Aliado de Trump e economista: Quem é Santiago Peña, presidente do Paraguai?
Medida adotada pelo Banco Central contra o Ueno Bank provocou a queda do presidente da instituição e pressiona o governo de Peña, eleito em 2023
Santiago Peña , do Partido Colorado, foi eleito presidente do Paraguai em 2023. Três anos depois, ele se envolveu em um escândalo financeiro que pode lhe custar o cargo. A intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank, principal banco privado do país, derrubou o presidente do BC e pressiona políticos locais para votar um impeachment contra Peña – ele era sócio do grupo proprietário do Ueno até março de 2025. Além disso, 35 deputados opositores apresentaram oficialmente um pedido de impeachment de Peña e seu vice nesta quarta-feira (4). O pedido alega conflito de interesses e cooptação do Estado ; manipulação regulatória e desvio de fundos de aposentadorias; superação de limites de créditos para o Ueno e acobertamento institucional pelo Banco Central; indícios de enriquecimento ilícito; e afetação da confiança no sistema financeiro nacional e exposição a um risco sistêmico. Após a intervenção, as contas dos 3 milhões de usuários do Ueno foram bloqueadas e os ativos e passivos foram congelados . Esse número corresponde a quase metade dos 6,1 milhões de pessoas que habitam no país. Leia também: Fechamento de banco gera pânico, filas e pedido de impeachment no Paraguai Histórico como economista Santiago Peña tem 47 anos, é economista e, segundo seu perfil publicado no site oficial, é mestre em Administração Pública pela Columbia University. Por anos, fez parte do Banco Central do Paraguai e atuou em conselhos de liderança da entidade. Ele ocupou o cargo de Ministro da Fazenda, de 2015 a 2017, durante o governo de Horacio Cartes . Em 2017, Penã concorrou nas eleições internas do Partido Colorado, mas acabou perdendo. No ano seguinte, o economista foi eleito para o conselho do Banco Amambay. Em 2023, a chapa Peña foi formada com Pedro Alliana , e ambos derrotaram nas urnas a dupla formada por Efraín Alegre e Sole Núñez , do bloco oposicionista Concertação Nacional por um Novo Paraguai. Leia Mais Presidente do BC do Paraguai renuncia após crise em banco local Presidente paraguaio: caso de espionagem do Brasil reabre feridas da guerra Paraguai retira candidato apoiado por Trump da eleição para OEA Alinhamento a Trump, Escudo das Américas e Itaipu O número 2 do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, chegou ao Paraguai no meio de outubro para uma visita diplomática que reforçou o alinhamento ideológico de Peña com o presidente americano Donald Trump. Landau se reuniu com o presidente e o chanceler paraguaio Rubén Ramírez Lezcano. O diplomata destacou que “jamais se viu um nível tão elevado de cooperação entre os dois países.” Essa aproximação tem raízes em um acordo assinado entre Trump e Peña no final de 2025, posteriormente ratificado pelo Congresso paraguaio em março de 2026. O texto autoriza a presença de militares norte-americanos e de integrantes do Departamento de Estado no Paraguai, além de permitir o uso de transporte e de armas no país com imunidade equivalente à diplomática. O Paraguai também passou a integrar o chamado “Escudo das Américas” e declarou o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas. O país ainda atua como nação terceira para onde imigrantes podem ser deportados pelos Estados Unidos , mesmo que o Paraguai não seja o país de origem dessas pessoas. Em declaração à imprensa, Landau descreveu sua visita ao Paraguai como uma missão com foco em oportunidades de negócios. Ele ressaltou a importância do país para as relações diplomáticas dos Estados Unidos, afirmando que o Paraguai está no coração da América do Sul. De forma notável, o diplomata não mencionou especificamente investimentos norte-americanos, mas sim a atração de investimentos de outros países para o território paraguaio. Alguns dias depois, ainda em meio à viagem do representante americano, o governo dos EUA anunciou um acordo para usar energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu em projetos de inteligência artificial. O entendimento foi firmado em uma empresa americana com uma companhia do Paraguai. A administração de Itaipu é dividida entre Brasil e Paraguai, que também ficam com partes iguais da energia produzida pela usina. Porém, em nenhum momento a nota do governo dos EUA citou o Brasil. *Com informações de Luciana Taddeo, da CNN Brasil, em Buenos Aires, e da Reuters. EUA e Paraguai fecham acordo para usar energia de Itaipu em data centers