Vitória democrata nos EUA deve fortalecer republicanos moderados para 2028, avalia cientista político
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos já começa a influenciar a disputa pela sucessão de Donald Trump em 2028. Para o fundador do Instituto Ideia e professor da Universidade George Washington, Maurício Moura, o resultado surpreendeu até integrantes do Partido De
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos já começa a influenciar a disputa pela sucessão de Donald Trump em 2028. Para o fundador do Instituto Ideia e professor da Universidade George Washington, Maurício Moura, o resultado surpreendeu até integrantes do Partido Democrata e deve provocar uma reavaliação dos caminhos do Partido Republicano para a próxima eleição presidencial. Segundo o cientista político, entre os democratas, diversos nomes saíram fortalecidos e a disputa pelas primárias deve ser ampla. Do lado republicano, ele avalia que a derrota pode favorecer uma ala mais moderada da legenda, que tentaria lançar um candidato competitivo contra nomes ligados ao atual governo. 'Do lado republicano, agora vai ser feita uma análise de que vai precisar fazer alguma coisa diferente para encarar as eleições de 2028. (...) Do lado democrata, acho que vai ser uma primária com bastantes alternativas. Vários nomes saíram muito fortalecidos ontem e as primárias democratas estão bastante abertas nesse momento'. Moura também explicou os fatores que levaram ao desempenho surpreendente dos democratas. Segundo ele, o resultado foi influenciado pelo aumento da participação de eleitores jovens, pela mudança no comportamento do eleitorado latino em alguns estados e pela avaliação negativa da condução da economia pelo governo Trump. 'Quando a gente olhou as pesquisas de boca de urna, o grande tema da eleição foi a economia, foi a gestão do Trump na economia, que é muito rejeitada. E também a escolha de candidatos mais moderados, mais palatáveis para eleitores independentes e republicanos'. Com a nova composição do Congresso, o cientista político avalia que os próximos dois anos do governo Trump devem ser marcados mais por embates políticos do que pela aprovação de novas propostas. Ele prevê que maioria democrata deve usar o poder no Legislativo principalmente para abrir investigações sobre o presidente e sua família, além da possibilidade de um novo processo de impeachment. 'O que vai acontecer é que dificilmente os democratas vão conseguir aprovar alguma legislação relevante, justamente para o Donald Trump exercer esse poder de veto. Então, o que se espera aqui é mais no lado das investigações do que no lado de qualquer tipo de medida nova ou de lei que possa ser aprovada'.