Unapec quer discutir reforma tributária e rastreabilidade na pecuária

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Entidade reúne representantes de oito estados, que concentram cerca de 65% do rebanho nacional e mais de 83% das exportações brasileiras de carne

A Unapec (União Nacional da Pecuária de Corte) quer ampliar a participação dos produtores rurais nas discussões que envolvem o futuro da pecuária brasileira. Criada a partir de uma articulação entre entidades estaduais, a associação pretende atuar na defesa de interesses comuns do setor e colocar em pauta temas como reforma tributária, rastreabilidade, sanidade animal e barreiras comerciais internacionais. Segundo o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) e da Unapec, Guilherme Bumlai, a entidade já reúne representantes de oito estados brasileiros, que, juntos, concentram aproximadamente 65% do rebanho nacional e mais de 83% da carne exportada pelo país. A proposta é construir uma representação nacional capaz de levar a posição dos pecuaristas às discussões sobre políticas públicas, mercado e exigências internacionais. Para Bumlai, o setor precisa ampliar a comunicação para além do próprio ambiente da produção rural e garantir que a visão dos produtores também seja considerada nos debates sobre a cadeia da carne. Leia Mais Abiec projeta aumento nos preços da carne no mercado interno em dois meses Abiec defende divisão proporcional das cotas de exportação para UE Setor da proteínas busca saída com governo para atender exigências da UE Um dos exemplos citados pelo dirigente foi a reação do mercado ao anúncio das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Segundo ele, no mesmo dia em que a medida foi anunciada, a arroba do boi gordo recuou entre R$ 25 e R$ 30. Na avaliação de Bumlai, parte dos frigoríficos aproveitou o cenário para pressionar os preços, mesmo diante da expectativa de que os efeitos sobre o mercado seriam passageiros. O presidente da Unapec afirmou que a entidade pretende dar mais espaço à perspectiva do produtor nas situações de instabilidade comercial, especialmente quando decisões internacionais provocam reflexos sobre os preços pagos ao pecuarista. Reforma tributária no radar Entre as prioridades da associação está a discussão dos efeitos da reforma tributária sobre a produção rural. Bumlai demonstrou preocupação com a incidência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para produtores com faturamento anual superior a R$ 3,6 milhões. De acordo com o dirigente, a alíquota estimada mencionada nas discussões é de aproximadamente 4,53%. Ele afirma que muitos pecuaristas ainda não têm clareza sobre as mudanças e os impactos que podem ocorrer a partir de 1º de janeiro. A Unapec pretende aprofundar os estudos sobre a cobrança e buscar alternativas para evitar que o aumento da carga tributária recaia diretamente sobre o produtor rural. Uma das possibilidades citadas por Bumlai é discutir mecanismos de diferimento do recolhimento da CBS ao longo da cadeia produtiva. Rastreabilidade e exigências internacionais Outro tema que a associação pretende colocar em debate é a rastreabilidade individual dos animais. Embora reconheça a importância das exigências relacionadas à identificação e ao acompanhamento dos rebanhos, Bumlai defende que a implementação seja discutida com o setor produtivo. A entidade também questiona a obrigatoriedade prevista para 2032 e quer aprofundar o debate sobre os prazos, os custos e os efeitos da medida para os pecuaristas. A preocupação está relacionada também ao crescimento das exportações brasileiras de carne bovina . Na avaliação do dirigente, a posição do Brasil como maior exportador mundial amplia a exposição do país a exigências de mercados compradores, que podem utilizar argumentos sanitários e ambientais como barreiras comerciais. Nesse cenário, a Unapec pretende atuar na defesa da pecuária brasileira, apresentando informações sobre os avanços ambientais e sanitários da atividade e buscando fortalecer a posição do setor diante de exigências internacionais. A associação também quer reunir entidades estaduais para discutir outros assuntos de interesse da pecuária de corte, com o objetivo de construir posicionamentos conjuntos e ampliar a representatividade dos produtores nas decisões que afetam a atividade. Rebanho de suínos no Brasil deve atingir 53 mi de cabeças até 2030