Operação Faroeste: STJ julga principal delator e desembargadora em esquema de venda de sentenças

Por Estadão · Categoria: Geral ·

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgará nesta quarta-feira, 4, o principal delator e uma desembargadora aposentada compulsoriamente no âmbito da Operação Faroeste , que investiga há sete anos um esquema de venda de sentenças no Judiciário baiano. A acusação envolve a entrega de R$ 250 mil em di

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgará nesta quarta-feira, 4, o principal delator e uma desembargadora aposentada compulsoriamente no âmbito da Operação Faroeste , que investiga há sete anos um esquema de venda de sentenças no Judiciário baiano. A acusação envolve a entrega de R$ 250 mil em dinheiro vivo no apartamento da desembargadora Sandra Rusciolelli . Na Corte, a expectativa é de condenação de parte desse núcleo, que ao todo tem cinco réus, suspeitos de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, conforme apurou a Coluna do Estadão . Serão julgados os seguintes réus: Júlio César Ferreira, delator e ex-servidor do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA); Sandra Rusciolelli, desembargadora aposentada compulsoriamente do TJ-BA; Vasco Rusciolelli, advogado e filho da desembargadora; Nelson Vigolo, empresário; Vanderlei Chilante, advogado do empresário. Uma das provas apresentadas no processo é uma entrega de R$ 250 mil em dinheiro vivo no apartamento da desembargadora Sandra Rusciolelli e do filho em março de 2020. A ação foi monitorada pela Polícia Federal (PF) e autorizada pelo relator do caso, ministro Og Fernandes . Segundo o Ministério Público Federal, a propina era destinada a pagar a compra de voto da desembargadora em prol do empresário Nelson Vigolo em disputas fundiárias no Oeste baiano. Na ocasião, a primeira fase da Faroeste fora deflagrada quatro meses antes e os brasileiros tentavam se isolar na pandemia de Covid, o que foi registrado pelo ministro ao decretar a prisão da magistrada e do filho . “Chama a atenção o fato de a ação criminosa não ter se interrompido mesmo durante a pandemia de coronavírus”. Ex-presidente do TJ-BA e juiz foram condenados no mês passado No último dia 21, o STJ condenou cinco de oito réus de outro núcleo da Faroeste . A desembargadora e ex-presidente do TJ-BA Maria do Socorro Santiago recebeu uma pena de 14 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O juiz Sérgio Humberto Sampaio foi condenado a 15 anos e oito meses de prisão pelos mesmos crimes. Ambos perderam os cargos. A maior pena, de 21 anos e sete meses de prisão, ficou para o empresário Adailton Maturino. Ele é apontado pela Procuradoria como o responsável por cooptar magistrados, negociar propinas e estruturar a fraude fundiária. Sua esposa, Geciane Maturino, e o advogado Ricardo Três também foram condenados pelo STJ.