Manaus recebe festival que une tecnologia, cultura e saberes indígenas
Festival da Internet dos Povos será realizado de 26 a 28 de novembro e terá programação artística voltada à autonomia tecnológica e aos conhecimentos tradicionais da Amazônia
Amazônia, território de ancestralidade e saberes, é também uma região onde a cultura e os saberes tradicionais seguem vivos no cotidiano dos povos. E, nesse contexto, pensar o futuro também passa por reconhecer as tecnologias e os conhecimentos que nascem dentro dos próprios territórios. Pensando nisso, a Amazônia ganha voz em um debate que ultrapassa as fronteiras digitais. De 26 a 28 de novembro, a capital amazonense recebe o Festival da Internet dos Povos (FIP), que chega com o lema “Conexões para sustentar o céu”. A proposta é aproximar tecnologia, cultura e ancestralidade, reconhecendo nos conhecimentos tradicionais e nas experiências dos territórios caminhos para pensar uma internet mais democrática e coletiva. Manaus foi escolhida por ter uma diversidade cultural gigangtesca O evento é organizado pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, que busca valorizar experiências de autonomia tecnológica desenvolvidas pelas comunidades. O local e horário do evento serão divulgados posteriormente no Instagram @intervozes . Para o integrante do núcleo de formação e pesquisa do coletivo, Gave Cabral, a escolha de Manaus como ponto de partida está relacionada à diversidade cultural e à ancestralidade presentes na cidade. A proposta é reconhecer o protagonismo da região Norte na produção de conhecimento, tecnologia e organização social. “O FIP traz a urgência de pensar e produzir a tecnologia em perspectivas populares. É por isso também que iniciamos essa jornada por Manaus, que é uma cidade que pulsa a diversidade cultural e a ancestralidade. O que queremos, claro, é promover um intercâmbio de experiências em uma vivência amazônica, mas, sobretudo, destacar esse papel protagonista da região Norte na produção de tecnologia, de conhecimento, de organização social em suas múltiplas linguagens e formatos”, diz. Gave Cabral fala que o objetivo é conectar diferentes expressões culturais Além de acompanhar as atividades, o público também pode fazer parte da construção do festival. A chamada pública para a mostra artística segue aberta até o dia 6, por meio do site oficial do evento. Podem ser inscritas propostas de música, dança, poesia, audiovisual, arte indígena e arte urbana, além de exposições e instalações. VISIBILIDADE AOS ARTISTAS A programação também pretende dar visibilidade aos artistas, coletivos e organizações locais. Cabral explica que, ainda, a construção do evento envolve diferentes grupos da cidade, com o intuito de fazer com que as atividades dialoguem com a realidade amazônica. As manifestações culturais e artísticas estarão presentes em vários momentos do festival. “Um spoiler: o festival vai envolver as expressões culturais e artísticas em todos os seus momentos, então é uma proposta de provocar o debate de diferentes formas. O FIP contará com uma mostra artística, que passará por toda a programação do festival, em seus três dias de atividade. Além disso, estamos preparando uma programação musical de peso, do jeito que Manaus merece. Festival é festa, celebração, encontro de corpos e afetos. Queremos experimentar juntos a construção de outra internet possível”, comenta. Outro eixo do encontro é a aproximação entre inovação tecnológica e conhecimentos tradicionais. Para o representante do Intervozes, as soluções tecnológicas precisam partir das necessidades das próprias comunidades, respeitando suas identidades e decisões coletivas. Após a passagem por Manaus, o Festival da Internet dos Povos seguirá para outras três regiões brasileiras e terá como destino final Brasília (DF). A expectativa da organização é fortalecer as articulações com movimentos e organizações da região Norte, ampliar a participação da sociedade civil e levar as experiências construídas nos territórios amazônicos para o debate nacional sobre o futuro da internet.