatores que podem impulsionar uma alta”, afirmou o banco em um relatório. Petróleo ainda é termômetro da economia? Entenda influência