EUA e Irã intensificam negociações para encerrar guerra, mas ameaças de novos ataques persistem

Por Times Brasil — Mundo · Categoria: Internacional ·

Países mantêm contatos por meio de mediadores após conversas no Catar. Teerã apresenta condições para reabrir o Estreito de Ormuz, enquanto Washington não descarta novas ações militares. O post EUA e Irã intensificam negociações para encerrar guerra, mas ameaças de novos ataques persistem apareceu p

Os Estados Unidos e o Irã intensificaram, nos últimos dias, os esforços diplomáticos para tentar encerrar a guerra no Oriente Médio , mas as divergências sobre as condições de um acordo e as ameaças de novos ataques militares ainda dificultam as negociações. Os dois países vêm trocando mensagens por meio de mediadores, enquanto Teerã apresentou uma proposta para reabrir o Estreito de Ormuz. As conversas ganharam novo impulso nesta segunda-feira (2), quando o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, anunciou que o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, concedeu poderes ao governo para negociar uma saída para o conflito. O alcance dessa autorização não foi divulgado. A declaração ocorreu após uma rodada de negociações indiretas no Catar, encerrada no domingo (1), sem anúncio de acordo. Pezeshkian afirmou que o governo está empenhado em resolver o conflito por meio do diálogo. Leia também: Irã propõe reabrir Estreito de Ormuz em dois dias se EUA aceitarem condições O governo iraniano também informou que o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a situação no Oriente Médio, mas não divulgou detalhes. Como começaram as negociações A nova movimentação diplomática ganhou força na quinta-feira (29), quando o Irã confirmou ter recebido uma mensagem do vice-presidente americano, JD Vance, em meio às tentativas de retomar o diálogo entre Washington e Teerã. Na sexta-feira (30), representantes do Catar estiveram em Teerã para discutir as condições de um possível acordo. As conversas continuaram em Doha durante o fim de semana, com a participação de uma delegação iraniana e a troca de mensagens com os Estados Unidos. As negociações chegaram ao terceiro dia no domingo (1º). Os representantes iranianos deixaram Doha, mas os contatos diplomáticos continuaram, com a possibilidade de uma nova rodada de conversas. Nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, confirmou que o vice-chanceler Kazem Gharibabadi esteve no Catar para facilitar a comunicação com Washington por meio dos mediadores. Até o momento, não há confirmação de encontros presenciais entre representantes americanos e iranianos. Ormuz está sendo negociado Um dos principais pontos das conversas é a reabertura do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte internacional de petróleo e gás natural, cuja navegação foi afetada pela guerra iniciada em fevereiro. O governo iraniano apresentou uma proposta que permitiria reabrir a passagem em até dois dias, caso os Estados Unidos aceitem suas condições. O prazo é menor do que os sete dias previstos em um plano anterior apresentado por Teerã. Exigências iranianas Entre as exigências iranianas estão o fim do bloqueio naval americano aos portos do país, a suspensão de sanções econômicas, a liberação de ativos congelados e a redução da presença militar dos Estados Unidos na região. Teerã também exige o encerramento das hostilidades em outras frentes do conflito, incluindo os ataques israelenses ao Líbano, além do reconhecimento de rotas de navegação definidas em conjunto pelo Irã e por Omã. As negociações ainda envolvem divergências sobre o programa nuclear iraniano. Washington exige restrições à capacidade de enriquecimento de urânio do país, enquanto Teerã resiste a discutir o tema antes de um entendimento sobre suas demais condições. Ameaças militares continuam Apesar da retomada do diálogo, os dois países mantêm a possibilidade de novos confrontos. No sábado (31), Khamenei determinou que as Forças Armadas iranianas se preparassem para responder a eventuais ataques dos Estados Unidos e de Israel. A orientação prevê uma reação imediata, inclusive contra alvos americanos e israelenses fora do território iraniano. No domingo (1º), o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, alertou que uma nova guerra poderia ser mais longa do que os confrontos anteriores. O chanceler Abbas Araghchi também afirmou que o país desenvolveu e testou novos armamentos, mas ressaltou que a diplomacia continua sendo uma alternativa. Do lado americano, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou no sábado que o presidente Donald Trump ainda não havia decidido se retomaria os ataques contra o Irã e que Washington preferia uma solução negociada. Trump também classificou as conversas como produtivas, mas manteve a possibilidade de novas operações militares. Em 8 de outubro, o presidente havia afirmado que os Estados Unidos não atacariam o Irã antes das eleições legislativas americanas, marcadas para esta terça-feira (3). A declaração não descartou a retomada das ações militares após a votação. Mediação internacional Além do Catar, o Paquistão participa dos esforços diplomáticos para aproximar os dois governos. Os países atuaram como mediadores em negociações anteriores entre Washington e Teerã. Outros governos da região também defenderam uma solução diplomática. Os Emirados Árabes Unidos alertaram para os riscos de novos confrontos, enquanto a China anunciou esforços para discutir a crise com países do Oriente Médio. A Rússia também acompanha as negociações. Nesta segunda-feira, Teerã informou sobre a conversa entre Mohsen Rezaei e Vladimir Putin, sem esclarecer se foram discutidas propostas específicas para encerrar a guerra. Reflexos no mercado de petróleo A retomada dos contatos diplomáticos repercutiu no mercado internacional de energia nesta segunda-feira (2). Os preços do petróleo registraram forte queda durante o pregão, em meio às expectativas de um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã e de normalização do transporte de petróleo e gás natural pelo Estreito de Ormuz. Durante as negociações desta segunda-feira, o barril do Brent chegou a cair 7,8%, para US$ 104,63, enquanto o WTI, referência americana, recuou 7,3%, para US$ 96,55. Parte da variação do Brent também refletiu a mudança do contrato futuro de referência. Antes da guerra, a passagem concentrava aproximadamente um quinto do petróleo consumido mundialmente. As restrições à navegação na região têm afetado o fornecimento de energia e pressionado os preços internacionais desde o início do conflito. O post EUA e Irã intensificam negociações para encerrar guerra, mas ameaças de novos ataques persistem apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC .