Daycoval prevê PIB de apenas 1,2% em 2027, mas vê Selic parada em 13,75%

Por Times Brasil — Brasil · Categoria: Nacional ·

Banco revisou expectativa para o Copom após alta do dólar e piora das projeções de inflação, apesar dos sinais de desaceleração econômica O post Daycoval prevê PIB de apenas 1,2% em 2027, mas vê Selic parada em 13,75% apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

Mesmo com a economia brasileira dando sinais de desaceleração, o Banco Daycoval não espera mais uma redução da taxa básica de juros nesta quarta-feira (4). A instituição mudou sua previsão para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e agora aposta na manutenção da Selic em 13,75% ao ano. A mudança ocorre após a alta do dólar e a piora das expectativas de inflação, que aumentaram a cautela do mercado. Ao mesmo tempo, o banco reduziu sua previsão para o desempenho da economia no terceiro trimestre e projeta crescimento de apenas 1,2% para 2027. As estimativas constam de um relatório do Departamento de Pesquisa Econômica do Daycoval, liderado pelo economista-chefe Rafael Cardoso. Segundo a instituição, os cortes de juros só devem ser retomados ao longo de 2027, caso diminuam os riscos para a inflação e as incertezas sobre as contas públicas. Leia também: Focus prevê último corte da Selic em novembro e pausa até junho de 2027 Economia deve crescer menos O Daycoval piorou sua previsão para a economia brasileira no terceiro trimestre. Antes, o banco esperava um crescimento de 0,2% entre julho e setembro. Agora, estima-se que o PIB tenha se mantido estável no período. Para o ano inteiro, a instituição projeta expansão de 1,7% em 2026 e de apenas 1,2% em 2027, com possibilidade de resultados ainda mais fracos. Segundo o relatório, a desaceleração está concentrada nos setores mais sensíveis aos juros, enquanto a agropecuária e a indústria extrativa continuam ajudando a sustentar a atividade. O mercado de trabalho ainda apresenta resistência à perda de ritmo da economia. O Daycoval prevê desemprego de 5,2% no fim deste ano e de 5,5% em 2027. Crédito às empresas perde força A desaceleração também aparece na concessão de empréstimos às empresas. De acordo com o Daycoval, o volume de novos créditos empresariais caiu 5% em termos reais nos últimos 12 meses, descontada a inflação e excluídas as operações com governos e instituições financeiras. A inadimplência entre micro, pequenas e médias empresas também aumentou, passando de 5,1% para 6,1%. Diante desse cenário, o banco reduziu sua previsão de crescimento do saldo total de crédito em 2026 de 9% para 8,6%. A instituição alerta que uma restrição maior na oferta de empréstimos após as eleições poderia prejudicar ainda mais a atividade econômica em 2027. Inflação dificulta novos cortes Apesar da perda de força da economia, o Daycoval considera que as pressões sobre os preços dificultam uma nova redução imediata da Selic. O banco estima que a projeção de inflação calculada a partir de uma versão do modelo do Banco Central suba de 3,1% para 3,3% no segundo trimestre de 2028. O percentual ficaria acima da meta de inflação de 3%. Entre os fatores de risco estão a desvalorização do real, a alta do petróleo e a piora das expectativas de inflação após as eleições. Na avaliação do Daycoval, o fenômeno climático El Niño pode pressionar os preços dos alimentos. O banco também aponta possíveis efeitos inflacionários da volta da cobrança de impostos sobre combustíveis e de mudanças na jornada de trabalho. No cenário internacional, o Daycoval destaca a possibilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos, o que pode aumentar a pressão sobre as moedas de países emergentes, como o real. Para a instituição, a manutenção da Selic agora pode ajudar a criar condições para novas reduções em 2027. Esse cenário, porém, depende de uma melhora das expectativas de inflação e da diminuição das incertezas sobre as contas públicas. O post Daycoval prevê PIB de apenas 1,2% em 2027, mas vê Selic parada em 13,75% apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC .