Congresso Europeu de Oncologia reúne últimos avanços no combate ao câncer; veja destaques

Por Estadão · Categoria: Geral ·

O Congresso Europeu de Oncologia, realizado no fim do mês de outubro, em Madri , na Espanha, deixou aos oncologistas uma mensagem importante: estamos melhorando a forma de tratar o câncer , mas não apenas com novos medicamentos . Também estamos melhorando as toxicidades, a adesão e a qualidade de vi

O Congresso Europeu de Oncologia, realizado no fim do mês de outubro, em Madri , na Espanha, deixou aos oncologistas uma mensagem importante: estamos melhorando a forma de tratar o câncer , mas não apenas com novos medicamentos . Também estamos melhorando as toxicidades, a adesão e a qualidade de vida dos pacientes com a doença. No evento, foram apresentados avanços para o câncer de mama, com a chegada de novos medicamentos e terapias mais direcionadas, que utilizam anticorpos para reconhecer características específicas das células tumorais e levar até elas substâncias capazes de combater o câncer. Essas novas estratégias ampliam as possibilidades de tratamento, incluindo terapias que atuam sobre proteínas como HER2 e, mais recentemente, HER3. Para o câncer de pulmão , vimos a evolução de mecanismos que ativam o sistema imune, como a utilização de tarlatamabe em tumores de pequenas células , que por décadas não apresentavam avanços importantes no tratamento. Também tivemos a chegada de novos agentes terapêuticos, como os inibidores do MET, que bloqueiam mecanismos responsáveis por estimular o crescimento e a multiplicação das células tumorais em pacientes com alterações específicas nesse gene, além de medicamentos direcionados a outros alvos moleculares do câncer de pulmão. Nos tumores gastrointestinais, bloqueadores dos vasos sanguíneos e estimulantes do sistema imune mereceram destaque, além de estudos que mostram a possibilidade de reduzir o tempo de tratamento e os efeitos colaterais, especialmente para o câncer de estômago . Também há estratégias não operatórias para o tratamento de tumores com instabilidade de microssatélites (alteração genética que acontece durante a multiplicação das células), em especial os tumores de reto. Nos cânceres ginecológicos, observamos a incorporação de novos medicamentos, que têm contribuído para melhorar os resultados dos tratamentos. Já nos tumores do aparelho geniturinário, os avanços incluem uma avaliação mais precisa do risco no câncer de próstata e novas estratégias terapêuticas, especialmente para pacientes com doença de alto risco. No câncer de bexiga, novas alternativas também estão ampliando as possibilidades de cuidado. Mais sobrevida, mas também mais qualidade de vida De modo geral, esses avanços demonstram como a evolução dos medicamentos e das tecnologias está transformando o tratamento de diferentes tipos de câncer, permitindo prolongar a sobrevida dos pacientes e ampliando as possibilidades de controle da doença. Mas, em todas essas situações, há uma preocupação crescente e importante: quem é o paciente e como estamos melhorando sua vida? Estamos prolongando o tempo de vida, mas mantendo ou melhorando a qualidade de vida? É preciso olhar não apenas para os resultados dos tratamentos, mas também para os efeitos colaterais, o bem-estar, a autonomia e as condições que permitem ao paciente manter sua rotina durante essa jornada. Acho que essa é a provocação principal do Congresso Europeu de 2026 e seguirá nos próximos encontros científicos. É preciso ampliar o tempo de vida, curar um número maior de pacientes, mas preservando e melhorando a qualidade de vida, para que se viva mais, mas também se viva melhor. O avanço da oncologia precisa estar cada vez mais associado à capacidade de tratar a doença sem deixar de cuidar da pessoa.