Conheça a youtuber que virou recordista mundial dos 100m com barreiras
Masai Russell faz temporada fantástica em 2026, com 14 vitórias em 14 provas que disputou; agora, ela mira o Mundial de 2027 e o bicampeonato olímpico em 2028
Catorze provas, catorze vitórias e um novo recorde mundial de quebra. Poucos atletas do mundo tiveram um 2026 mais bem-sucedido do que a estrela norte-americana do atletismo Masai Russell , se é que algum teve. A atleta de 26 anos, porém, ainda quer (muito) mais. Antes de um ciclo de dois anos decisivo para a carreira, que inclui o Mundial de 2027 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, Russell quer mostrar que é a “melhor atleta de barreiras que já existiu” . Leia mais Campeã olímpica da maratona cai no antidoping e é suspensa provisoriamente COB descarta foco em esportes individuais para aumentar medalhas Álvaro José destaca protagonismo feminino no esporte olímpico brasileiro “Assim como as pessoas ainda falam de Usain Bolt e de como os recordes dele parecem intocáveis”, comparou ela à CNN , “eu quero que as pessoas questionem o mesmo sobre a Masai: ‘Como ela conseguiu fazer isso?’” É impressionante pensar que, neste ano, Russell se posicionou 14 vezes na largada dos 100m com barreiras e, em todas elas, foi a primeira a cruzar a linha de chegada. Russell venceu 14 provas e quebrou o recorde mundial em Zurique Para ter noção desse domínio, o último time a abrir uma temporada da NFL com 14 vitórias seguidas foi o Carolina Panthers, em 2015. No Brasileirão, nunca houve qualquer equipe a vencer as primeiras 14 rodadas. O retrospecto invicto, porém, conta apenas parte da história. Em agosto, na etapa de Zurique da Diamond League , a campeã olímpica quebrou o recorde mundial com o tempo de 12s09, três centésimos abaixo da marca anterior de Tobi Amusan. Russell, no entanto, não ficou surpresa. “Quando corri 12s09, eu pensei: ‘Não esperávamos isso?’”, disse. “No fim das contas, foi uma bênção ter trabalhado por tantos anos e ver o resultado do trabalho aparecer. Independentemente do que as pessoas disseram que eu poderia ou não fazer, é uma bênção ver que o trabalho duro realmente funciona.” i broke the world record and I don’t know where to start.. (it gets emotional) Campeã do Ultimate, Russell concorre a Atleta Mundial do Ano Para fechar uma temporada impecável, Russell venceu o primeiro Campeonato Mundial Ultimate de Atletismo, com 12s22, a nona vez que ela correu abaixo de 12s3 neste ano. Uma atleta só conseguiu fazer isso na prova 49 vezes em toda a história. A invencibilidade e o recorde mundial renderam a Russell uma indicação ao prêmio de Atleta Mundial do Ano de 2026 no feminino, que será entregue no World Athletics Awards, em Mônaco, em 29 de novembro. Diante da dimensão das conquistas, seria tolice apostar contra ela, embora enfrente forte concorrência de atletas como Melissa Jefferson-Wooden, estrela dos 100m e 200m, e Audrey Werro, campeã europeia dos 800m. “Acho que o que é para ser meu vai acontecer”, diz ela, com um sorriso irônico. “Mas não acho que alguém tenha feito o que eu fiz neste ano: ficar invicta, quebrar o recorde mundial, correr os tempos que corri e bater todos os recordes de competições.” Russell diz que merece o prêmio e relembra infância competitiva “Então, o que tiver que ser, será, mas acredito que eu deveria ganhar.” Russell começou no atletismo aos oito anos, em Upper Marlboro, em Maryland, em uma família extremamente competitiva. Os irmãos mais velhos, Philip e Devine, jogavam basquete e usavam as corridas para ganhar velocidade. Para a irmã caçula, eles se tornaram os primeiros adversários. Algumas de suas primeiras lembranças do atletismo são de disputar corridas com eles na rua em frente à casa. “Acho que meu espírito competitivo veio com certeza de crescer com meus irmãos, de ser a única menina por muito tempo, de virar praticamente um dos garotos”, lembra Russell. “Acho que por isso eu era tão rápida, porque competia contra eles, tentando acompanhá-los.” Pais deram apoio e exemplo de dedicação Os pais de Masai, Sharon e Mark Russell, dedicaram incontáveis horas a ajudá-la a perseguir seus objetivos, oferecendo o apoio que sustentaria sua ascensão ao topo do esporte. Ela se lembra de dias intermináveis em competições, nos quais o pai montava uma tenda e garantia que ela tivesse comida e o apoio necessário para se desenvolver. Da mesma forma, Russell viu a mãe equilibrar a maternidade com a carreira de médica, um exemplo de ética de trabalho que a acompanha até hoje. “Ela definitivamente me mostrou o