Banco Central foi menos explícito em relação ao fiscal, diz Loyola

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Ex-presidente do BC aponta divergências entre as medidas do governo e o controle da inflação

O Banco Central adotou um tom menos incisivo ao abordar a política fiscal do governo no comunicado divulgado após a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária). A avaliação é do ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola , em entrevista ao CNN Money . Loyola observou que, em comunicados anteriores, a autoridade monetária costumava destacar de forma mais explícita a importância de uma política fiscal alinhada à política monetária. “O Banco Central foi menos explícito em apontar o dedo para a política fiscal”, afirmou. Segundo o economista, nos últimos meses, enquanto o Banco Central buscava conter a demanda para controlar a inflação, medidas fiscais adotadas pelo governo, especialmente durante o período eleitoral, atuavam na direção contrária, estimulando a atividade econômica e dificultando o trabalho da autoridade monetária. Leia Mais Brasil volta à posição de maior juro real do mundo; veja ranking Selic a 13,75%: Quanto rendem R$ 1 mil na poupança, CDB ou Tesouro Direto? "Não sou uma newsletter de Wall Street": Warsh evita debate sobre Trump Loyola explicou que as expectativas de inflação influenciam diretamente a formação de preços na economia. Quando empresas e consumidores esperam uma inflação mais elevada no futuro, tendem a incorporar essa perspectiva às suas decisões, contribuindo para a pressão sobre os preços. “Na medida em que você espera uma inflação maior, o comportamento racional dos agentes econômicos é incorporar essa inflação futura aos preços”, disse. O economista também chamou a atenção para o componente inercial da inflação brasileira, que dificulta a desaceleração dos preços. Segundo ele, a dinâmica inflacionária depende de três fatores principais: as expectativas, a inércia inflacionária e o hiato do produto, indicador que mede a diferença entre o nível atual de atividade econômica e seu potencial. Nesse contexto, Loyola destacou que o Brasil continua crescendo acima de sua capacidade potencial, o que também representa um desafio para o controle da inflação. Dívida pública e ciclo vicioso dos juros Questionado sobre a elevada participação de títulos da dívida pública indexados à taxa Selic — estimada durante a entrevista em cerca de 53% —, Loyola afirmou que a discussão sobre a origem do problema pode levar a uma inversão da relação de causa e efeito. Na avaliação do economista, o ciclo de juros elevados e aumento da dívida pública está relacionado, principalmente, à dificuldade do governo em equilibrar as contas primárias. “O grande problema no Brasil é que você tem uma dificuldade de gestão do resultado primário”, afirmou. Segundo Loyola, enquanto não houver uma perspectiva concreta de reversão do déficit primário efetivo, os investidores continuarão exigindo um prêmio de risco maior para comprar títulos do Tesouro Nacional. Isso eleva as taxas de juros de equilíbrio e, consequentemente, aumenta o custo de financiamento da dívida pública, alimentando um ciclo de pressão sobre as contas do governo. Loyola também se posicionou contra qualquer discussão sobre uma eventual mudança da meta de inflação neste momento. Para ele, uma alteração poderia comprometer a credibilidade da política monetária e aumentar o risco de desancoragem das expectativas. “Eu sou contra isso. Acho que tem mais riscos do que benefícios, porque o grande risco é a desancoragem da inflação”, declarou. O economista argumentou que uma elevação da meta poderia ser interpretada pelo mercado como um sinal de que o Banco Central estaria desistindo de perseguir o objetivo de controle dos preços, o que poderia pressionar ainda mais as expectativas inflacionárias. Sobre a adoção de medidas macroprudenciais para restringir a oferta de crédito, Loyola avaliou que a eficácia dessas iniciativas é limitada no Brasil, devido à participação expressiva do crédito direcionado e à existência de mecanismos informais de financiamento. Na avaliação dele, seria mais prudente rever o acesso a recursos do FGTS e de outros fundos utilizados nas operações de crédito, em vez de adotar restrições mais abrangentes ao sistema financeiro. Cenário externo e impactos para o Brasil Ao comentar o cenário internacional, Loyola afirmou que a elevação dos juros em outras economias tende a ser negativa para o Brasil no curto prazo. Isso porque taxas mais altas no exterior tornam os investidores estrangeiros mais cautelosos em relação a mercados emergentes, o que pode reduzir o fluxo de recursos para o país e pressionar o câmbio. Apesar disso, o economista ponderou que o movimento também pode contribuir para evitar desequilíbrios econômicos mais à frente. Entre os fatores externos que exigem maior atenção, Loyola destacou a questão energética. Segundo ele, a alta dos preços de energia tem pressionado a inflação em diversos países e representa um dos principais desafios para o cenário econômico global. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN . Clique aqui para saber mais .