Bolsa perde fôlego após eleição e investidor deve ter cautela, diz economista-chefe da Ágora
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou as perspectivas do mercado financeiro e reduziu o potencial de valorização da bolsa brasileira. Com a expectativa de um ajuste fiscal menor, os juros devem permanecer elevados por mais tempo, fazendo com que as ações percam o impulso que
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou as perspectivas do mercado financeiro e reduziu o potencial de valorização da bolsa brasileira. Com a expectativa de um ajuste fiscal menor, os juros devem permanecer elevados por mais tempo, fazendo com que as ações percam o impulso que sustentava a trajetória de alta antes do segundo turno. Diante desse cenário, o investidor deve adotar uma postura mais cautelosa , sem apostar em novas quedas expressivas do Ibovespa, aponta Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora Investimentos , em live feita em parceria com o Estadão Investidor. “Não consigo ver um momento claro de alta, mas também não consigo ver que a Bolsa vai cair mais. É um ambiente difícil”, afirma. Ajuste fiscal é mais difícil com Congresso nas mãos da oposição Segundo Gardimam, o mercado começou a colocar no preço das ações uma possível vitória da oposição em setembro, já que as plataformas de previsão chegaram a indicar probabilidades de 82% para esse cenário entre o primeiro e o segundo turno. A expectativa era de que uma eventual mudança de governo abrisse espaço para um ajuste fiscal . Com a vitória de Lula, essa perspectiva perdeu força. Além disso, a nova composição do Congresso , no qual a maior parte de deputados e senadores eleitos pertencem à oposição, torna mais complexa a construção de uma agenda de contenção de despesas. O mercado concluiu corretamente que o ajuste fiscal é muito mais difícil diante da continuidade do governo Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora Investimentos A consequência é uma perspectiva de juros mais altos do que a projetada antes da eleição. O economista-chefe da corretora considera que a taxa terá mais dificuldade para chegar a 11% ao ano , cenário que estava no horizonte antes do resultado das eleições. A desaceleração econômica do país pode abrir espaço para algum alívio dos juros, mas não deve compensar integralmente as incertezas fiscais. O que o investidor deve fazer agora Nesse ambiente, a renda fixa deve continuar ocupando posição de destaque nas carteiras , com uma relação de risco e retorno difícil de ser superada pela Bolsa. Para quem investe em ações, a recomendação é evitar decisões motivadas pelo pânico e manter seletividade na escolha dos papéis. Entre as oportunidades, o especialista destaca empresas exportadoras , como companhias de papel e celulose e a Petrobras ( PETR4 ) , que podem oferecer proteção em um cenário de real mais depreciado. Já empresas ligadas ao consumo doméstico e mais dependentes da atividade econômica exigem atenção redobrada. Mais do que a escolha do setor, o investidor deve observar o endividamento das companhias , uma vez que a combinação de juros elevados por mais tempo e desaceleração econômica pode pressionar empresas mais alavancadas. Sobre a Magazine Luiza ( MGLU3 ) , que perdeu quase 60% de seu valor em um pregão após a eleição, Gardimam considera que a reação foi exagerada . “Uma companhia não pode valer tanto e cair 60% em um dia por uma questão política”. Para quem tem horizonte de investimento de dois a três anos, ações de qualidade negociadas a preços mais baixos podem ser oportunidades, mas exigem capacidade de suportar o vai e vem dos preços, conclui Gardimam.