Elea avança no Rio, mas energia desafia expansão de data centers

Por Tele.Síntese · Categoria: Telecomunicações ·

Prefeitura discute licenciamento de projeto próximo ao Parque Olímpico; Microsoft e GE Vernova apontam desafios de infraestrutura. O post Elea avança no Rio, mas energia desafia expansão de data centers apareceu primeiro em TeleSíntese.

O projeto de data center da Elea no Rio de Janeiro já conta com um parceiro para acesso à energia elétrica e está em discussão na prefeitura para licenciamento. A informação foi apresentada pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, durante o DCD Connect Live Brasil 2026, em painel que reuniu representantes da Microsoft, GE Vernova e BNDES para discutir a expansão da infraestrutura digital na cidade. O empreendimento foi anunciado durante o Web Summit Rio de 2025 e está previsto para uma região próxima ao Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. Segundo Osmar, a área dispõe de infraestrutura implantada para os Jogos Olímpicos de 2016, incluindo conectividade e duas subestações de energia elétrica em pontos diferentes. O secretário explicou que a prefeitura identificou na região um terreno de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados, originalmente destinado ao desenvolvimento imobiliário. A instalação de data centers passou a integrar a estratégia municipal de aproveitamento dessa infraestrutura, sem ampliar a ocupação urbana na mesma proporção de um empreendimento residencial ou comercial. De acordo com Osmar, a Elea não solicitou incentivos municipais de ISS ou IPTU para desenvolver o projeto. O pedido apresentado à administração foi de apoio institucional para viabilizar sua implantação. “A primeira reação, enfim, todo mundo pode imaginar, a gente falou, bom, beleza, o que vocês querem, vocês querem incentivo de ISS, IPTU, etc., e para a nossa feliz surpresa não era nada disso”, relatou o secretário. A prefeitura considera os data centers parte de sua estratégia de atração de investimentos em tecnologia, associada à disponibilidade de energia, conectividade e áreas próximas aos centros consumidores. GE Vernova aponta necessidade de reforços na transmissão Rodrigo Queiroga, responsável pela área de Grid Systems Integration da GE Vernova na América Latina, afirmou que o Rio de Janeiro reúne condições para receber grandes empreendimentos de processamento de dados, mas precisará de investimentos na infraestrutura de transmissão elétrica. Segundo ele, projetos que demandam blocos de carga de 100 MW, 200 MW ou 300 MW exigem uma avaliação da capacidade de conexão à rede, além da disponibilidade de geração. O executivo mencionou corredores de transmissão de 500 kV e instalações como Grajaú, Terminal Rio, Zona Oeste e Nova Iguaçu, que integram a infraestrutura elétrica relevante para o atendimento dessas demandas. “Essa evolução para que o Rio de Janeiro se posicione nesse cenário vai passar por uma demanda de investimentos estruturantes, na nossa visão, especificamente para reforçar a malha de transmissão”, afirmou. Queiroga destacou que empreendimentos voltados ao processamento de IA podem exigir soluções adicionais para manter a estabilidade do sistema elétrico. Entre as tecnologias mencionadas estão subestações compactas e sistemas de compensação estática. Outro ponto levantado foi a diferença entre os prazos de expansão da rede de transmissão e os cronogramas de implantação dos data centers. Segundo o representante da GE Vernova, a compatibilização desses processos é necessária para dar previsibilidade à conexão dos empreendimentos. Ele também mencionou mudanças nos procedimentos de solicitação de acesso à rede elétrica, com maior utilização de critérios técnicos e exigência de garantias para reduzir pedidos especulativos de conexão. Microsoft defende licenciamento paralelo e previsibilidade tributária Para André Pedral, responsável pela gestão de custos de projetos da Microsoft no Brasil, a previsibilidade de prazos e custos é um dos principais fatores considerados na implantação de data centers. O executivo explicou que os empreendimentos envolvem investimentos elevados e precisam cumprir cronogramas definidos para que a operação comece na data prevista. Entre os pontos que exigem atenção, ele destacou os procedimentos de licenciamento, que atualmente envolvem diferentes etapas e órgãos responsáveis. Na avaliação de Pedral, a realização paralela de processos de autorização poderia contribuir para reduzir os prazos de implantação, em comparação com a tramitação sequencial. A tributação também foi mencionada como fator que interfere no planejamento financeiro. O representante da Microsoft citou a reforma tributária, a definição da alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e as incertezas relacionadas ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Segundo ele, a avaliação dos investimentos precisa considerar não apenas a construção, mas os custos de operação ao longo de períodos que podem chegar a 15 ou 20 anos. Pedral também destacou a importância de explicar às comunidades os efeitos da instalação dos data centers, incluindo a formação de cadeias de fornecedores e a atração de outras atividades econômicas. BNDES destaca conectividade e formação de profissionais Marconi Viana, representante do BNDES, afirmou que a expansão dos data centers exige uma combinação de infraestrutura de telecomunicações, energia, demanda por serviços digitais e disponibilidade de profissionais qualificados. Segundo ele, a implantação de um empreendimento não pode ser analisada isoladamente da capacidade de transmitir os dados processados e da existência de mercados consumidores próximos. O representante do banco defendeu a articulação entre os governos municipal, estadual e federal para assegurar condições regulatórias e infraestrutura capazes de sustentar investimentos de longo prazo. Viana também chamou a atenção para a necessidade de comunicar à sociedade os efeitos dos data centers sobre a economia. Na avaliação dele, os benefícios devem ser observados principalmente na utilização da infraestrutura instalada, por meio da oferta de serviços e do desenvolvimento de empresas capazes de incorporar essas tecnologias. Nesse contexto, destacou a estratégia do Rio de Janeiro de associar a atração de empreendimentos à formação de mão de obra e ao desenvolvimento de empresas de tecnologia. Osmar Lima citou iniciativas como o IMPA Tech, voltado à formação em matemática, ciência de dados, computação e física, e o apoio a startups como componentes dessa política municipal. Rio quer agregar valor à energia com serviços digitais O secretário municipal também apresentou a instalação de data centers como uma forma de agregar valor à energia elétrica produzida no Brasil por meio de serviços computacionais comercializados internacionalmente. “Um data center está agregando valor na nossa energia elétrica que será exportada por um cabo submarino que nada mais é do que a rota de exportação que a gente tem conectada com os outros continentes”, afirmou Osmar. O secretário comparou essa atividade às indústrias de transformação, que utilizam matérias-primas para produzir bens de maior valor agregado. No caso dos data centers, a eletricidade é utilizada no processamento de dados, no treinamento de modelos de IA e na execução de aplicações digitais. Osmar argumentou que essa cadeia depende de investimentos em transmissão de energia, conectividade internacional, equipamentos, desenvolvimento tecnológico e qualificação profissional. Ele mencionou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) como uma das iniciativas federais destinadas a atrair empreendimentos ao país. Também citou a discussão sobre ICMS e os efeitos da reforma tributária sobre a estrutura de custos do setor. Para a prefeitura, a atração de data centers deve ser acompanhada da formação de empresas e profissionais capazes de atuar nas atividades relacionadas à infraestrutura digital. O post Elea avança no Rio, mas energia desafia expansão de data centers apareceu primeiro em TeleSíntese .