Binance vê negociações dispararem 64% após ataque bilionário, mas fuga de recursos persiste

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões e suspensão de saques por 58 horas, Binance registra alta nas negociações, mas ainda enfrenta fluxo líquido negativo de recursos.

A Binance , maior corretora de criptoativos do mundo, registrou volume de negociações de US$ 93,95 bilhões nas últimas 24 horas , uma alta de 64,61% em relação ao período anterior, segundo plataforma de análise de finanças descentralizadas (DeFi) DefiLlama . O avanço ocorre após a retomada gradual dos saques na corretora, que ficaram suspensos por 58 horas pelo ataque hacker que provocou perdas estimadas de US$ 6,3 bilhões . A maior parte das negociações foi concentrada no mercado de derivativos. Os contratos perpétuos atrelados ao dólar movimentaram US$ 84,35 bilhões no período. Esses contratos são instrumentos financeiros sem prazo de vencimento que permitem aos investidores assumir posições compradas ou vendidas em criptomoedas . Essas operações também podem envolver alavancagem, o que amplia o valor financeiro negociado em relação ao capital inicialmente empregado. No período medido, os contratos atrelados a criptomoedas somaram US$ 1,87 bilhão e no mercado à vista registrou volume de US$ 7,72 bilhões. O volume total registrado pela DefiLlama representa compras e vendas executadas na plataforma durante as 24 horas. Não estão incluídas as entradas de novos recursos na corretora. O mesmo capital pode ser negociado diversas vezes ao longo do dia, explica Lucas Veronezzi, sócio e especialista em investimentos em cripto da Blue3 Investimentos. Na terça-feira (3), a Binance informou que os depósitos de clientes somavam US$ 5,7 bilhões . Apesar disso, o saldo acumulado desde a retomada dos saques continuava negativo. No período, as retiradas totalizaram US$ 10,97 bilhões , resultando em um fluxo líquido negativo de US$ 5,7 bilhões, segundo os dados informados pela empresa. A corretora também que já recomprou 98% do valor dos ativos afetados pelo ataque . Os 2% restantes correspondiam a criptoativos de menor liquidez, cuja aquisição em escala demanda mais tempo. A empresa informou ainda que nenhum investidor brasileiro foi afetado pelo ataque . Segundo a Binance, a segregação entre as carteiras da operação brasileira e as da estrutura global impediu que os recursos dos clientes locais fossem atingidos. Pilar de segurança Marina Fuzeti Fagali, diretora do Juntos por Cripto, avalia que os recentes ataques a grandes exchanges como Binance e Mercado Bitcoin deixam evidente que a segregação patrimonial não é apenas um avanço regulatório, mas o principal pilar de segurança de quem opera no mercado . “Ao separar rigorosamente os recursos dos clientes do caixa operacional e investir em custódia segura, o setor resguarda os fundos mesmo diante de incidentes graves”, diz ela. No entanto, diz, a verdadeira proteção do usuário exige que essa segregação caminhe lado a lado com transparência imediata sobre o patrimônio e com uma cooperação ágil entre plataformas, emissores de ativos e autoridades, como demonstrado pela rápida atuação das emissoras de stablecoins no congelamento de valores. “É essa união de forças, somada ao rastreamento técnico, que combate com eficácia o crime cibernético e consolida a integridade do ecossistema cripto.” afirma Fagali. *Com informações da Broadcast