Motta e outros líderes que encampam o distrital misto votaram contra a proposta em 2015

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Os líderes da Câmara dos Deputados que hoje encampam o distrital misto votaram contra o modelo em 2015, quando a mudança no sistema de votação para a Casa foi discutida na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma política. Na ocasião, o distrital misto foi rejeitado por 369 votos a 99, com

Os líderes da Câmara dos Deputados que hoje encampam o distrital misto votaram contra o modelo em 2015, quando a mudança no sistema de votação para a Casa foi discutida na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma política. Na ocasião, o distrital misto foi rejeitado por 369 votos a 99, com duas abstenções. Para que a medida fosse aprovada, eram necessários ao menos 308 votos. Um dos 369 parlamentares que votou contra o modelo na ocasião foi Hugo Motta (Republicanos-PB), hoje presidente da Câmara e um dos principais articuladores da medida, que passou a ser elaborada por partidos do Centrão como reação ao crescimento da bancada do PL . O Estadão procurou Motta para esclarecer a mudança de posição, mas não houve retorno. Em 2015, a Câmara discutiu a adoção do distrital misto em uma PEC relatada por Rodrigo Maia (DEM-RJ), que se manifestou a favor de uma emenda de Marcus Pestana (PSDB-MG) que previa o novo modelo de votação. A mudança foi rejeitada e sistema proporcional, mantido. Entre os 471 parlamentares que votaram na ocasião, são 151 os que seguem na Casa na atual legislatura. A ideia de Motta e de outros políticos do Centrão é votar a adoção do distrital misto com a atual composição da Casa. Entre os 151 deputados federais em exercício que votaram sobre o modelo naquela vez, 130 foram contrários ao sistema e 20 favoráveis, com uma abstenção. O hoje presidente da Câmara, Hugo Motta foi um dos 369 parlamentares que rejeitou o distrital misto. Na época, era filiado ao PMDB e estava em seu segundo mandato como deputado federal. Por outro lado, o atual líder do Republicanos, Augusto Coutinho (PE), votou a favor do modelo já naquela ocasião, quando estava nas fileiras do Solidariedade. Entre os que foram contra a medida há uma década, há caciques como Baleia Rossi , do MDB, e Arthur Lira , do PP. Ambas as siglas integram o bloco de partidos que articula a mudança no sistema de votação. A federação formada por União Brasil e Progressistas soma 26 deputados que, naquela vez, rejeitaram o sistema. É o mesmo caso de 15 parlamentares hoje filiados ao PSD, como Domingos Neto, no Ceará, que despontou como um dos principais articuladores da mudança após as eleições deste ano. Em 2015, ele estava filiado ao extinto PROS. (function(){function e(){window.addEventListener(`message`,function(e){if(e.data[`datawrapper-height`]!==void 0){var t=document.querySelectorAll(`iframe`);for(var n in e.data[`datawrapper-height`])for(var r=0,i;i=t[r];r++)if(i.contentWindow===e.source){var a=e.data[`datawrapper-height`][n]+`px`;i.style.height=a}}})}e()})(); A proposta encampada por Motta prevê metade dos parlamentares eleitos em disputas regionais. A outra parte seria eleita por meio de votos em partidos. Os atuais termos da proposta preveem uma disputa entre as legendas por lista fechada, o que significa, na prática, que o eleitor não influiria diretamente na montagem das chapas, que seriam preordenadas pelos dirigentes de cada sigla. O distrital misto passou a ser articulado pelo Centrão em reação ao crescimento da bancada no PL, que elegeu o maior número de representantes para a próxima legislatura, com 121 membros, um recorde histórico. O crescimento da sigla foi impulsionado por influenciadores e políticos como Nikolas Ferreira (MG) e Lucas Pavanato (SP), que, com 3 milhões de votos cada, “puxaram”, juntos, vinte parlamentares para a Casa. Com a votação recebida, o mineiro “puxou” 13 colegas de partido para a Câmara, e o paulista, sete . O sucesso dos chamados ‘políticos influenciadores”, em vários partidos, tem pressionado sobretudo o Centrão. Como mostrou o Estadão , os 100 maiores políticos em presença nas redes no Brasil obtiveram 16% de todos os votos ao Legislativo e 80% dos que concorreram foram eleitos.