Inflação disparou na Turquia com teto de juro, que Lara Resende propõe

Por Poder360 · Categoria: Política ·

Recep Erdogan mandou cortar taxa básica de juros em 2021; inflação chegou a 85% e dólar foi de 8 para 18 liras

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, tentou em 2021 impulsionar o crescimento econômico do país por meio da redução compulsória de taxas de juros. Na época, o governante pressionou o Banco Central do país, o que acarretou na desvalorização de 130% da lira em relação ao dólar. A inflação chegou a 85,5% em outubro de 2022. O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, propôs o limite à Selic, taxa básica de juros no país. No plano de Resende, o patamar da Selic seria estabelecido por um conselho. A redução seria feita ao longo de 1 ano. Mas, na prática, haveria um limite, assim como o que se tentou na Turquia. Em março de 2021, o Erdogan substituiu o chefe do banco central do país, Naci Agbal, depois de a taxa básica de juros subir de 17% a 19%. O principal objetivo da troca foi frear o aumento nas taxas de juros do país, estratégia que integrava o chamado Novo Modelo Econômico. A ideia era reduzir os juros para estimular produção, investimentos e exportações. Naquele período, o dólar valia cerca de 8,3 liras. Só que o resultado foi o oposto do esperado: a lira turca despencou e a inflação disparou. A crise cambial atingiu seu auge em 20 de dezembro de 2021, quando o dólar chegou a 18,40 liras . Em menos de 1 ano, a cotação da moeda norte-americana em liras aumentou em cerca de 130% . O presidente turco argumentava que: altas taxas de juros causavam inflação; o governo e o BC trabalhariam para manter as taxas baixas; eram prioridade o crescimento, as exportações e o emprego. No entanto, a desvalorização da moeda turca foi impulsionada pela sequência de cortes de juros promovida pelo Banco Central: Erdoğan argumentava que juros elevados eram uma das causas da inflação e prejudicavam o crescimento econômico. Em setembro de 2021, o Banco Central da Turquia iniciou uma sequência de cortes na taxa básica de juros, que recuou de 19% para 14% até dezembro. A desvalorização da moeda agravou os preços internos e diminuiu consideravelmente o poder de compra. A Turquia depende de importações de energia, matérias-primas e insumos industriais; com o dólar mais caro, as empresas repassaram parte dos custos extras aos consumidores. A inflação anual da Turquia atingiu 36,1% em dezembro de 2021 e chegou a 85,5% em outubro de 2022. Em junho de 2023, depois da reeleição de Erdoğan, o Banco Central da Turquia retomou a elevação dos juros.