Agricultura deverá continuar sob comando do PSD no governo Lula 4; veja nomes cotados

Por Estadão · Categoria: Geral ·

BRASÍLIA - O M inistério da Agricultura deverá continuar sob o comando do Partido Social Democrático (PSD) no governo Lula 4, afirmam integrantes do governo e do Centrão ouvidas pelo Estadão/Broadcast. A pasta é cobiçada pelo partido e tradicionalmente fica sob o controle de legendas do centro. Entr

BRASÍLIA - O M inistério da Agricultura deverá continuar sob o comando do Partido Social Democrático (PSD) no governo Lula 4, afirmam integrantes do governo e do Centrão ouvidas pelo Estadão/Broadcast. A pasta é cobiçada pelo partido e tradicionalmente fica sob o controle de legendas do centro. Entre os cotados para assumir o ministério no novo mandato de Lula estão o atual ministro, André de Paula , e o ex-ministro senador por Mato Grosso Carlos Fávaro . O PSD espera manter pelo menos três ministérios no governo Lula 4 e mira pastas com força regional, como mostrou o Estadão/Broadcast . Na gestão atual, o PSD controla o Ministério de Minas e Energia, o Ministério da Agricultura e o Ministério da Pesca - todos sob o comando do partido desde janeiro de 2023 no início do governo Lula. Correligionárias do partido afirmam que um dos objetivos da sigla é manter o Ministério da Agricultura sob sua alçada. A Agricultura agrada ao PSD pelo montante de emendas parlamentares disponíveis sob dotação do ministério para estradas vicinais e compra de máquinas agrícolas, o que permite interseção com as 887 prefeituras comandadas pela legenda, e pelas 27 superintendências estaduais da Agricultura e Pecuária, de acordo com os interlocutores. As especulações ocorrem em meio à expectativa de montagem da Esplanada dos Ministérios para o novo mandato de Lula e à reacomodação dos partidos de centro, que almejam maior espaço na Esplanada a partir de janeiro. As articulações estão em fase inicial e devem ganhar tração após o retorno de Lula da COP-31, que será na Turquia, onde participa da cúpula de líderes entre 11 e 12 de novembro. A expectativa é de que a divisão de ministério e o anúncio dos ministros comece a partir de dezembro, podendo se estender até os últimos dias do ano. Em 2022, Lula anunciou a nomeação de Carlos Fávaro para o Ministério da Agricultura em 29 de dezembro. Neste sentido, a escolha do ministro da Agricultura envolve como será a organização e participação dos partidos da base aliada ao governo no próximo mandato e costuras amplas com o Congresso Nacional, afirmam integrantes do governo. Para interlocutores ouvidos pela reportagem, o PSD entra com vantagem pelo fato de o atual ministro e o ex-ministro terem encampado a reeleição de Lula e não ter havido adesão bolsonarista pela legenda, que se manteve neutra no segundo turno. No caso de o PSD manter o controle da Agricultura, os principais cotados para o posto são o atual ministro André de Paula e o ex-ministro senador Carlos Fávaro. A volta de Fávaro ao ministério é bem-vista por segmentos do setor produtivo, sobretudo pela agroindústria e exportadores, e era considerada certa até o fim do 1º turno. Um dos interlocutores ouvidos afirma que o senador mato-grossense deixou a pasta para concorrer ao Senado e estruturar a coligação de Lula no Estado com a sinalização de Lula de retornar ao ministério caso o presidente fosse reeleito. Fávaro não se reelegeu e perde o mandato em 2027. O ex-ministro é considerado ainda próximo a Lula e tido no círculo de confiança do presidente, com amplo acesso ao Palácio do Planalto. Em contrapartida, a relação de Fávaro com a Frente Parlamentar da Agropecuária foi marcada por conflitos e desgastes sucessivos. Atualmente, parte dos parlamentares reconhece que o ex-ministro detinha maior trânsito e poder de barganha dentro do governo do que o atual titular. De Paula, por sua vez, assumiu a pasta em abril deste ano e, segundo aliados, nutre o desejo de seguir no ministério. Como pontos positivos de De Paula, interlocutores citam a proximidade à bancada do PSD na Câmara dos Deputados, a qual a indicou inicialmente para o Ministério da Pesca, o perfil de “conciliador político” e a relação sem percalços com a bancada da agropecuária. O ministro é cobrado pelo setor de maior participação em temas envolvendo o agronegócio com interseção com outras pastas, como a renegociação das dívidas rurais, e criticado pelo suposto enfraquecimento do ministério. Ontem, De Paula afirmou em entrevista a um podcast que “não há nenhum indicativo e não houve nenhuma conversa em relação a sua permanência”. Se permanecer à frente da pasta, o ministro tem dito a interlocutores que gostaria de autonomia para montagem da pasta, já que assumiu o ministério sem trocas nas secretarias. Pesa sobre a indicação de De Paula o fato de a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, não ter aderido à candidatura de Lula no segundo turno, o que desagradou a Lula, segundo pessoas próximas. A leitura do Palácio do Planalto é de que movimentos de aproximação com Raquel foram capitaneados pelo ex-ministro da Casa Civil e senador eleito pela Bahia, Rui Costa (PT), e não por De Paula, que é correligionário da governadora. Uma eventual manutenção de De Paula ou retorno de Fávaro não condiz, entretanto, com a mudança sinalizada pelo governo Lula de reestruturação dos ministérios. A ideia do presidente, segundo integrantes do governo, é apresentar uma Esplanada com “cara nova” a partir de janeiro. Ainda pelo PSD, cogita-se que o próprio líder da bancada na Câmara dos Deputados, deputado federal Antonio Brito (PSD-BA) poderia ser um dos indicados ao pleito. Brito, como líder partidário, apontam as fontes, possui relação pavimentada com os deputados para distribuição de emendas parlamentares da pasta e “estofo político” no partido. O deputado é também alinhado ao dirigente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e com boa relação ao agronegócio baiano. Também circula na bolsa de apostas o nome do deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) que não disputou a reeleição. Jardim é próximo ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Entre os que articulam o seu nome para o ministério, afirmam que o deputado seria uma “ponte” com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), da qual é vice-presidente até o fim do mandato. Segundo fontes, o deputado estaria disposto a se filiar ao PSD. A favor de Jardim, integrantes do governo citam que, ao longo dos últimos quatro anos, o deputado manteve proximidade e capacidade de diálogo com a área econômica do Executivo em tratativas de temas ligados ao setor, ao mesmo tempo em que se construiu como uma das lideranças da bancada. O seu nome teria apoio ainda de segmentos empresariais do setor. Nas eleições presidenciais, Jardim apoiou a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no primeiro turno e se uniu à bancada no apoio ao senador e candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A FPA já teria sinalizado a Jardim que não avalizará nenhum nome ao Ministério da Agricultura já que apoiou a candidatura da oposição. Outro nome que mostra interesse e busca apoio em Brasília para eventualmente assumir a pasta é o ex-assessor especial do Ministério da Agricultura o empresário do setor de sementes Carlos Ernesto Augustin, filiado ao PSB.