Itaú agrada analistas, mas nem tudo anima após balanço; preços-alvo de ITUB4 chegam a R$ 54,70
Itaú lucra R$ 12,6 bilhões no 3º trimestre e agrada XP, Genial, Safra e Ágora. Veja o que sustenta a visão positiva para ITUB4.
O Itaú Unibanco ( ITUB4 ) atravessou mais um trimestre sem deixar escapar aquilo que os analistas mais têm cobrado dos grandes bancos brasileiros. O crédito cresceu, a rentabilidade permaneceu elevada e a inadimplência avançou pouco. O resultado no terceiro trimestre de 2026 (3T26) agradou XP , Genial , Safra e Ágora , embora nem todas as casas enxerguem espaço para novas boas surpresas na ação . O banco registrou lucro líquido gerencial de R$ 12,617 bilhões no 3T26 , crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano passado e de 2,5% frente aos três meses anteriores. A rentabilidade continuou entre os destaques. O retorno sobre o patrimônio líquido, ou ROE, ficou em 23,6% , ante 24,3% no segundo trimestre e 23,3% um ano antes. Nas operações brasileiras, chegou a 24,5%. Já a margem financeira gerencial somou R$ 34,6 bilhões, alta de 7,8% em um ano e de 3,4% no trimestre. A carteira de crédito alcançou R$ 1,54 trilhão . Inadimplência sobe, mas estratégia do Itaú afasta preocupações É na carteira de crédito que parte importante da leitura positiva das casas se encontra. A XP Investimentos classificou o trimestre como mais uma entrega sólida do Itaú e manteve a ação como sua principal escolha entre os bancos. A recomendação segue em compra, com preço-alvo de R$ 50 , equivalente a potencial de valorização de 29,9% sobre a cotação do fechamento do pregão de terça-feira (3) . Para a corretora, o crescimento continuou concentrado em produtos de menor risco relativo ou protegidos por garantias, especialmente crédito imobiliário, consignado e linhas destinadas a pequenas e médias empresas com respaldo de programas públicos. A XP vê nessa composição um sinal de que o Itaú continua escolhendo rentabilidade ajustada ao risco antes de simplesmente aumentar volumes. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 2,0%, após seis trimestres consecutivos de estabilidade. O avanço ficou concentrado principalmente nas pequenas e médias empresas. Ao mesmo tempo, os atrasos entre 15 e 90 dias caíram para 1,7%. Para a XP, a deterioração permanece administrável. A Genial Investimentos chegou a conclusão semelhante e destacou justamente a estabilidade da qualidade da carteira em um momento no qual outras instituições financeiras apresentam uma deterioração mais evidente. A casa manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 54,70 . Sobre a referência de R$ 38,49 usada pelos analistas, o valor representa potencial de alta de 42,1% ante o fechamento de ontem , o maior entre as recomendações consideradas nesta análise. O Itaú também continua como a principal escolha da Genial entre os bancos. Margem financeira traz a surpresa positiva A Ágora Investimentos avaliou que o resultado ficou ligeiramente acima do esperado principalmente pelo desempenho da margem financeira que, beneficiada pelos ganhos das operações de Tesouraria, atingiu R$ 1,3 bilhão no 3T26, crescimento de 42,3% em relação ao trimestre anterior. A casa destacou a manutenção da qualidade dos ativos, com provisões acima da formação de inadimplência e cobertura ainda considerada robusta. Mas nem tudo avançou com a mesma força. A Ágora apontou desempenho mais fraco nas receitas de serviços, principalmente nas operações de seguros e mercado de capitais. Agora, os analistas esperam uma postura mais cautelosa na expansão do crédito daqui para frente. Para a XP, serviços e seguros também foram o principal ponto fraco do trimestre . As receitas dessas atividades somaram R$ 14,1 bilhões e praticamente não avançaram, fator que compensou a melhora em cartões e gestão de recursos – além de receitas menores de banco de investimento. Safra gosta do resultado, mas menos que as outras casas O Safra considera que o Itaú entregou um bom trimestre diante das condições atuais, mas vê pouco entusiasmo adicional nos números. O lucro ficou somente 0,7% acima de sua projeção e a diferença veio principalmente da margem financeira com o mercado. Ainda assim, o relatório reconhece alguns dos mesmos méritos apontados pelas demais casas. A carteira brasileira cresceu 10,9% em um ano, apoiada por consignado privado, empréstimos a pequenas e médias empresas com garantias e financiamento imobiliário. Para o Safra, a qualidade dos ativos do Itaú continua superior à de outros grandes bancos tradicionais. Há pontos para acompanhar . A formação de inadimplência no segmento corporativo brasileiro quase dobrou no trimestre, para R$ 524 milhões, embora continue pequena diante dos R$ 10,8 bilhões registrados no total. O Safra mantém classificação outperform , que indica expectativa de desempenho acima da média das ações acompanhadas pela instituição, e preço-alvo de R$ 51 , com potencial de valorização de 32,5% sobre o último fechamento. O colchão que chamou atenção da XP Além do lucro e do crédito, a XP destacou o índice de capital principal, CET1 , que subiu 0,4 ponto porcentual no trimestre e chegou a 12,7%. O patamar está 1,2 ponto porcentual acima da meta interna de 11,5% da administração. Essa diferença funciona como uma reserva adicional de capital. Na leitura da XP, ela dá ao Itaú mais flexibilidade para remunerar os acionistas sem abrir mão de proteção caso a qualidade do crédito piore. O banco também reduziu a projeção da alíquota efetiva de impostos para 2026. A nova faixa ficou entre 28% e 29%, ante 29,5% a 32,5% anteriormente. XP, Genial e Ágora apontaram a revisão como favorável aos resultados. XP e Genial continuam entre as mais otimistas. A Ágora destaca a segurança trazida pela carteira, embora veja limitações em serviços. O Safra reconhece a execução, mas, depois de tantos trimestres fortes, não se surpreende com o resultado do Itaú no 3T26 .