RD Saúde: maior rede de farmácias do País mira nova frente de crescimento com comprimido emagrecedor

Por Estadão · Categoria: Geral ·

A RD Saúde ainda aproveita a onda das “canetinhas emagrecedoras” , que já respondem por cerca de 12% de suas vendas. E esse cenário promete ganhar novo impulso. Um dia após a divulgação do balanço da companhia, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro medicamento oral p

A RD Saúde ainda aproveita a onda das “canetinhas emagrecedoras” , que já respondem por cerca de 12% de suas vendas. E esse cenário promete ganhar novo impulso. Um dia após a divulgação do balanço da companhia, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro medicamento oral para o tratamento da obesidade, abrindo uma nova frente de crescimento para a maior rede de farmácias do País. Já comercializado nos Estados Unidos e Reino Unido, o comprimido deve chegar às farmácias brasileiras no fim do primeiro semestre de 2027. A aposta do presidente da RD Saúde, Renato Raduan, é que o tratamento oral conquiste também quem ainda resiste às agulhas, ampliando o mercado em vez de apenas disputar espaço com as canetas. E há sinais de que tornar esses medicamentos mais acessíveis pode, de fato, trazer novos consumidores. Com a chegada de versões mais baratas de semaglutida, a queda dos preços foi compensada pelo aumento das quantidades vendidas. Na RD, quase dois terços dos compradores dos novos similares ainda não consumiam produtos dessa categoria na rede, segundo o CEO. A maior concorrência pode trazer outra vantagem: melhorar a rentabilidade. Embora tenham impulsionado as vendas, os GLP-1 operam com margens inferiores às de outras categorias. Mas essa conta começa a mudar. Novos fornecedores já negociam margens brutas superiores a 20%, próximas de 25%. “Antes a gente projetava que a competição traria mais margem bruta. Agora já não é mais uma projeção, porque as negociações já estão acontecendo”, disse Raduan. Ressaca das canetas A perspectiva de um novo impulso chega quando o ritmo de crescimento da RD começa a perder velocidade. A receita bruta avançou 16% no terceiro trimestre deste ano, para R$ 13,2 bilhões, depois de altas de 20,4% e 18,3% nos dois períodos anteriores. A desaceleração, porém, já era esperada pelos analistas. A participação de mercado da RD Saúde alcançou 19,1% no País, avanço de 1,1 ponto porcentual em um ano. Mesmo sem os GLP-1, o ganho permanece próximo de 1 ponto porcentual, segundo o BTG Pactual. Nas lojas maduras, as vendas cresceram 8,4%, bem acima do reajuste anual de medicamentos, de 2,8%. Para a XP, os números reforçam a resiliência da rede diante de um cenário de consumo mais fraco. O balanço, praticamente em linha com as projeções, trouxe alívio à Bolsa. As ações da RD Saúde chegaram a registrar alta de 5,11%, cotadas a R$ 15,62, nesta quarta-feira. A reação positiva contrasta com o desempenho dos papéis ao longo do ano, marcado por uma desvalorização de 35,8%. O Itaú BBA destaca que os papéis negociavam a cerca de 14 vezes o lucro projetado para 2027, um nível historicamente baixo, refletindo preocupações com a atividade econômica, a concorrência digital e a desaceleração dos GLP-1. Segundo o banco, as vendas da categoria cresceram cerca de 60% no trimestre, mas ainda vão enfrentar uma base de comparação de 184% no quarto trimestre de 2025. Dose de rentabilidade A RD continua vendendo mais, mas transformar o avanço em margens exige esforço. O Ebitda ajustado cresceu 14,7%, para R$ 1,02 bilhão, enquanto a margem recuou 0,1 ponto porcentual, para 7,8%. Por outro lado, o lucro líquido ajustado alcançou R$ 439 milhões, alta anual de 20,1%. Outra frente de atenção é a concorrência das plataformas de entrega. O canal digital da RD já movimenta R$ 3,8 bilhões por trimestre, equivalente a 29,4% das vendas do varejo, mas perdeu participação em relação ao trimestre anterior. A companhia atribui o recuo à decisão de estender às lojas físicas os descontos de GLP-1 antes concentrados nos aplicativos, levando parte das compras de volta ao balcão. A chegada de plataformas como 99 e Keeta, que também podem querer disputar espaço com o iFood na entrega de medicamentos, também acirra a concorrência. Raduan, porém, avalia que esses aplicativos podem ter dificuldades para competir em preços com as grandes redes. Isso porque as farmácias que vendem por meio deles precisam pagar comissões, um custo que pode acabar encarecendo os produtos. “Ao ter que pagar uma comissão para eles, de ponto de partida, você tem que partir de uma margem bruta maior”, argumentou. A companhia aposta na proximidade com os consumidores para preservar sua vantagem. Com 3.770 farmácias, a rede afirma estar a até cinco minutos de cerca de 120 milhões de brasileiros e realizar entregas rápidas em uma média de 39 minutos. A expansão também segue acelerada: após 92 inaugurações no trimestre, a companhia espera encerrar 2026 mais próxima do limite superior da previsão de 330 a 350 novas unidades. Com o mercado de medicamentos para emagrecimento ainda oferecendo oportunidades, o próximo passo da RD será transformar esse potencial de crescimento em ganhos mais consistentes de rentabilidade.