O ajuste fiscal necessário: ‘Não há outro caminho, não há mágica’, diz economista da MB Associados

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Nos últimos dias, tem havido muita especulação em torno de medidas econômicas alternativas ao que o mercado espera, um ajuste fiscal, a serem adotadas no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) . Mas para Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados , não há outro c

Nos últimos dias, tem havido muita especulação em torno de medidas econômicas alternativas ao que o mercado espera, um ajuste fiscal, a serem adotadas no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) . Mas para Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados , não há outro caminho a não ser esse ajuste nas contas públicas. “Não tem outra alternativa. Infelizmente, a gente tem que fazer essa parte dolorosa do ajuste fiscal. Não há outro caminho, não há mágica, não há alternativa, não há atalhos. É inescapável, em algum momento, a gente ter que fazer um enfrentamento da proteção fiscal e o mercado vai impor isso.” Segundo o economista, a má condução da política fiscal feita pelo governo durante os últimos quatro anos fez com que, caso não haja um ajuste agora, a dívida pública caminhe para um cenário de crise. “A recessão já viria ano que vem. A recessão está na esquina se o governo não fizer nada”, disse. “A gente está caminhando para ter uma recessão ano que vem, criada pelo próprio governo”, relembrou Sergio. Prioridades no Ministério da Fazenda Sergio entende que, no momento, a contenção da trajetória da dívida pública, bem como a redução da taxa de juros devem ser prioridade. Para ele, essas devem ser as principais preocupações de Lula no início de seu novo mandato a partir de janeiro. “A gente está naquele momento em que a primeira expectativa em relação ao governo é o que vai ser feito em relação à questão fiscal. Mas não só isso, como isso vai ser coordenado dentro do governo”, disse o economista. “Vai ser uma decisão só do ministro da Fazenda? Que ministro da Fazenda vai ser esse? Vai ter anuência também da Casa Civil, dos outros ministérios, do próprio presidente?” A discussão em torno da política econômica de Lula ganha força na semana em que o Banco Centra l decide por meio do Comitê de Política Monetária, o Copom, o próximo patamar da taxa básica de juros. A Selic está atualmente em 13,75% ao ano, uma das mais altas do mundo.