Cenário para os próximos meses é bastante incerto, diz Loyola à CNN
Ex-presidente do Banco Central avalia decisão de manter a Selic em 13,75% e aponta riscos para o cenário macroeconômico brasileiro
O Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano , interrompendo o ciclo de cortes que havia reduzido os juros a partir do patamar de 15%. A decisão, amplamente esperada pelo mercado financeiro , foi considerada acertada pelo ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola , diante da piora das perspectivas para o cenário macroeconômico. Em entrevista ao CNN Money , Loyola explicou que a principal razão para a interrupção dos cortes foi a deterioração das expectativas, especialmente em relação ao câmbio e à inflação. Segundo ele, o cenário para os próximos meses se mostra bastante incerto. “O que houve foi basicamente uma piora das expectativas, uma piora do cenário macroeconômico, principalmente do câmbio, e uma piora das expectativas inflacionárias, já refletida, inclusive, na pesquisa Focus”, afirmou. Leia Mais Brasil volta à posição de maior juro real do mundo; veja ranking Selic a 13,75%: Quanto rendem R$ 1 mil na poupança, CDB ou Tesouro Direto? "Não sou uma newsletter de Wall Street": Warsh evita debate sobre Trump Loyola destacou que o Banco Central precisava evitar uma desancoragem ainda maior das expectativas de inflação . Na avaliação do economista, qualquer sinal de enfraquecimento da autoridade monetária poderia agravar esse quadro, especialmente em meio às discussões sobre possíveis mudanças na condução da política econômica e à indefinição sobre o futuro ministro da Fazenda. “Uma fraqueza, ou aquilo que fosse percebido como uma fraqueza do Banco Central, poderia desancorar as expectativas, e a desancoragem das expectativas seria muito ruim do ponto de vista da política monetária”, avaliou. Sobre os próximos passos da política monetária, Loyola afirmou que o cenário ainda é incerto. Ele reconheceu que a desaceleração econômica esperada para o próximo ano pode contribuir para a redução dos preços, principalmente no setor de serviços. Por outro lado, destacou o petróleo e a energia como fatores de atenção, já que seus preços dependem de condições externas difíceis de prever. Política fiscal no centro das preocupações No cenário doméstico, Loyola ressaltou que a política fiscal está entre os principais pontos de atenção do mercado financeiro. A indefinição sobre quem assumirá o Ministério da Fazenda e sobre a eventual adoção de novas medidas para equilibrar as contas públicas contribui para a deterioração das expectativas. “Parte da deterioração das expectativas se deve a isso, à falta de visão do mercado em relação à melhora da condução da política fiscal”, afirmou. O economista também alertou que, sem um plano claro para estabilizar a dívida pública em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), as expectativas devem continuar pressionadas, dificultando uma redução mais consistente dos juros. Na avaliação de Loyola, a taxa Selic elevada é consequência das incertezas fiscais e macroeconômicas , e não uma decisão isolada do Banco Central. “A culpa pela taxa de juros alta não é do Banco Central. O Banco Central está apenas reagindo a uma situação que tem muito a ver com as questões fiscais”, concluiu. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN . Clique aqui para saber mais .