BB Seguridade vê lucro encolher no 3T26 e corta expectativas para o ano; o que pesou no balanço?

Por Estadão · Categoria: Geral ·

BB Seguridade registra queda no lucro do terceiro trimestre de 2026, pressionada pelos resultados da Brasilseg e BB Corretora. Companhia também reduz previsão de prêmios emitidos para o ano.

A BB Seguridade ( BBSE3 ) registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,432 bilhões no terceiro trimestre de 2026 , queda de 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o segundo trimestre, houve elevação de 13%. No balanço, a companhia afirma que a retração anual, equivalente a R$ 129,8 milhões, foi pressionada principalmente pelas contribuições menores da BrasilSeg e da BB Corretora . A primeira teve redução de R$ 101,2 milhões , refletindo menor volume de prêmios ganhos, aumento do índice combinado e queda do resultado financeiro líquido. Já a contribuição da BB Corretora recuou R$ 58,9 milhões , em razão da diminuição das receitas de corretagem dos segmentos de seguros e títulos de capitalização, além da redução do resultado financeiro líquido . Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo avanço do resultado financeiro líquido da holding BB Seguridade. O resultado financeiro combinado das empresas da BB Seguridade somou R$ 655,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, essa variação refletiu a redução de 4,9% no saldo médio das aplicações financeiras combinadas, a menor taxa média da Selic (taxa básica de juros ) e o aumento do custo dos passivos da Brasilprev . Neste último caso, pesaram a menor deflação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) com defasagem de um mês, que passou de 2,1% para 1,9%, e a constituição de provisão complementar de cobertura (PCC) de R$ 65,6 milhões, ante reversão de R$ 43,6 milhões no terceiro trimestre de 2025. O relatório não apresenta um valor consolidado de marcação a mercado da carteira de negociação de todas as empresas do grupo para o trimestre. Na Brasilprev, porém, o efeito foi positivo em R$ 75,7 milhões , ante impacto negativo de R$ 45,8 milhões no terceiro trimestre de 2025. Em setembro, 47,7% dos investimentos das empresas da BB Seguridade estavam aplicados em títulos pós-fixados, ante 45,3% um ano antes. Outros 38,4% estavam em títulos indexados à inflação, frente a 40,5% em setembro de 2025. Os títulos prefixados representavam 13,9% da carteira, ante 14,1% um ano antes. A BB Seguridade também apurou resultado operacional recorrente não decorrente de juros de R$ 2,618 bilhões no trimestre , queda de 3% no confronto anual. O indicador reúne os resultados operacionais recorrentes das investidas, ponderados pela participação acionária da holding, e não deve ser confundido com um resultado financeiro. A emissão de prêmios do seguro de vida da Brasilseg recuou 8,9% em relação ao mesmo período de 2025, para R$ 864,6 milhões no terceiro trimestre deste ano. Já a emissão de prêmios do seguro prestamista recuou 26,9%, para R$ 673,2 milhões. Segundo a BB Seguridade, a redução dos volumes de seguros relacionados a crédito foi um dos principais fatores para a queda de 19% dos prêmios emitidos totais da Brasilseg no trimestre. O segmento rural, por sua vez, recuou 24,3%, para R$ 1,680 bilhão , com quedas dos seguros agrícola, de 32,3%, vida produtor rural, de 20,8%, e penhor rural, de 24,6%. Projeções para 2026 A BB Seguridade revisou as suas projeções após o desempenho apurado no acumulado do ano até setembro. No período, os indicadores de resultado operacional não decorrente de juros (ex-holding) e de reservas de previdência Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) da Brasilprev superaram os intervalos previstos, enquanto os prêmios emitidos da Brasilseg registraram desempenho abaixo do esperado . Diante do cenário, a companhia alterou o intervalo do guidance (projeção) de prêmios emitidos da Brasilseg, que passou de uma variação estimada entre -3% e +2% para uma retração de -15% a -11%. O desvio no acumulado até setembro (-9,2%) foi influenciado principalmente pelos segmentos de seguro rural, prestamista e vida. Por outro lado, o resultado operacional não decorrente de juros (ex-holding), cuja variação nos nove meses foi de -1,2% ante a meta anterior de -7% a -3%, foi mantido. O desempenho superou o intervalo impulsionado principalmente pelo índice de sinistralidade da operação de seguros , que apresentou números melhores do que o esperado, e pelo maior volume de receitas com taxa de gestão no negócio de previdência. Também foram mantidas as projeções para as reservas de previdência (PGBL e VGBL da Brasilprev), cujo crescimento no período alcançou 12,6% frente ao intervalo anterior de +8% a +11%. O avanço foi decorrente de uma captação líquida e de um retorno das reservas acima do projetado. *Com informações da Broadcast