Trump diz que acordo entre EUA e Irã “poderia acontecer”
Afirmação do presidente americano acontece em meio a impasse nas negociações entre autoridades para encerrar a guerra que já dura oito meses
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (2) que um acordo para encerrar a guerra contra o Irã “poderia acontecer”, acrescentando que Teerã deseja realizar o tratado. Os contatos entre o Irã e os Estados Unidos para pôr fim à guerra de oito meses continuam, disse Teerã nesta segunda-feira, depois de dias de conversações iranianas com mediadores do Catar terem terminado com propostas alteradas, mas sem avanços. Em meio a temores de que o conflito possa reacender após as eleições de Meio de Mandato de terça-feira (3) nos Estados Unidos, a China e a Rússia manifestaram-se na segunda-feira contra a possibilidade de uma ação militar renovada na guerra que atingiu a economia global. Leia Mais: Aprovação de Trump permanece em 32% a um dia das Midterms, aponta pesquisa Quem é a copilota brasileira de 20 anos que morreu em queda de jato nos EUA Bombardeio russo em escola de vila na Ucrânia mata 24 pessoas, diz governo Mais cedo, mediadores do Catar viajaram a Teerã para conversas com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, sobre o possível acordo com Washington, informou uma autoridade a par das negociações. Tensões crescem em meio a impasse Com pouca transparência por parte de Washington e uma retórica belicista vinda de Teerã, a população em todo o Oriente Médio encontra-se ansiosa e confusa, atenta a sinais que indiquem se o conflito entre o Irã e os Estados Unidos voltará a eclodir. “O clima mudou, sem dúvida”, disse à CNN uma cidadã americana de 36 anos que vive na Arábia Saudita. Ela planeja partir antes das eleições de Meio de Mandato de terça-feira (3) — período após o qual o presidente dos EUA, Donald Trump , sugeriu que novos confrontos poderiam ocorrer. “As pessoas estão, de modo geral, mais cautelosas; parece que todos estão apenas esperando para ver o que vai acontecer”, acrescentou ela. Em lares e locais de trabalho por todos os países árabes do Golfo, surgem muitas indagações. Os moradores buscam pistas que os ajudem a se planejar para eventuais situações, como o fechamento de escolas ou a interrupção de viagens. Entenda como o conflito entre Estados Unidos e Irã A guerra começou em fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã que mataram o líder supremo Ali Khamenei . O conflito entrou em seu oitavo mês esta semana, com os dois lados ainda presos em um impasse persistente — sem avanços na frente diplomática e sem capacidade de romper o impasse militar. Trump ofereceu pouca clareza sobre seu objetivo final, oscilando entre ameaças de novos ataques e uma abertura para uma possível diplomacia. O Irã tem tentado projetar sua própria capacidade de dissuasão, alegando que agora possui armamentos capazes de atingir mais alvos e causar danos ainda maiores do que antes. A mediação continua, mas um avanço dependeria de pelo menos um dos dois lados cruzar suas próprias “linhas vermelhas”. No início deste mês, Trump escreveu nas redes sociais que Washington “não atacará o Irã em nenhum momento antes das eleições de meio de mandato”. O fato de o presidente dos EUA não ter descartado nem confirmado se os ataques seriam retomados após o pleito é parte do motivo da tensão contínua. (Com informações de Gerardo Gomez e Nandita Bose, da Reuters) Trump diz que deixou instruções para atacar Irã caso seja assassinado