Ações do Bradesco caem após rebaixamento do J.P. Morgan, mas ensaiam recuperação
O J.P. Morgan rebaixou a recomendação do Bradesco (BBDC4) de overweight (compra) para neutro após as eleições no Brasil e cortou o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 26 para R$ 18 por ação preferencial (PN) , com potencial de alta de 22,6%. O banco atribui cerca de dois terços da revisão à alta
O J.P. Morgan rebaixou a recomendação do Bradesco (BBDC4) de overweight (compra) para neutro após as eleições no Brasil e cortou o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 26 para R$ 18 por ação preferencial (PN) , com potencial de alta de 22,6%. O banco atribui cerca de dois terços da revisão à alta do custo de capital próprio (CoE), para 16% (de 14% antes), e o restante a revisões de lucro, de aproximadamente 6% a 8%. No dia 29 de outubro, quando o J.P. Morgan rebaixou a recomendação do Bradesco, as ações preferenciais do banco fecharam em queda de 3,54% , seguidas por mais dois pregões consecutivos de baixa. Na quarta-feira (4), os papéis reagiram e encerraram a sessão com alta de 3,68% . Nesta quinta-feira (5), às 10h40, as ações subiam 0,36%, cotadas a R$ 14,11 . Os analistas Yuri R. Fernandes, Guilherme Grespan, Fernanda Sayao e Diego Marquez Antonio afirmam ver tendência mais desafiadora à frente no novo ambiente macro . Entre os pontos, a casa espera desaceleração do crescimento da carteira de crédito , com perda de fôlego de programas de crédito a pequenas e grandes empresas (PMEs) com garantia do governo e de crédito consignado privado. O JPMorgan também projeta pressão na margem com clientes, com menor expansão de volume e compressão de spreads por desalavancagem de risco, incorporando queda de 10 pontos-base na margem financeira líquida (NIM) de clientes. Além disso, o banco estima que a receita líquida de juros (NII) de mercado deve piorar com a inclinação da curva - o J.P. Morgan cita movimento de 200 a 250 pontos-base - e lembra que a administração mencionou sensibilidade da gestão de ativos e passivos (ALM) de cerca de R$ 900 milhões de perda a cada 100 pontos-base de alta de juros, o que poderia implicar vento contrário de aproximadamente R$ 2 bilhões. A casa também aponta possível pressão em outros resultados abrangentes (OCI), reduzindo o valor patrimonial. Em qualidade de ativos, o J.P. Morgan espera deterioração mais pronunciada em empresas e pessoas físicas, elevando o custo de risco em 2027. Apesar de ver como positivos eventos corporativos recentes para reforço de capital e consumo de ativos fiscais diferidos (DTA), o banco diz que o Bradesco ainda tem patrimônio tangível abaixo de pares, o que limita a evolução de rentabilidade e capital no longo prazo. Com isso, o J.P. Morgan afirma que a trajetória de melhora “passo a passo” do retorno sobre patrimônio (ROE) deve perder força e projeta ROE caindo de 15% em 2026 para 14% em 2027, com lucro líquido de R$ 27,9 bilhões já incorporando o aumento de capital e o novo número de ações. Segundo o relatório, isso representaria crescimento de lucro de cerca de 2% e deixaria o banco 8% abaixo do consenso. Embora considere o valuation (valor do ativo) pouco exigente - com a ação a 0,9 vez valor patrimonial -, o J.P. Morgan avalia que o papel só deve “funcionar” quando houver tendência mais clara de alta do ROE. O banco acrescenta que, com CoE de 16%, o Bradesco parece “justo” nos níveis atuais e que, com expectativa de mais dividendos para recapitalização, pouco crescimento de lucro e sem rendimento, o carregamento se torna custoso. Entre os bancos brasileiros, o J.P. Morgan diz preferir o Itaú , apesar do prêmio, por considerá-lo mais preparado para navegar o ambiente e ganhar participação.