Selic para, prêmio não: Tesouro volta a subir após Copom e prefixado chega a 15,34%

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Taxas do Tesouro Direto sobem após o Copom manter a Selic em 13,75%. Prefixado 2032 vai a 15,34% e IPCA+ 2050 alcança 7,48%.

O Tesouro Direto hoje volta a exibir alta generalizada das taxas nesta quinta-feira (5), na primeira sessão após o Comitê de Política Monetária (Copom) interromper a sequência de cortes e manter a Selic em 13,75% ao ano . O Banco Central (BC) evitou indicar qual será seu próximo movimento, enquanto os juros futuros voltaram a ganhar força ao longo da manhã. Na comparação com o fechamento de quarta-feira, o Tesouro Prefixado 2029 passa de 14,89% para 14,94% ao ano, alta de 0,05 ponto porcentual. O Prefixado 2032 avança de 15,23% para 15,34%, acréscimo de 0,11 ponto. Entre os títulos corrigidos pela inflação , as taxas seguem a mesma direção. O Tesouro IPCA+ 2032 sobe de IPCA mais 7,87% para IPCA mais 7,92% ao ano. O IPCA+ 2040 passa de 7,58% para 7,62%, enquanto o IPCA+ 2050 avança de 7,41% para 7,48%, sempre além da variação do IPCA. O movimento acompanha a reação dos juros futuros à decisão do Copom. Depois de alguma queda na abertura, os vencimentos mais longos viraram para alta. Às 9h52, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2029 marcava 14,845%, ante 14,834% no ajuste anterior, enquanto o DI para janeiro de 2031 subia de 15,060% para 15,130%. O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano depois de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto porcentual. No comunicado, o colegiado reforçou a necessidade de uma política monetária restritiva pelo tempo necessário para levar a inflação de volta à meta, mas não indicou de forma explícita se a pausa encerra o ciclo de redução dos juros. A inflação e as expectativas ainda pressionadas, além dos riscos relacionados ao petróleo , ao câmbio e à política fiscal, apareceram entre as preocupações do Banco Central . O comitê também afirmou que continua acompanhando os efeitos da condução das contas públicas sobre a política monetária e os preços dos ativos. A leitura dos agentes não é uniforme. Santander e Itaú avaliam que o comunicado preservou espaço para novos cortes, enquanto Citi e XP Investimentos esperam manutenção da Selic nas próximas reuniões diante do quadro inflacionário. O que impacta as taxas do Tesouro Direto hoje No exterior , os sinais perderam parte do alívio visto no início da manhã. Os rendimentos dos Treasuries (títulos de dívida dos EUA) longos chegaram a mínimas de oito semanas durante a madrugada, mas depois recuperaram terreno, enquanto o petróleo voltou a subir . A atividade econômica trouxe um argumento na direção contrária. A produção industrial brasileira caiu 0,8% em setembro frente a agosto e 2,5% na comparação anual. O resultado mensal ficou próximo do piso das estimativas do mercado financeiro , mas não foi suficiente para conter a abertura das taxas ao longo da manhã. A política fiscal continua no radar. O ministro da Fazenda, Dario Durigan , afirmou que o governo pretende adotar uma medida para perseguir o centro da meta fiscal a partir de 2027, enquanto investidores aguardam definições mais concretas sobre as contas públicas e a composição econômica do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A alta dos rendimentos aparece no sentido contrário nos preços. O Prefixado 2032 é exibido a R$ 481,63, enquanto o IPCA+ 2032 custa R$ 3.082,39 e o IPCA+ 2050 , R$ 868,51. Como taxas e preços caminham em sentidos opostos, a abertura dos juros pressiona os papéis pela marcação a mercado . Para quem mantém o título até o vencimento, permanecem as condições contratadas no momento da compra. Com informações da Broadcast.