Embraer renova recorde, impulsionada por fundamentos sólidos e dólar alto: o Ibovespa nesta terça
O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira, 3, volta de feriado, com queda de 1,42%, aos 165.528,92 pontos. Veja as principais altas e baixas do mercado: Principais baixas Bancos O setor bancário também sofreu com a cautela dos investidores estrangeiros em relação à bolsa brasileira, refletida n
O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira, 3, volta de feriado, com queda de 1,42%, aos 165.528,92 pontos. Veja as principais altas e baixas do mercado: Principais baixas Bancos O setor bancário também sofreu com a cautela dos investidores estrangeiros em relação à bolsa brasileira, refletida na queda de 1,31% do EWZ na Nyse. Na esteira desse movimento, o Bradesco perdeu 2,12% nas ações ON e 2,02% nas PN. A unit do BTG Pactual cedeu 1,05%, enquanto os papéis do Banco do Brasil recuaram 1,70%. O Itaú Unibanco PN, por sua vez, apresentou perda mais moderada, de 0,47%. Petrobras As ações PN da Petrobras caíram 3,79%, enquanto as ON recuaram 3,65%. O movimento contrastou com o desempenho dos ADRs em Nova York, que na segunda-feira já haviam refletido o tombo de mais de 7% do Brent, enquanto a B3 permaneceu fechada devido ao feriado de Finados. Nesta terça-feira, a commodity caiu menos e foi acompanhado pelo recibo da estatal referente à ação ON caiu 1,81%, enquanto o da PN perdeu 0,38%. Com a forte queda na B3, a Petrobras perdeu R$ 27,1 bilhões em valor de mercado, que recuou para R$ 706,5 bilhões. A cifra havia sido alcançada em 2 de outubro, dando início a uma sequência de sete recordes ao longo do mês, até que, no dia 16, a companhia atingiu um novo pico histórico, de R$ 819,8 bilhões. A Petrobras PN liderou os negócios da B3 nesta terça-feira, com giro de R$ 4,4 bilhões. A XP , a Ágora Investimentos e o Itaú lideraram as vendas dos papéis. Vale A Vale caiu 2,85%, devolvendo praticamente todo o ganho obtido após a boa receptividade ao balanço trimestral, que levou a ação a subir 3,28% na sexta-feira, dia 30. O BofA reduziu o preço-alvo do ADR da companhia negociado na Nyse, de US$ 15 para US$ 13, diante do cenário de oferta elevada e demanda fraca por minério de ferro. O recibo encerrou o pregão a US$ 10,98, com queda de 3,17%. Embora classifique a Vale como uma “operadora de qualidade”, o BofA aponta os custos elevados como um “ponto de atenção” e avalia que o prêmio de geração de caixa da mineradora em relação aos pares é “apertado”. Axia e Isa Energia A Axia Energia também recuou 2,19% nas ações ON e 2,78% nas PNA, puxando as perdas do setor, que caiu em bloco e levou o índice setorial (IEEX) a uma baixa de 1,60%. Segundo o gestor de portfólio da Soho Capital, Hugo Queiroz, a percepção do mercado é de que os deságios agressivos observados no leilão de transmissão realizado na última sexta-feira, marcado pelo predomínio de empresas espanholas entre as vencedoras, podem comprometer a rentabilidade dos projetos e a geração de valor no longo prazo, especialmente em um cenário de juros elevados e cautela dos investidores. “Além disso, as empresas espanholas contam com acesso a fontes de financiamento no exterior, geralmente a custos mais baixos, enquanto as companhias brasileiras estão mais expostas ao elevado custo de capital doméstico, o que reduz sua capacidade de competir em condições semelhantes”, afirma Queiroz. A Axia divulga amanhã o balanço do terceiro trimestre. Segundo as estimativas do Prévias Broadcast, a companhia deve apresentar bons resultados, apesar da sazonalidade desfavorável para a geração de energia e da pressão decorrente dos baixos preços no mercado spot. A expectativa é de que o lucro líquido avance 63% em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando R$ 2,39 bilhões. Já as ações PN da Isa Energia, que divulga seus resultados logo mais, encerraram o pregão próximas da estabilidade, com variação de +0,16%. Outros balanços Além do Itaú e da Isa Energia, são aguardados para esta noite os números de BrasilAgro (-0,64%), BB Seguridade (-1,28%), RD Saúde (-2,37%) e da Marcopolo PN (-3,51%). Raízen sofre na estreia de novo ticker Fora do Ibovespa, as ações PN da Raízen recuaram 9,67% na estreia do ticker RAIZ55, que substituiu o RAIZ4. Com a mudança, a cotação foi multiplicada por 100, passando de R$ 0,30, no fechamento de sexta-feira (30), para R$ 30. Nesta terça-feira, porém, o papel encerrou abaixo desse nível, a R$ 27,10. As ações PN vinham sendo negociadas na casa dos centavos desde fevereiro deste ano, um mês antes de a empresa entrar com um pedido de recuperação extrajudicial. Na sexta-feira, a companhia deu mais um passo em seu processo de reorganização societária, com a aprovação da separação das operações de energia e bioenergia das de combustíveis, além de um aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões. A operação poderá incluir aportes de até R$ 3,5 bilhões da Shell e, caso haja adesão, de até R$ 500 milhões da Aguassanta. Apesar dos avanços, o mercado segue cético quanto à recuperação da companhia, afirma o sócio e analista da AAX Investimentos, Rodrigo Brolo. “O mercado ainda desconfia do acordo e tem receio de questionamentos judiciais”, diz. Principais altas Embraer A Embraer renovou a sua máxima histórica, sustentada pela valorização do dólar e pela percepção positiva dos investidores sobre seus fundamentos, com novas encomendas e perspectivas favoráveis para os negócios. As ações da empresa dispararam 4,24% e chegaram ao topo do índice, cotadas a R$ 103,84, superando o recorde de R$ 103,45, de 23 de janeiro deste ano. Na máxima intradia, os papéis alcançaram R$ 104,81. A forte exposição de receitas à moeda americana, que avançou 0,79% no dia, para R$ 5,478, combinada aos fundamentos sólidos da companhia, atraiu fluxo comprador para a fabricante de aeronaves. Na última sexta-feira, a empresa obteve aval para a incorporação da subsidiária GPX e anunciou um contrato com a Grécia para fornecer três aeronaves KC-390 Millennium, com opção de compra de mais três unidades. A Ágora Investimentos mantém uma visão “construtiva” sobre a tese de investimento da Embraer, sustentada por quatro pilares: backlog robusto, aumento gradual das entregas de aeronaves, expansão das margens operacionais e potenciais gatilhos positivos decorrentes de novas encomendas, especialmente na divisão de Defesa. “A visão para a Embraer segue mais positiva em todos os segmentos”, acrescenta o sócio e analista da Ajax Asset, Rafael Passos. Azul Fora do Ibovespa, as ações da Azul driblaram a alta dos juros, que pressionou empresas mais alavancadas, e subiram 14,61% diante da melhora das perspectivas para o balanço do terceiro trimestre de 2026, que será divulgado no próximo dia 12. A Ágora Investimentos projeta desempenho melhor, embora ainda identifique alguma pressão decorrente da alta dos combustíveis. “Esperamos que o RASK (receita por assento-quilômetro disponível) cresça 5% na comparação anual, impulsionado por um aumento de 8% nos yields (tarifa média por passageiro)”, destacam os analistas André Ferreira e Larissa Monte. Para eles, o load factor (taxa de ocupação), por outro lado, deve recuar 2 pontos porcentuais em um ano.