Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60
Ouro sobe 1,81% e fecha a US$ 3.969,60 com queda do petróleo. Mercado acompanha negociações entre Irã e EUA e próximos passos do Federal Reserve. Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, e
O preço do ouro encerrou esta segunda-feira (2 de novembro de 2026) em alta de 1,81%, recuperando parte das perdas acumuladas nas sessões anteriores, em meio à forte desvalorização do petróleo e às expectativas de avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã. O movimento ocorreu enquanto investidores reavaliavam os riscos de inflação e a trajetória dos juros norte-americanos, fatores determinantes para o desempenho dos metais preciosos. Na divisão de metais da bolsa de Nova York (Comex), o contrato futuro do ouro para entrega em dezembro fechou cotado a US$ 3.969,60 por onça-troy, conforme os dados de fechamento divulgados nesta segunda-feira. A prata, com vencimento no mesmo mês, registrou valorização de 3,27%, encerrando a US$ 50,888 por onça-troy. A recuperação foi acompanhada pela queda expressiva das cotações internacionais de petróleo, que chegaram a recuar mais de 8% durante a sessão. A possibilidade de um entendimento diplomático para reduzir o conflito no Oriente Médio diminuiu parte das preocupações com interrupções no abastecimento global de energia. Apesar da valorização, o ouro permaneceu abaixo do patamar de US$ 4.000 por onça-troy, referência acompanhada pelos participantes do mercado após a recente sequência de perdas. Por que o ouro subiu com a queda do petróleo? A valorização do ouro nesta segunda-feira ocorreu em um cenário de redução das pressões sobre os preços internacionais de energia, diante das expectativas de uma solução negociada para o conflito entre Estados Unidos e Irã. A queda do petróleo pode diminuir os riscos de inflação, especialmente em economias que dependem da importação de combustíveis e outros derivados. Esse movimento influencia as expectativas sobre a política monetária, já que pressões inflacionárias menores podem reduzir a necessidade de manutenção ou elevação das taxas de juros. O ouro, diferentemente de títulos públicos e outros instrumentos financeiros, não oferece pagamento periódico de juros. Por isso, taxas elevadas costumam aumentar o custo de oportunidade de manter recursos aplicados no metal precioso. Quando os investidores passam a considerar a possibilidade de uma política monetária menos restritiva, o ouro pode recuperar atratividade. Essa relação, entretanto, não é automática. O metal também responde às oscilações do dólar , aos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, à procura por proteção patrimonial e às condições de liquidez dos mercados financeiros. A recuperação desta segunda-feira ocorreu mesmo com a redução parcial das tensões geopolíticas, situação que normalmente diminuiria a procura pelo ouro como ativo de proteção. Negociações entre Irã e EUA derrubam petróleo e influenciam mercado As expectativas de avanço diplomático no Oriente Médio ganharam força após manifestações de autoridades iranianas sobre a continuidade das negociações indiretas com os Estados Unidos, mediadas pelo Catar. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou em 1º de novembro que Teerã mantém consultas diplomáticas com representantes catarianos para discutir uma proposta relacionada à reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo o governo iraniano, o plano poderia ser executado em dois dias, desde que determinadas condições fossem atendidas pelos Estados Unidos. Entre os pontos de divergência estão o bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos, as sanções econômicas e as condições para retomada das negociações sobre o programa nuclear do país. O Estreito de Ormuz constitui uma passagem estratégica para o transporte internacional de petróleo. As restrições à navegação na região provocaram dificuldades de abastecimento e contribuíram para a elevação das cotações da commodity durante o conflito. A possibilidade de reabertura da rota marítima levou os investidores a reavaliar os riscos de oferta, pressionando os contratos futuros do petróleo. Embora as negociações tenham influenciado os mercados financeiros, ainda não havia confirmação de um acordo definitivo para encerrar o conflito. Federal Reserve mantém juros e preocupa