Estudo com 4 mil gêmeas revela como a genética e o ambiente influenciam o desenvolvimento do TOC

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Pesquisa identificou que fatores hereditários podem explicar até 47% das diferenças nos sintomas e apontou que a dificuldade de descartar objetos pode ter uma origem genética própria

Um estudo publicado na revista científica JAMA Psychiatry investigou como a genética e as experiências de vida influenciam o desenvolvimento do TOC, (Transtorno Obsessivo-Compulsivo). A pesquisa analisou 4.355 mulheres gêmeas e identificou que os sintomas podem ter diferentes origens. Os pesquisadores analisaram cinco manifestações do TOC : necessidade de verificar repetidamente as coisas; dificuldade de jogar objetos fora; pensamentos indesejados e repetitivos; necessidade de organização e preocupação excessiva com limpeza. Leia Mais Pacientes com TOC levam quase 7 anos para buscar ajuda; psiquiatra explica "Marcapasso cerebral": como funciona tecnologia que trata Parkinson e TOC Brad Pitt volta a beber: ditado 'uma vez alcoólatra, sempre alcoólatra' está ultrapassado; entenda Genética influencia entre 38% e 47% dos sintomas do TOC Para entender a influência da hereditariedade , os cientistas compararam gêmeas idênticas e não idênticas . Os resultados indicaram que a genética explica entre 38% e 47% das diferenças nos sintomas, dependendo de cada manifestação. Um dos principais resultados envolve a dificuldade de descartar objetos, conhecida como acumulação. Segundo a pesquisa, 54,5% da influência genética relacionada a esse comportamento era específica dessa manifestação. Isso indica que a acumulação pode ter características genéticas diferentes das encontradas em outros sintomas do TOC . Fatores ambientais também influenciam os pensamentos obsessivos Na manifestação relacionada aos pensamentos obsessivos , 71% das diferenças observadas foram atribuídas a fatores ambientais que variam de pessoa para pessoa e a influências específicas , incluindo possíveis experiências individuais e erros de medição. Os resultados mostram que o TOC não tem uma única origem . A predisposição genética e as experiências de vida podem atuar juntas, fazendo com que o transtorno se manifeste de maneiras diferentes em cada pessoa. Pesquisa apresenta limitações O estudo foi realizado apenas com mulheres , o que impossibilitou uma comparação adequada entre os sexos . Além disso, os pesquisadores utilizaram questionários respondidos pelas próprias participantes, sem confirmar os sintomas por meio de entrevistas clínicas . Outro limite foi a coleta de informações em um único momento, o que dificultou separar a influência do ambiente de possíveis erros de medição . Mesmo com essas limitações, a pesquisa reforça que compreender as diferentes manifestações do TOC é importante para estudar o transtorno e suas possíveis origens.