Fim da escala 6×1: empresas precisam reorganizar equipes e revisar contratos até dezembro
Nova jornada começa a valer em 15 de dezembro, com redução inicial para 42 horas semanais. Febrac promoveu encontro jurídico para orientar empresas sobre as mudanças O post Fim da escala 6×1: empresas precisam reorganizar equipes e revisar contratos até dezembro apareceu primeiro em Diário de Minas.
05-11-2026 às 11h19 Andressa Gonçalves* Com o fim da escala 6×1 já promulgado, as empresas têm pouco tempo para se organizarem com as novas regras da jornada de trabalho. A partir de 15 de dezembro de 2026, os trabalhadores passam a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, e a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas. Em dezembro de 2027, o limite chegará a 40 horas, sem redução salarial. A mudança exige planejamento principalmente das empresas que dependem de equipes em funcionamento contínuo, como as dos segmentos de limpeza, conservação e serviços terceirizados. Será necessário rever escalas, dimensionar equipes, avaliar a necessidade de contratações e analisar os impactos financeiros da reorganização do trabalho. A alteração também exige atenção aos contratos de prestação de serviços, especialmente aqueles que estabelecem quantitativos de profissionais e jornadas específicas. Para discutir o tema e preparar o setor, a Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços (Febrac) promoveu, no dia 3 de novembro, um encontro jurídico presencial em sua sede, com representantes dos departamentos jurídicos dos sindicatos filiados. Participaram profissionais de Goiás, Santa Catarina, Amapá, Piauí, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Pará, Paraná, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Amazonas, São Paulo, Ceará, Distrito Federal e Rio de Janeiro. O encontro foi aberto oficialmente pelo presidente Avelino Lombardi e conduzido por Paulo Gonçalves, diretor jurídico da Febrac e presidente do Seac-GO. O evento também contou com a explanação da Dra. Lirian Cavalheiro, assessora jurídica da Febrac, sob o tema “Orientações das Cláusulas da CCT – Convenção Coletiva de Trabalho”. A atividade aborda aspectos jurídicos que devem ser considerados na elaboração e negociação das cláusulas coletivas, especialmente diante do novo cenário da jornada de trabalho. “Agora, o desafio das empresas é transformar a mudança na legislação em planejamento operacional. No nosso setor, há serviços que precisam funcionar todos os dias da semana, e isso exige uma reorganização cuidadosa das equipes, dos turnos e dos contratos. É importante que os empresários comecem essa preparação desde já, buscando orientação jurídica e diálogo com os sindicatos”, afirma Avelino Lombardi, presidente da Febrac. O que as empresas precisam fazer para se adaptar Um dos primeiros passos é revisar as escalas de trabalho e identificar como distribuir os dias de descanso sem comprometer a continuidade dos serviços. Embora a escala 5×2 seja a referência geral, a emenda permite, mediante acordo ou convenção coletiva, modelos diferenciados de compensação, desde que respeitados os limites de descanso previstos. Outro ponto importante é a revisão dos custos e dos contratos. As empresas devem avaliar a necessidade de ampliar equipes, redistribuir profissionais entre postos de trabalho e renegociar condições com clientes, considerando os impactos da redução da jornada. Nos contratos com a administração pública que envolvem mão de obra terceirizada, existe uma regra específica de transição: a redução da jornada depende de aditamento contratual, que deverá ser formalizado em até um ano, para preservar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. Também será necessário verificar acordos e convenções coletivas, atualizar os sistemas de controle de ponto e folha de pagamento e revisar os procedimentos internos relacionados à jornada e à compensação de horas. A redução salarial em razão da diminuição da jornada não é permitida pela nova regra. “Não basta apenas alterar os dias de trabalho e de folga. É preciso avaliar o impacto de cada mudança na operação, nos custos e nas obrigações assumidas com os clientes. A Febrac está trabalhando para que os sindicatos e as empresas tenham informação e orientação para atravessar esse período com segurança jurídica e organização”, destaca Lombardi. A Febrac seguirá acompanhando a implementação da Emenda Constitucional nº 141/2026 e orientando os sindicatos associados sobre os desdobramentos da nova jornada. A entidade recomenda que as empresas não deixem a revisão de suas escalas e contratos para a última hora, utilizando o período de transição para avaliar alternativas e preparar suas operações. Sobre a Febrac – A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços (Febrac) foi criada para representar os interesses dos setores de serviços de Asseio e Conservação. Hoje, representa 12 setores ligados à terceirização de mão de obra especializada. Com sede em Brasília, a federação agrega sindicatos nas 27 unidades federativas do país e ocupa cargos na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), nos Conselhos Nacionais do SESC e do SENAC, na Central Brasileira de Apoio ao Setor de Serviços (CEBRASSE) e na Câmara Brasileira de Serviços Terceirizáveis e na World Federation of Building Service Contractors (WFBSC). A Febrac tem como objetivo cuidar, organizar, defender e zelar pela organização das atividades por ela representadas. O post Fim da escala 6×1: empresas precisam reorganizar equipes e revisar contratos até dezembro apareceu primeiro em Diário de Minas .