Petróleo sobe 2,5% e Brent volta a US$ 97 após tombo de 8% com eleição nos EUA

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Petróleo sobe nesta quinta-feira após três quedas seguidas e tombo de mais de 8%; Brent volta a US$ 97 com guerra e eleições dos EUA no foco.

O petróleo hoje tenta recuperar parte do terreno perdido nesta quinta-feira, 5, depois de três sessões consecutivas de queda e de um tombo superior a 8% na véspera e atingiu os menores níveis em quase dois meses. A reação ocorre em um mercado que ainda recalcula o prêmio de risco da guerra no Oriente Médio após a ampla vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos aumentar a expectativa de pressão política por uma saída para o conflito. Por volta das 10h, pelo horário de Brasília, o Brent para janeiro subia 2,50%, a US$ 96,99 por barril, enquanto o WTI para dezembro avançava 1,65%, a US$ 89,57 . A recuperação ganhou força ao longo da manhã. Na madrugada, os dois contratos ainda operavam em queda, com o Brent a US$ 94,24 e o WTI a US$ 87,18. A Petrobras acompanha a recuperação. No pré-mercado de Nova York, o ADR equivalente à ação ordinária da estatal subia 1,07%, a US$ 19,82, enquanto o equivalente ao papel preferencial avançava 0,35%, a US$ 17,38. Eleição americana mexe com o prêmio da guerra Os democratas conquistaram Câmara e Senado nas eleições de meio de mandato, resultado que alterou a leitura do mercado sobre a capacidade política do governo Trump de manter o conflito nos moldes atuais. Chuck Schumer , líder democrata no Senado, afirmou na quarta-feira que seu partido buscará encerrar a guerra e citou o controle do Congresso sobre os gastos federais. O vice-presidente JD Vance , por sua vez, relacionou publicamente as derrotas republicanas ao conflito. Na madrugada desta quinta, Lloyd Chan, do MUFG, avaliou que o resultado eleitoral provocou a retirada de parte do prêmio de risco político e geopolítico incorporado aos mercados. Foi nesse ambiente que Brent e WTI chegaram a ampliar as perdas antes de inverterem o sinal durante a manhã. Donald Trump também adotou um tom mais conciliatório depois da derrota. O presidente afirmou acreditar que pode trabalhar com os democratas em “muito mais questões do que as pessoas imaginam”, embora tenha indicado que não pretende recuar das tarifas comerciais adotadas por seu governo. A eventual capacidade do novo Congresso de alterar os rumos da guerra ainda está em aberto. Por enquanto, a possibilidade foi suficiente para derrubar parte do prêmio que havia levado as cotações a níveis elevados durante os meses de escalada no Oriente Médio. Petróleo continua no cálculo dos juros Mesmo depois das perdas recentes, o petróleo permanece entre os riscos acompanhados pelos bancos centrais. No Brasil, o Comitê de Política Monetária manteve na quarta-feira a Selic em 13,75% ao ano , interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto porcentual. No comunicado, o Copom destacou justamente petróleo , câmbio e incertezas fiscais entre os fatores que elevaram os riscos para a inflação . O colegiado afirmou que pretende manter a política monetária restritiva pelo tempo necessário para assegurar a convergência dos preços à meta. Na Europa, o Banco da Inglaterra também decide os juros nesta quinta-feira. A expectativa indicada pela Broadcast pela manhã era de uma elevação de 0,25 ponto porcentual, para 4% ao ano, diante da persistência da inflação e de preços de petróleo ainda elevados. A alta desta manhã, portanto, interrompe por enquanto a sequência de perdas, mas não recompõe o tombo recente. Depois de cair mais de 8% em apenas uma sessão e alcançar o menor patamar em quase dois meses, o petróleo passa a responder a uma variável que até a eleição americana tinha peso menor nas cotações. Além da guerra em si, o mercado tenta medir agora quanto apoio político ainda existe em Washington para mantê-la . Com informações da Broadcast e Dow Jones Newswires.