Viúva de Lito Sousa desabafa sobre momentos finais do influenciador: ‘Não tinha como reverter’

Por Estadão · Categoria: Geral ·

A empresária Mila Seidl relatou os últimos momentos de vida do marido, o influenciador de aviação Lito Sousa , e explicou como a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) afetou progressivamente os movimentos e as funções do organismo. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. publicada na terça-feira, 3,

A empresária Mila Seidl relatou os últimos momentos de vida do marido, o influenciador de aviação Lito Sousa , e explicou como a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) afetou progressivamente os movimentos e as funções do organismo. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. publicada na terça-feira, 3, ela contou que o marido deixou de conseguir se movimentar, perdeu a capacidade de engolir e precisou receber alimentação por sonda. Segundo Mila, a doença provocou uma deterioração progressiva das funções motoras de Lito. Inicialmente, ele perdeu os movimentos dos braços e das pernas. Depois, deixou de conseguir sustentar o próprio tronco e permanecer sentado. Com a evolução do quadro, também perdeu os movimentos do pescoço e da cabeça, além da capacidade de engolir. “Normalmente, as pessoas não falecem de CJD, mas de complicações”, afirmou a empresária, referindo-se à sigla para a doença de Creutzfeldt-Jakob. Lito morreu no dia 1 de outubro em decorrência de uma pneumonia agravada pelo estado de saúde, segundo o relato da empresária. A perda da capacidade de engolir saliva e alimentos também fez com que o influenciador passasse a correr o risco de aspirar as próprias secreções. “Ele perdeu os controles de movimento de deglutição. Então precisou ter que passar uma sonda de alimentação”, contou Mila. A necessidade de uma sonda, segundo Mila, estava prevista nas decisões médicas que o casal havia discutido anteriormente. Lito, no entanto, tinha estabelecido limites para os procedimentos aos quais gostaria de ser submetido. Mila contou que o marido havia preparado um testamento e uma declaração de vontade, documento no qual indicou o responsável por tomar decisões sobre seu tratamento caso não pudesse mais manifestar sua própria vontade. “Nessa declaração, colocou o médico dele como responsável por decidir as coisas e não eu, porque ele me conhecia e sabia que eu iria com ele até o fim”, afirmou. “Eu já estava pronta para ficar com o Lito 20 anos na cadeira de rodas, fosse como fosse. Eu mandei adaptar toda a casa, aumentar as passagens para ele poder ir de cadeira de rodas. Foi tudo pensado”, disse. Havia, porém, procedimentos que o influenciador não queria enfrentar. De acordo com a viúva, ele não aceitava ser entubado nem permanecer em estado vegetativo. A alimentação por sonda foi autorizada por ele como uma possibilidade temporária, na expectativa de que um medicamento pudesse reverter o quadro. Mila explicou que, com a progressão da doença, a perda da capacidade de engolir trouxe novas complicações. Mesmo com os recursos disponíveis, não havia perspectiva de recuperação das funções comprometidas. “Tudo que existia no mundo foi dado para ele. A gente não poupou nenhum recurso financeiro”, afirmou. “Naquela situação dele, não tinha como reverter”. A empresária disse que a decisão pelos cuidados paliativos levou em consideração a ausência de possibilidade de reversão do quadro e a vontade expressa pelo marido. Segundo ela, mantê-lo vivo artificialmente, com sonda, tubo e sedação, não corresponderia ao que Lito havia estabelecido em sua declaração de vontade. Durante a entrevista, Mila também contou que a mensagem publicada para comunicar a morte do marido havia sido planejada por ele. Segundo a empresária, Lito pediu que a despedida fosse feita em um vídeo com uma abordagem cuidadosa, sem que ela aparecesse chorando. Ela escreveu o texto na noite de 29 de outubro, quando já sabia que o marido tinha pouco tempo de vida. Para preparar a gravação, contou com a ajuda de uma amiga e registrou cerca de 50 versões do áudio até chegar à edição final, acompanhada por imagens que contavam a trajetória do influenciador. A viúva relatou ainda que Lito permaneceu vivo por quase 72 horas após o início dos cuidados paliativos. Segundo ela, o coração do marido continuou funcionando por esse período, mesmo diante da gravidade do quadro. “O coração dele era muito, muito forte. Ele era um cara saudável, então o coração estava ali resistindo”, disse. Ao falar sobre os últimos instantes, Mila disse que permaneceu ao lado do marido durante todo o processo, mas não conseguiu acompanhar os segundos finais. Por isso, pediu que o melhor amigo de Lito, também padrinho do filho do casal, ficasse com ele naquele momento. “Nos últimos segundos dele, eu não dei conta de ficar. Eu fiquei o tempo inteiro, mas ali no final, não consegui”, contou.