QI Tech, ligada a fundos investigados por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, já foi citada em negociações envolvendo Master e Reag
QI Tech já foi apontada como possível compradora de uma carteira de R$ 500 milhões ligada ao Banco Master e à antiga Reag, mas negou qualquer negociação. O post QI Tech, ligada a fundos investigados por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, já foi citada em negociações envolvendo Master e Reag apa
A QI Tech, empresa que já teve seu nome associado a ativos do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da antiga Reag Investimentos, voltou ao centro das atenções após a Operação Catéter, deflagrada nesta quarta-feira (04) pelo Ministério Público do Paraná e pela Receita Federal. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal em operações envolvendo fundos administrados pela Singulare, corretora adquirida pela fintech em 2024. A possível ligação com Master e Reag havia sido divulgada em junho pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo fontes do mercado financeiro, a QI Tech seria uma das principais candidatas à aquisição de uma carteira de aproximadamente R$ 500 milhões pertencente à Arandu Investimentos, sucessora da Reag. O portfólio seria composto principalmente por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com parte dos recursos originada em operações de empréstimo consignado do Banco Master. A origem desses créditos, porém, não foi confirmada por documentos oficiais apresentados aos órgãos reguladores. A QI Tech negou ter avaliado ou negociado a aquisição. Leia também: Fundos ligados à QI Tech entram no radar de operação contra lavagem e sonegação Operação Cateter investiga movimentações por meio de fundos A ação realizada nesta quarta-feira ocorreu simultaneamente à segunda fase da Operação Enxágue. Juntas, as investigações resultaram em 64 mandados de busca e apreensão em 28 municípios de quatro estados, além do bloqueio autorizado de até R$ 271,5 milhões em bens e valores. Segundo os investigadores, o esquema envolvia empresas de fachada utilizadas para emitir notas fiscais referentes a operações comerciais supostamente inexistentes no setor de sebo e gordura animal, produtos destinados principalmente às indústrias de biodiesel e curtumes. As empresas teriam utilizado esses documentos para obter créditos indevidos de ICMS e movimentar recursos por meio de fundos de investimento. Na Operação Cateter, foram identificadas movimentações de aproximadamente R$ 63,7 milhões envolvendo nove FIDCs. A Justiça autorizou o bloqueio de ativos de dez fundos e quatro securitizadoras, além de 27 mandados de busca e apreensão. Entre os locais incluídos nas diligências estava a sede da administradora dos fundos, em São Paulo. QI Tech afirma que operações são anteriores à compra da Singulare A presença da Singulare na investigação chama atenção para a QI Tech, que concluiu a aquisição da corretora em novembro de 2024, com autorização do Banco Central. Segundo a Folha de S. Paulo, a companhia informou que colaborou com as autoridades, mas ressaltou que não é investigada. De acordo com a fintech, as operações suspeitas ocorreram entre 2016 e 2021, antes da aquisição. A compra da Singulare ampliou a participação da QI Tech no mercado de administração e custódia de fundos. A empresa passou a atuar em uma estrutura que reúne mais de R$ 181 bilhões em recursos sob administração. Master e Reag são alvos de outras investigações O Banco Master é investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras, incluindo transações envolvendo fundos administrados pela antiga Reag e operações que teriam elevado artificialmente o valor de ativos. A Reag, por sua vez, foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, que investigou o uso de fundos para ocultar recursos ligados a um esquema de adulteração de combustíveis. Após a saída de seu fundador, João Carlos Mansur, em setembro de 2025, a gestora passou por uma reorganização e adotou o nome Arandu Investimentos. Outra empresa ligada à antiga estrutura, a Reag Trust DTVM, posteriormente denominada CBSF, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em janeiro de 2026, devido a graves violações às normas prudenciais. A medida abriu espaço para a transferência da administração de fundos a outras instituições financeiras, mas não houve confirmação oficial de que a QI Tech tenha assumido a carteira de R$ 500 milhões mencionada nas informações de mercado. Quem controla a QI Tech Fundada em 2018, a QI Tech fornece infraestrutura tecnológica para operações financeiras, incluindo crédito, pagamentos e administração de fundos. O controle da companhia permanece com seus três cofundadores: Pedro Mac Dowell, CEO; Marcelo Bentivoglio, diretor financeiro (CFO); e Marcelo Buosi, diretor de operações (COO). Os executivos mantêm o controle estratégico e operacional da fintech, que recebeu investimentos de grupos internacionais, entre eles General Atlantic, GIC, fundo soberano de Singapura, e Across Capital. Em outubro de 2023, a empresa captou US$ 199 milhões em uma rodada liderada pela General Atlantic. No ano seguinte, alcançou avaliação superior a US$ 1 bilhão. O post QI Tech, ligada a fundos investigados por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, já foi citada em negociações envolvendo Master e Reag apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC .