Quais são as melhores gestoras de fundos de 2026? Veja o ranking da FGV

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Falta de tendências claras, volatilidade elevada no Brasil e no exterior, retornos baixos, resgates bilionários, fechamento de gestoras e, mais recentemente, quedas superiores a 40% em uma única sessão. O ano de 2026 tem sido difícil para a gestão de fundos de investimento , prolongando a crise que

Falta de tendências claras, volatilidade elevada no Brasil e no exterior, retornos baixos, resgates bilionários, fechamento de gestoras e, mais recentemente, quedas superiores a 40% em uma única sessão. O ano de 2026 tem sido difícil para a gestão de fundos de investimento , prolongando a crise que atinge a indústria brasileira há alguns anos. Mesmo nesse cenário, algumas gestoras conseguem entregar bons retornos aos cotistas, como mostra a 27ª edição do Guia FGV de Fundos de Investimentos , divulgada com exclusividade pelo E-Investidor . O Guia FGV elege os melhores gestores do ano com base em uma análise criteriosa do desempenho dos fundos de renda fixa, money market (renda fixa e DI curto prazo), multimercados e ações ao longo dos últimos seis semestres. Nos fundos ativos, a metodologia avalia o índice de sharpe , a métrica que mede o retorno oferecido em relação ao risco que apresenta, premiando aqueles que se destacam em cada categoria com avaliações de 5 a 1 estrela. As gestoras são classificadas em três categorias – grandes, especialistas ou de nicho –, a depender da quantidade de fundos sob gestão, do seu patrimônio líquido, do número de cotistas, e da presença nas diversas categorias de produtos disponibilizados aos investidores. As casas também são avaliadas de acordo com os segmentos de investidores, entre alta renda, atacado e varejo. Em 2026, foram analisados 261 empresas gestoras, com mais de R$ 2,25 trilhões de patrimônio líquido , 14,7 milhões de cotistas, entre 1650 fundos. 1500 deles, com histórico de 36 meses, foram considerados na avaliação. Os outros 150 têm histórico inferior e, apesar de avaliados, não contam para a premiação. Ranking de 2026 mostra que “tem gente que sobrevive” Para William Eid, diretor do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGVcef) e responsável pelo Guia de Fundos há mais de duas décadas, a edição de 2026 mostra que “tem gente que sobrevive” em meio à crise que se instaurou na indústria de fundos, especialmente nos segmentos de ações e multimercados. Trata-se sobretudo de um problema de desempenho, já que cerca de 60% dos fundos analisados não superam o CDI nos últimos três anos, mas, aos poucos, tornou-se também uma questão para a sustentabilidade dos negócios. Nos últimos anos, sem retornos expressivos, a indústria amargou resgates de centenas de bilhões e agora se vê pressionada por alternativas mais baratas de alocação, como ETFs . Como mostramos aqui , algumas assets colocaram em revisão o tradicional modelo “2 com 20”, uma tentativa de reduzir o custo dos fundos e tornar a cobrança mais alinhada ao investidor. Nos fundos de renda fixa, também já é possível notar uma tendência de redução das taxas, aponta Eid. “Nos grandes bancos, a asset é um complemento do serviço e estruturas relativamente pequenas conseguem ter ganhos de escala fantásticos. Mas algumas assets vivem disso, a receita vem dos fundos. Para essas, é um momento complicadíssimo ”, diz. “Antigamente, falávamos que uma asset não ficava de pé com menos de R$ 300, R$ 400 milhões de reais [sob gestão]. Hoje, suspeito que seja preciso R$ 1 bilhão ”, diz. Nos últimos anos da premiação da FGV, foram as estratégias de crédito privado que beneficiaram as campeãs. A classe ganhou protagonismo no mercado brasileiro desde a escalada dos juros, com investidores avessos à renda variável, mas em busca de alternativas para superar o CDI, e ajudou muitas gestoras a aumentarem o patrimônio líquido sob gestão, contrabalanceando os resgates de outras estratégias. Mas não sem risco, em meio a uma onda de recuperação judicial nas empresas brasileiras. Na avaliação de Eid, os destaques agora são aquelas assets que conseguiram capturar esses movimentos de mercado, mas sem aumentar muito o risco na gestão dos fundos. “Em economias instáveis como a brasileira, o que interessa não é só acertar o cenário, mas entender o que termômetro está indicando. Quando o termômetro está muito complicado, é melhor ficar quieto. Quem ganhou nesse período foi quem assumiu uma posição menos arriscada”, diz o professor da FGV. Na visão das gestoras vencedoras de 2026, para garantir uma boa relação de risco-retorno, foi a gestão ativa que fez a diferença . Além de certa dose de coragem de assumir algumas posições mesmo quando o consenso do mercado ia na outra direção. As melhores entre as “grandes gestoras” A Bradesco Asset estampa o posto de melhor gestora do ano no Guia de Fundos pela terceira edição consecutiva. Nos últimos anos, a Bram conseguiu capturar o crescimento expressivo do crédito privado no País, um aumento no patrimônio líquido que ajudou na classificação da FGV, e ainda sem ser afetada por nenhum dos eventos de recuperação judicial que penalizaram a categoria, ajudando na rentabilidade. O bom resultado faz parte de uma posição mais conservadora na gestão que perpassa por todas as classes de fundos, do crédito a ações, e busca a melhor relação de risco-retorno. “Esse ano, não houve mesa que passasse ilesa da volatilidade e a gestão ativa foi ainda mais importante. Quando olhamos para os nossos fundos mais premiados, o que fez diferença foi conseguir perceber os exageros do mercado e ter disciplina para não acompanhar.” Ana Luísa Rodela, CIO da Bradesco Asset. A disputa dos últimos anos ficou entre as assets dos dois maiores bancos privados do País. A Itaú Asset liderou o ranking da FGV por 11 anos consecutivos, uma sequência encerrada em 2023 quando os fundos de crédito da gestora sofreram com a fraude nas Americanas (AMER3) . Agora, são as estratégias de ações e multimercados que ganham destaque na premiação. Para Fernando Cavallete, head do time de portfolio specialists da Itaú Asset, a casa está colhendo os frutos de um movimento iniciado em 2019 com o multimesas, um negócio que combina “mini assets” independentes sob o mesmo guarda-chuva. São fundos de valor agregado, com um time de profissionais que o banco conseguiu “pescar” de outras casas em meio à crise no mercado, sob um modelo de incentivos mais alinhado em que a remuneração do gestor é maior se o fundo superar o benchmark, entregar retorno e conseguir captar. Até os multimercados , que seguem sofrendo como indústria, na Itaú Asset estão conseguindo captar e superar o CDI em 2026, destaca Cavallete. “É um investimento constante, muito ancorado na capilaridade da Itaú Asset, que permite atrair talentos, às vezes mesas de gestão inteiras, e dar todo o suporte em termos de produto, estrutura, escala, distribuição. Temos sido muito bem-sucedidos nesse modelo, entregado resultado. Alguns fundos estão até fechados para captação, porque já estamos gerindo o máximo de dinheiro que julgamos adequados para essas estratégias”, diz. As melhores gestoras “especialistas” e de “nicho” Se a briga entre as grandes gestoras vem concentrada entre Bradesco e Itaú nos últimos anos, nas prateleiras debaixo, nas casas independentes, a disputa é mais acirrada. A SPX aparece como a melhor do ano na categoria especialistas, enquanto, nas de nicho, a MAG Investimentos lideram o ranking. Os destaques dessas duas categorias têm mais nomes, o que significa, também, maior concorrência. É um desafio duplo: não só entregar resultado em meio a um cenário desafiador, mas conseguir se diferenciar em uma indústria que entrega desempenhos cada vez mais correlatos . Para Cláudio Pires, diretor de investimentos da MAG, também foi a gestão ativa que fez diferença na casa este ano. A MAG não tem fundos indexados e busca, em todos os mandatos, gerar alfa. O time de gestão de risco fica lado à lado na gestão, uma tentativa de traçar a maior quantidade possível de cenários para determinado evento e identificar onde estão as assimetrias – muitas vezes, buscando a vantagem competitiva na contramão do consenso do mercado. “Um dos nossos mantras é que precisa ter assimetria relevante para justificar uma posição, alocar risco é a alquimia da gestão de investimentos, precisa ser na hora certa, com assimetria nos preços. Mas a performance relativa em relação aos pares também é importante e o gestor pode ficar enviesado quando sabe que os concorrentes estão todos em uma direção. Também é uma questão de disciplina”, diz Pires.