Da periferia do Rio ao centro atômico da ONU: a brasileira que aprendeu francês sozinha e virou engenheira nuclear

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Sem recursos para cursos privados e enfrentando jornadas diárias de transporte entre São Gonçalo e o Rio de Janeiro, Dandara Araújo ingressou na UFRJ, especializou-se na França e hoje atua na Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena

Em entrevista ao podcast da ONU News , a engenheira nuclear brasileira Dandara Araújo da Silva , de 30 anos, detalhou o percurso acadêmico e profissional que a levou de São Gonçalo , na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, à sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) , em Viena, na Áustria. Para viabilizar a formação em universidades públicas e o acesso a bolsas no exterior, a pesquisadora adotou métodos autodidatas de estudo de idiomas e enfrentou deslocamentos de mais de 12 horas diárias entre a cidade natal e o campus universitário. Decisão técnica e rotina de transporte na UFRJ A escolha pela área tecnológica começou aos 15 anos, quando Dandara optou pelo ensino médio técnico em Edificações na Escola Técnica Estadual Henrique Lage (FAETEC) , em Niterói, instituição em que seu pai também havia estudado. Após concluir a etapa técnica, foi aprovada para o curso de Engenharia Nuclear na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) . Durante a graduação, os custos operacionais do deslocamento representavam dois terços do salário mínimo apenas em passagens de transporte público. O trajeto diário exigia a travessia da Ponte Rio-Niterói (13 km de extensão), com percursos de ônibus que duravam entre 1h40 e 2 horas por trecho. Para evitar o congestionamento de retorno e otimizar o tempo de estudo, permanecia no campus das 8h às 21h. Francês autodidata e transição para a Europa Diante da redução de vagas de intercâmbio governamentais no período em que cursava a UFRJ, a estudante buscou alternativas para conseguir programas de duplo diploma com instituições francesas. Sem recursos financeiros para contratar professores particulares ou matricular-se em cursos privados, aprendeu francês de forma autodidata utilizando plataformas online e verificando a precisão da pronúncia por meio da ferramenta de voz do Google Tradutor . Com o domínio do idioma, submeteu candidatura e foi aceita pela rede de institutos de ciências aplicadas (INSA) na França, onde ingressou na habilitação de Engenharia Física voltada à tecnologia nuclear. Na Europa, conciliou os estudos acadêmicos com o modelo de trabalho de alternance (estágio prático em empresas), atuando durante seis anos na multinacional do setor nuclear Framatome na área de Engenharia de Sistemas aplicada a reatores. Leia Mais: CNC aciona STF para adiar fim da escala 6×1 Morre apresentadora Janaína Barbosa, ex-esposa de Otávio Mesquita Operação contra homicídios prende mais de 70 pessoas no RS Atuação na AIEA e energia nuclear espacial Após obter a cidadania francesa, Dandara candidatou-se ao programa de Profissionais Juniores financiado pelo governo francês para organismos internacionais. A aprovação permitiu a transferência para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) , em Viena. Atualmente, a engenheira trabalha na representação técnica do órgão da ONU em Viena , desenvolvendo pesquisas sobre a aplicação de microreatores e fontes de energia nuclear voltadas para projetos de exploração lunar e tecnologias de vanguarda.