Lula quer reestruturar comunicação digital e avalia novo ministério
Área seria específica para cuidar de redes e debater regulação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia criar um Ministério da Comunicação Digital, segundo interlocutores do petista ouvidos pela CNN . A ideia tem sido debatida internamente no governo como uma possibilidade de reestruturação, entre outras opções avaliadas, para dar mais protagonismo à área. As discussões foram reveladas pelo jornal O Globo e confirmadas por duas fontes à CNN . Leia Mais Antes de debate no STF, Lula cobra mobilização da sociedade contra bets Janones descarta ministério de Lula e diz que seguirá como deputado federal "Exército do Lula" inspira canais de esquerda em eleições estrangeiras Segundo auxiliares de Lula, não há martelo batido ainda sobre a possibilidade , mas o presidente já deu sinalizações de que o próximo governo terá que abraçar mais a área digital. Lula afirmou a auxiliares que decidiu reestruturar a comunicação digital do governo, mas ainda decide os moldes da mudança. O petista chamou o deputado federal André Janones (Rede-MG) para um almoço no Palácio da Alvorada, na última quinta-feira (29), para ouvi-lo sobre o tema e iniciar essa construção. Após o papel crucial do parlamentar para sua vitória nas urnas, Lula aponta Janones como seu principal conselheiro para a iniciativa. O presidente e o deputado discutiram a reformulação da área, mas deixaram a conversa sobre um possível cargo a Janones nessa nova estrutura para um novo encontro — que deve acontecer nos próximos dias. Janones vem afirmando que já tomou a decisão de que não assumirá um ministério no governo Lula e seguirá atuando na Câmara dos Deputados . O presidente também aposta na atuação do parlamentar no comando do “ Exército do Lula “. Na noite da vitória nas eleições, Lula frisou no primeiro discurso a necessidade do governo avançar com o debate da regulação das redes, que está emperrado há anos no Congresso Nacional. Essa seria uma das principais missões da nova estrutura governamental de comunicação digital . “Foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais e nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real. Não podemos ter empresas monstruosas de grandes ganhando milhões e bilhões não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral deste país”, disse. O plano de governo do presidente Lula apresentado durante a campanha à reeleição propôs avançar na “regulação democrática” das redes sociais e plataformas digitais para impedir a disseminação de desinformação, campanhas de ódio e outras formas de comunicação consideradas nocivas à democracia. Outra proposta foi a criação de uma Política Nacional de Letramento Digital, com o objetivo de capacitar cidadãos a navegar criticamente na internet, combater a desinformação e proteger a privacidade. O programa também propõe a criação de um Conselho Nacional pela Soberania Digital, com participação da sociedade. O governo chegou a preparar e prever o envio ao Congresso Nacional de projetos próprios para regulamentar as big techs e redes sociais no Brasil . Decidiu focar, no entanto, no envio de uma matéria com olhar específico sobre a regulação econômica das plataformas digitais. Lula também abriu uma frente de enfrentamento ao tema com decretos que entraram em vigor no final de julho e que aumentaram as responsabilidades das big techs. Um dos principais avanços do governo na área foi a aprovação do ECA Digital, a atualização do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente,com regras e punições diretamente aplicáveis às plataformas digitais. Papel do Exército do Lula O governo reeleito do presidente Lula quer manter o engajamento do “Exército do Lula” e usar o canal do WhatsApp como instrumento para influenciar discussões no Congresso Nacional — que terá a bancada de direita ampliada a partir do próximo ano. A ideia é que o canal comandado por Janones, que conta com mais de 10 milhões de integrantes, coordene a mobilização de apoiadores do presidente, especialmente nas redes sociais, para pressionar congressistas durante a tramitação de pautas estratégicas. A discussão da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala de trabalho 6×1 é utilizada como um exemplo no entorno de Lula. A avaliação é de que a pressão popular em prol da matéria empurrou sua aprovação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal Análise: Tática de Janones influencia esquerda mundial | LIVE CNN