Trava para investimentos: entidades empresariais criticam manutenção da Selic
A decisão do Banco Central nesta quarta-feira (4) de manter a Selic em 13,75% ao ano recebeu críticas das federações de indústrias, que veem a manutenção do quadro de aperto monetário como uma barreira para novos investimentos produtivos e a principal causa do endividamento das famílias. Mas a Fecom
Sede do Banco Central, em Brasília – 17/12/2024 (Foto: REUTERS/Adriano Machado) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2025/05/2025-05-12T215347Z_1_LYNXMPEL4B0XB_RTROPTP_4_BRAZIL-ECONOMY.jpg?fit=1250%2C834&quality=70&strip=all" /> A decisão do Banco Central nesta quarta-feira (4) de manter a Selic em 13,75% ao ano recebeu críticas das federações de indústrias, que veem a manutenção do quadro de aperto monetário como uma barreira para novos investimentos produtivos e a principal causa do endividamento das famílias. Mas a Fecomercio-SP achou a parada anunciada pelo Copom uma atitude prudente diante da piora das expectativas. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a prolongação do aperto monetário mantém o crédito caro, prejudica empresas e famílias e trava, ainda mais, a economia. Em nota, o presidente da entidade, Ricardo Alban, cobra que o Copom retome o ciclo de corte dos juros já na próxima reunião, prevista para dezembro. “A Selic permanece muito alta e isso afeta crédito, investimentos e a atividade econômica. É verdade que as expectativas para a inflação pioraram, mas o IPCA segue dentro do intervalo da meta no chamado horizonte relevante da política monetária. É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior do que o necessário para assegurar a estabilidade dos preços”, afirma Alban. Leia também Brasil segue com maior juro real do mundo, mesmo com manutenção da Selic em 13,75% Levantamento da MoneYou aponta o país com juro real de 9,49%, no topo da lista, à frente de Turquia e Argentina BC mantém Selic em 13,75% ao ano e destaca “aumento significativo das incertezas” A decisão do Copom foi unânime e em linha com o esperado pelo mercado Em nota assinada pelo presidente Paulo Skaf, a Federação das Indústria do Estado de São Paulo diz que o BC insiste em um aperto monetário desmedido, que coloca a taxa básica em um patamar aproximadamente de três vezes a inflação corrente. “Na prática, a autoridade monetária pune quem produz e consome. O crédito bancário tomado pelo setor produtivo e empreendedores na casa dos 30% ao ano inviabiliza investimentos, e o endividamento recorde das famílias e empresas se agrava a cada mês”, afirma Skaf. Ele cita ainda que, para as contas públicas, a fatura desse juro alto custa mais de R$ 1 trilhão por ano apenas no serviço da dívida. “É urgente readequar as políticas monetária e fiscal para trazer a Selic a níveis toleráveis e devolver a competitividade à economia brasileira.” A Fiemg, que representa as indústrias de Minas Gerais, também vê na manutenção dos juros em patamar elevado o prolongamento dos custos para o setor produtivo e uma dificuldade maior na retomada dos investimentos, o que compromete a competitividade da indústria brasileira. Assim como a Fiesp, a entidade mineira diz que a ausência de uma coordenação mais efetiva entre as políticas fiscal e monetária contribui para manter a pressão sobre a inflação e restringe as condições para a redução da taxa básica de juros. “A falta de consistência na condução fiscal impõe custos elevados à economia. Com juros altos por mais tempo, o crédito fica mais caro, os investimentos são adiados e a indústria perde capacidade de crescer e competir. O país precisa de responsabilidade fiscal e de sinais claros de compromisso com o equilíbrio das contas públicas”, afirma em nota o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe. Para a Firjan, entidade que reúne as indústrias do Rio de Janeiro, a manutenção da taxa no atual patamar posterga a descompressão necessária à atividade econômica, cujos indicadores recentes já evidenciam o baixo dinamismo industrial e a retração na confiança empresarial. “Com a estabilidade da Selic em nível fortemente contracionista, os encargos financeiros seguem elevados, inibindo tanto as decisões de investimento quanto a capacidade competitiva das empresas. Essa condição afeta, sobretudo, a indústria de transformação, que acumula queda de 0,1% no ano”, destaca a entidade fluminense. Para a federação do Rio de Janeiro, a falta de avanços consistentes na agenda de reformas estruturais, associada à ausência de maior convergência entre as políticas fiscal e monetária, mantém elevada a percepção de risco e amplia as incertezas macroeconômicas. “Torna-se imperioso o estabelecimento de um compromisso fiscal sólido para o próximo mandato. O reequilíbrio das contas públicas e a melhoria do ambiente de negócios são premissas essenciais para viabilizar a retomada dos cortes de juros, estimular os investimentos e sustentar a recuperação da indústria brasileira”, diz a Firjan. Decisão prudente Destoando das entidades produtivas, a FecomercioSP havia defendido mais cedo a manutenção da Selic no atual patamar, diante das incertezas fiscais, da pressão cambial e da piora das expectativas de inflação. A entidade defendeu em nota que, diante desse cenário, seria mais prudente interromper o ciclo de flexibilização monetária e manter a taxa inalterada. Para a Federação, embora os juros menores sejam desejáveis para estimular a atividade econômica, favorecer os investimentos e reduzir o custo do crédito, a conjuntura atual não oferece condições seguras para a continuidade dos cortes. “ Uma redução adicional de 0,25 ponto porcentual (p.p.) teria efeito limitado sobre a atividade, mas poderia ser interpretada pelo mercado como um sinal de tolerância maior com os riscos inflacionários, pressionando ainda mais o câmbio e os juros de longo prazo, que determinam boa parte do custo dos financiamentos para empresas e famílias.” The post Trava para investimentos: entidades empresariais criticam manutenção da Selic appeared first on InfoMoney .