Fábrica da BYD na Bahia ganha novas etapas de produção e passa a depender menos da China
A BYD está ampliando seu complexo industrial de Camaçari, na Bahia, para deixar de depender apenas da montagem de kits importados. As unidades de soldagem e pintura estão em fase final de testes, e a de estamparia, que completa a estrutura necessária para a produção nacional, está em estágio avançad
A BYD está ampliando seu complexo industrial de Camaçari, na Bahia, para deixar de depender apenas da montagem de kits importados. As unidades de soldagem e pintura estão em fase final de testes, e a de estamparia, que completa a estrutura necessária para a produção nacional, está em estágio avançado de construção. A meta da montadora chinesa é nacionalizar a produção até o início de 2027, com mais de 50% de conteúdo local nos carros feitos no País. Inaugurado em outubro de 2025, o complexo operava até agora no sistema SKD, em que os veículos chegam ao Brasil em kits parcialmente desmontados e passam só pela montagem final. Na prática, a fábrica fazia etapas como a instalação de pneus e rodas, as verificações de segurança e o abastecimento parcial dos carros. Com as novas instalações, a BYD passa a ter etapas anteriores da fabricação: produção de peças da carroceria, soldagem e a pintura. Segundo a empresa, mais de 1,1 mil profissionais já foram contratados e estão em treinamento para trabalhar nas novas unidades, e outros 500 devem chegar até o fim de 2026. “Esse contingente nos possibilitará iniciar o ano de 2027 em transição acelerada para a etapa de produção nacional”, afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil. Mudança na BYD acontece em meio a críticas e imposto maior A ampliação chega num momento de pressão sobre o modelo de montagem a partir de kits importados. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) tem demonstrado preocupação com o crescimento da produção a partir de conjuntos importados, nos regimes SKD e CKD . Segundo a entidade, esse sistema pode reduzir a geração de empregos por usar menos componentes nacionais do que a fabricação completa. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, 123 mil dos 173 mil veículos a mais feitos no País entre janeiro e setembro de 2026 vieram dessas modalidades. A BYD rebate: “O mercado tradicional dizia que a BYD no Brasil seria apenas uma montadora de peças importadas e que a eletrificação demoraria décadas para virar realidade em escala nacional. Estavam completamente enganados”, disse Baldy. O calendário tributário também pesa. O imposto de importação de elétricos e híbridos já chegou a 35% para carros completos e semidesmontados, e a alíquota cheia para os completamente desmontados está prevista para janeiro de 2027, mesmo período em que a BYD quer concluir a nacionalização. BYD quer exportar carros feitos na Bahia A ampliação também tem como objetivo facilitar as exportações para países do Mercosul, principalmente a Argentina. Pelas regras de comércio automotivo entre os dois países, carros que cumprem um índice mínimo de conteúdo regional podem circular sem imposto de importação. Já os veículos de fora do bloco enfrentam tarifas de até 35% no mercado argentino. Apesar da expansão, parte dos componentes continuará vindo da China. Um dos obstáculos é a transferência de tecnologias consideradas estratégicas pelo governo chinês. Segundo Baldy, a montadora busca acordos diplomáticos para ampliar essa transferência ao País, e a questão não depende só de uma decisão da empresa, mas também de negociações entre os governos brasileiro e chinês. Fábrica pode chegar a 600 mil carros por ano O complexo de Camaçari monta hoje quatro modelos eletrificados: Dolphin Mini , King , Song Pro e Atto 2 . Em um ano de operação, a BYD diz ter colocado mais de 130 mil carros nas ruas. A capacidade atual é de 150 mil veículos por ano, e a próxima etapa prevê dobrar esse volume, para 300 mil. No longo prazo, a meta anunciada pelo CEO global da BYD, Wang Chuanfu, na inauguração da fábrica, é chegar a 600 mil carros por ano, para atender o mercado brasileiro e a exportação. A fábrica começou com um turno, passou para dois no primeiro trimestre de 2026 e se prepara para abrir o terceiro ainda este ano. Segundo a empresa, o complexo tem 9 mil funcionários diretos, 90% deles baianos, e já é o segundo maior empregador industrial do Estado. A meta é fechar 2026 com pelo menos 10 mil trabalhadores diretos e chegar a até 20 mil empregos diretos e indiretos quando estiver em plena operação. A operação ocupa o terreno da antiga fábrica da Ford, que encerrou suas atividades na cidade em 2021. A área tem 4,65 milhões de metros quadrados e recebeu investimento inicial anunciado de R$ 5,5 bilhões.