investidores em ouro Além das negociações no Oriente Médio, os participantes do mercado de metais preciosos acompanham as decisões do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos. Em sua reunião de 27 e 28 de outubro de 2026, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) decidiu manter a taxa básica de juros norte-americana no intervalo de 3,75% a 4% ao ano. A decisão foi aprovada por dez votos a dois. As dirigentes Lisa Cook e Beth Hammack defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual, evidenciando divergências dentro do comitê sobre a intensidade da política monetária necessária para controlar a inflação. No comunicado oficial, o Fed afirmou que a atividade econômica continua avançando em ritmo forte, enquanto a inflação permanece elevada. A autoridade monetária também destacou que a obtenção de novos dados econômicos será importante para determinar a orientação futura dos juros. Para o mercado de ouro, esse cenário mantém a possibilidade de volatilidade. Uma perspectiva de juros mais altos tende a favorecer aplicações remuneradas e pode pressionar metais preciosos, enquanto expectativas de condições monetárias menos restritivas podem sustentar uma recuperação das cotações. A próxima reunião do Fomc está programada para os dias 8 e 9 de dezembro de 2026. Payroll dos Estados Unidos pode definir os próximos movimentos do ouro Outro fator acompanhado pelos investidores é a divulgação do relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll. Segundo o calendário do Bureau of Labor Statistics (BLS), os dados referentes a outubro de 2026 serão divulgados na sexta-feira, 6 de novembro, às 8h30 no horário da costa leste norte-americana, correspondentes às 10h30 em Brasília. O levantamento apresenta informações sobre a criação de empregos fora do setor agrícola, a taxa de desemprego e a evolução dos salários. Resultados que indiquem um mercado de trabalho mais aquecido podem reforçar a avaliação de que a economia norte-americana continua suficientemente forte para sustentar uma política monetária restritiva. Por outro lado, sinais de desaceleração do emprego e dos salários podem reduzir as expectativas de novas elevações dos juros, dependendo também do comportamento da inflação. Na divulgação anterior, referente a setembro, os Estados Unidos registraram criação líquida de 29 mil empregos fora do setor agrícola, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,2%, conforme os dados oficiais do BLS. O relatório desta semana será uma das principais referências para avaliar as condições econômicas antes da reunião de dezembro do Federal Reserve. Ouro pode voltar a superar US$ 4.000? A recuperação de quase 2% nesta segunda-feira aproximou novamente o ouro da marca de US$ 4.000 por onça-troy, mas não eliminou os fatores que provocaram a desvalorização recente. O comportamento dos juros norte-americanos permanece entre as principais variáveis para a formação dos preços. A manutenção de taxas elevadas por um período prolongado pode limitar a valorização do metal. Ao mesmo tempo, uma redução sustentada dos preços do petróleo poderia aliviar pressões inflacionárias e alterar as expectativas sobre as próximas decisões do Federal Reserve. A evolução das negociações entre Irã e Estados Unidos também continuará influenciando o mercado, especialmente diante da importância do Estreito de Ormuz para o abastecimento internacional de energia. Com o ouro negociado abaixo de US$ 4.000 e a prata novamente acima de US$ 50 por onça-troy, investidores devem acompanhar os indicadores de emprego, a política monetária norte-americana e os desdobramentos diplomáticos para avaliar a sustentabilidade da recuperação dos metais preciosos. Fontes: CME Group — Comex, contratos futuros e metodologia oficial de liquidação dos contratos de ouro e prata. Federal Reserve — comunicado oficial do Fomc de 28 de outubro de 2026. Federal Reserve — calendário oficial das reuniões de política monetária de 2026. Bureau of Labor Statistics (BLS) — calendário oficial de divulgação do relatório de emprego de outubro de 2026. Bureau of Labor Statistics (BLS) — Employment Situation, setembro de 2026. Ministério das Relações Exteriores do Irã — declarações de Abbas Araqchi de 1º de novembro de 2026 sobre as negociações mediadas pelo Catar. Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda