Intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank gera crise que ultrapassa setor bancário
A intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank desencadeou uma crise ultrapassou o setor bancário. A deterioração da situação financeira da instituição levou à abertura de um processo de resolução, à mobilização do fundo garantidor de depósitos e à renúncia de Carlos Carvallo, presidente da
A intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank desencadeou uma crise ultrapassou o setor bancário. A deterioração da situação financeira da instituição levou à abertura de um processo de resolução, à mobilização do fundo garantidor de depósitos e à renúncia de Carlos Carvallo, presidente da autoridade monetária. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou medidas para ressarcir os clientes afetados pela dissolução do Ueno, um dos maiores bancos digitais do país, com cerca de três milhões de clientes. O governo também indicou um novo presidente para o Banco Central, após a renúncia de Carlos Carvallo. A decisão ocorre depois que milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção ontem para exigir acesso ao próprio dinheiro. A instituição, maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, é alvo de investigações e enfrenta problemas financeiros. O banco perdeu mais da metade do dinheiro exigido por lei para garantir o pagamento de dívidas. Peña afirmou que se reuniu com os presidentes da Câmara e do Senado para apresentar um projeto de lei para cobrir 98% de todos os acionistas da instituição afetada. Os pagamentos devem começar a ser depositados nesta semana: "Estou plenamente consciente de que milhares de paraguaios estão preocupados com os sucessos de ontem gerados pela decisão do Banco Central do Paraguai de proceder com a dissolução do Banco. Entendo a incerteza que causa e sei dos esforços de milhares de paraguaios. Por isso, a prioridade do governo será proteger com todas as nossas forças o fruto desse trabalho e gerar respostas concretas, rápidas e responsáveis", afirmou. Além disso, aplicativos e cartões deixaram de funcionar, prejudicando inclusive aposentados que recebem benefícios do governo por meio do banco. Segundo o jornal paraguaio "La Nación", oito diretores do Ueno Bank foram presos durante o processo de intervenção e dissolução da instituição financeira. Eles foram levados para prestar depoimento no Ministério Público, que investiga suspeitas de fraude, quebra de confiança e outras práticas que podem ter contribuído para a falência da instituição. O fechamento do Ueno está afetando empresas que passaram a depender do banco digital no Paraguai. A associação de importadores e varejistas do país alertou para uma "semiparalisação" do comércio, afirmando que dois terços das transações eletrônicas nas grandes lojas de varejo eram feitos por meio de contas no banco.