que era trabalho duro, como é ser dedicada e fazer acontecer independentemente de como você se sente.” Garra desde criança e primeiros reveses Mesmo aos oito anos, despreocupada, Russell já desenvolvia a garra que definiria sua carreira. “Eu sempre me divertia, mas tinha um lado competitivo. Eu sempre queria vencer.” “Sempre quis ser a melhor e tinha uma ética de trabalho diferente da de todo mundo.” As lições aprendidas e a ética de trabalho transmitida pelos pais seriam cruciais quando Russell enfrentou os primeiros grandes reveses da carreira. No Campeonato da NCAA de 2023, no Texas, ela correu em 12s32, um tempo fulminante, mas foi superada na linha de chegada por Ackera Nugent. Reveses de 2023 e 2024: “não dá para vencer sem perder” Mais tarde naquele verão, já profissional, Russell se classificou para o primeiro Mundial, mas caiu na semifinal depois de esbarrar na segunda barreira. Foi um golpe duro para uma atleta extremamente talentosa, pronta para mostrar do que era capaz no cenário mundial. Por mais doloroso que tenha sido, Russell viu o revés como parte do processo. “Eu perdi muito, mas, no fim das contas, não dá para vencer sem perder”, disse à CNN. “Não dá para vencer sem fracassar; não dá para vencer sem tropeços no caminho que façam você valorizar por que venceu.” A temporada de 2024 também começou mal, e Russell parecia “alérgica” à vitória. Por sua própria avaliação, os tempos eram decepcionantes, e o primeiro ano como profissional ameaçava terminar em frustração. Ouro em Paris deu a Russell o primeiro título global Então tudo se encaixou. Russell conquistou o primeiro título nacional nas Seletivas Olímpicas dos EUA, o que a colocou na maior prova de sua carreira, nos Jogos de Paris. Pouco mais de um mês depois, Russell ganhou o ouro nos 100m com barreiras, superando a francesa Cyréna Samba-Mayela por um centésimo de segundo. “Cruzando a linha em Paris, eu não sabia que tinha vencido”, lembra Russell. “Olhei para cima e pensei: ‘Sei que ganhei uma medalha, mas qual?’ E, quando vi meu nome aparecer, simplesmente perdi o controle.” “Eu ganhei as Seletivas um mês antes, a primeira vez que venci um título nacional, e, um mês depois, ganhar meu primeiro título global foi nada além de um sonho, nada além de um sonho de verdade.” Vlog do ouro, previsão do treinador e carreira no YouTube A emoção do triunfo olímpico está registrada no vlog “I WON THE OLYMPICS” (“Eu ganhei as Olimpíadas”, em tradução livre), no YouTube, que mostra um pouco das comemorações com a família e a equipe em Paris. (VLOG)" tabindex="0" > (VLOG)" /> (VLOG)" > MASAI RUSSELL: I WON THE OLYMPICS!!! (VLOG) O técnico de longa data Lonnie Greene trabalha com ela desde a época da Universidade de Kentucky. No vlog, um Greene de olhos cansados fala para a câmera logo depois da vitória. “Eu disse. Eu disse que você poderia quebrar o recorde mundial, se não fosse a campeã olímpica, e Deus permitiu que isso se concretizasse. Você vai quebrar o recorde mundial mais cedo do que imagina.” A previsão se mostrou notavelmente certeira. Russell criou seu canal no YouTube em 2017, aos 16 anos, e é lá que sente a maior conexão com os fãs, 69,3 mil no total, compartilhando vlogs sobre a vida pessoal e profissional. Próximos dois anos vão definir o legado de Russell As ambições de Russell, porém, vão além de criar conteúdo. Com público consolidado no YouTube e no Instagram e uma linha própria de produtos, ela já constrói uma marca pessoal que pode existir independentemente da carreira no atletismo. “Eu adoro criar conteúdo e mostrar minha vida e o que estou fazendo, mostrar também o que acontece fora da pista e que sou maior do que apenas uma atleta”, diz. “A maior motivação para mim é permitir que as pessoas venham nessa jornada comigo.” De correr contra os irmãos nas ruas de Upper Marlboro a se tornar a mulher mais rápida da história nos 100 m com barreiras, Russell já percorreu um longo caminho. Mas os próximos dois anos ajudarão a definir seu legado no esporte. Ela terá primeiro uma chance de redenção no Mundial de 2027, e depois os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, nos quais tentará se tornar a primeira mulher da história a conquistar dois títulos olímpicos seguidos nos 100 m com barreiras. “Eu ganhei o Ultimate e já risquei da lista. Ganhei os Jogos Olímpicos e já risquei da lista”, diz. “Mas agora é hora de riscar um título mundial e dominar. Continuar mostrando às pessoas que sou a melhor atleta de barreiras que já existiu.” World Athletics define sede dos Mundiais de Atletismo de 2029 e 2031