Viridis fecha acordo para vender terras raras à Solvay na França até 2034
Contrato com a belga Solvay prevê fornecimento de terras raras de projeto em Minas Gerais para unidade industrial francesa a partir de 2028; australiana deve divulgar mais detalhes da operação nesta noite
A australiana Viridis Mining and Minerals fechou um acordo de longo prazo com a gigante química belga Solvay para fornecer terras raras extraídas do projeto Colossus, localizado em Poços de Caldas, em Minas Gerais. O contrato, anunciado nesta quarta-feira (4), prevê o início das entregas em 2028 e tem duração inicial até 2034. O acordo representa um avanço nas negociações entre as companhias, que haviam anunciado uma carta de intenções em junho deste ano. Leia Mais Governo deixa em aberto revisão de negócios minerais já realizados Mercado livre para todos: poder escolher não significa pagar menos Uso do Free Flow triplica em um ano e chega a 10% das transações da Taggy Agora, a Solvay assegura o fornecimento de matéria-prima para sua unidade industrial em La Rochelle, na França, considerada uma das maiores instalações de separação e purificação de terras raras fora da China. Segundo o comunicado, os volumes mínimos contratados de neodímio, praseodímio, disprósio e térbio correspondem a aproximadamente 70% da capacidade de produção prevista desses quatro elementos no projeto Colossus durante o período inicial do contrato. Essas terras raras são utilizadas principalmente na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, empregados em veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos. O material fornecido também deverá conter outros elementos, como samário, gadolínio e ítrio. Além dos volumes já comprometidos, a Solvay terá direito de primeira oferta sobre a produção restante do empreendimento brasileiro. Isso significa que a companhia europeia terá preferência para apresentar uma proposta de compra pelos volumes adicionais, sem que isso represente um compromisso automático de aquisição. Outro ponto previsto nas negociações envolve a possibilidade de transferência de tecnologia para o Brasil. As empresas estudam um acordo separado pelo qual a Solvay licenciaria tecnologias e prestaria assistência técnica à Viridis para produzir um carbonato de terras raras de maior valor agregado no projeto Colossus. Esse entendimento, entretanto, ainda não foi formalizado. Pelo modelo anunciado, o material produzido no Brasil será enviado à França, onde passará por processos industriais de separação e purificação para obtenção de óxidos individuais de terras raras de alta pureza. O produto que será enviado à França é um material intermediário de terras raras, que já terá passado por etapas de processamento no Brasil, mas ainda precisará ser separado e purificado para a obtenção dos elementos individualmente. A operação reforça a inserção do Brasil nas cadeias internacionais de fornecimento de minerais críticos, em um momento em que países europeus buscam diversificar suas fontes de abastecimento e reduzir a dependência da China, que concentra grande parte da capacidade mundial de processamento desses elementos. O projeto Colossus ainda está em fase de desenvolvimento e não iniciou a produção comercial. Os valores financeiros da operação e os volumes anuais de fornecimento, em toneladas, não foram detalhados no comunicado da Solvay. A expectativa é que a Viridis divulgue informações adicionais sobre o acordo em comunicado ao mercado na noite desta quarta-feira (4). Análise do governo brasileiro O contrato também poderá ser submetido à análise do novo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), criado em setembro pelo governo federal. A Lei nº 15.506/2026 estabelece que o colegiado terá competência para analisar e homologar contratos internacionais de fornecimento de minerais críticos e estratégicos quando as operações envolverem condições capazes de afetar a segurança econômica ou geopolítica do Brasil. Entretanto, a regulamentação específica do mecanismo de triagem ainda está em elaboração, e não está definido se o acordo entre Viridis e Solvay precisará passar pela aprovação do conselho. O governo pretende estabelecer critérios para identificar quais operações deverão ser submetidas à análise e quais poderão ser dispensadas. A nova estrutura também terá poderes para impor condições ou impedir determinados negócios considerados contrários aos interesses estratégicos nacionais.