O mal das bets no divã do Supremo e o futuro da PEC da Segurança
Duas questões de relevância nacional ocuparam as atenções institucionais, da mídia e de parte da sociedade
Duas questões de relevância nacional ocuparam as atenções institucionais, da mídia e de parte da sociedade. São elas a audiência pública no Supremo Tribuna Federal (STF) sobre a medida provisória que proíbe as bets no Brasil; e, no Senado, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Quanto ao fim das bets (plataformas virtuais de apostas), os dados nas áreas de saúde, segurança, finanças, educação, entretenimento e lazer mostram a devastação feita por esse tipo de aposta na vida de milhares de brasileiros. Sob a estratégia bilionária – com participação de atores, jogadores, comunicadores, influenciadores – a população é incentivada, de modo avassalador, a apostar. Canais de mídia praticamente passaram a utilizar toda a programação em vinculação direta às bets (que somavam 188 marcas e 85 empresas antes da medida provisória do governo federal que proibição esse tipo de jogo em 25 de setembro). Uma lavagem cerebral feita pública e continuamente, longe de qualquer controle. Endividados e perdedores em número crescente passaram a agir de modo alucinado para conseguir dinheiro e permanecer apostando. Para os agiotas um negócio robusto. Apostadores se viram mergulhados em dívidas entre R$ 30 a R$ 40 mil. Para as famílias, sofrimento aprofundado, pessoas transtornadas, atos de violência e de maior precarização dos pobres. No ano de 2025, as famílias brasileiras acumularam R$ 62,5 bilhões (Forbes). É a tradução da ludopatia. Enquanto a corda asfixiava milhares de pessoas e matou muitas outras, as operadoras nadavam em lucros. No primeiro semestre de 2026, os jogos online representaram uma receita de R$ 410,85 bilhões e responderam, em igual período, por receita bruta de R$ 20,7 bilhões. A sensação era de envenenamento geral liberado e incentivado por um tipo de publicidade sem filtro ético. PEC da Segurança Pública: A aprovação, nesta terça-feira (3), em dois turnos, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública – 73 votos no primeiro turno e 75 no segundo – representa um passo à frente na construção do Sistema Único de Segurança o que implica rever qual será a função do Ministério da Justiça no novo desenho e, principalmente, assegurar ao Brasil a possibilidade de nacionalmente enfrentar a grave situação de insegurança pública, trabalhar com mecanismos de inteligência e da tecnologia e dos valores de uma política de Estado capaz de envolver o entre municipal – onde os problemas são sentidos e o medo prolifera – ao estadual e federal numa estrutura que bem conduzida posicionará o Brasil noutra esfera. Sensato, se a sensatez se fizer, a retirada da PEC aprovada a questão da maioridade penal. É necessário ler com responsabilidade o Brasil onde alguns querem mais presídios. O país é o terceiro em todo o mundo a ter maior população carceraria (aproximadamente 900 mil pessoas), o que mostra que o atual modelo não resolve, cria a falsa sensação. A redução da maioridade penal é tema polêmico há tempo e envolve demandas que o Estado brasileiro tem se recursado a oferecer.