Colocation também é um ambiente soberano

Por Tele.Síntese · Categoria: Telecomunicações ·

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Por Thaís Marçal* – A digitalização dos negócios ampliou a dependência das empresas em relação à infraestrutura que sustenta suas operações. Do PIX a IA, passando pelo streaming, toda a vida digital exige ambientes capazes de garantir disponibilidade, segurança e conectividade. Nesse contexto, a escolha de onde hospedar dados e aplicações é uma decisão estratégica, que precisa integrar o plano de continuidade e competitividade das organizações. No Brasil, essa discussão também envolve a dependência de infraestrutura e serviços digitais localizados no exterior. Segundo diagnóstico do Ministério da Fazenda em 2026, cerca de 60% dos dados brasileiros são processados fora do país. O dado evidencia o desafio de desenvolver uma infraestrutura capaz de atender à demanda nacional, mas vai além, trazendo uma reflexão sobre como garantir autonomia sobre as operações digitais em um cenário no qual empresas dependem de diferentes fornecedores, tecnologias e ambientes de processamento. A resposta passa por rever uma associação comum no mercado: a ideia de que manter o controle sobre os dados e as operações exige, necessariamente, possuir e administrar toda a infraestrutura utilizada. O modelo de colocation desmonta essa tese. Uma empresa pode manter seus próprios equipamentos em um data center operado por terceiros e contratar os seus serviços enquanto preserva o controle sobre seus sistemas e aplicações conforme as responsabilidades estabelecidas. A terceirização da infraestrutura, portanto, não significa necessariamente abrir mão da soberania digital. Para organizações que operam workloads críticos, o ponto central é definir como esse controle será exercido, quais responsabilidades cabem ao provedor e quais permanecem com o cliente. A relevância desse modelo fica ainda mais evidente quando analisamos o mercado brasileiro. Segundo o estudo Data Center Brasil 2026, da JLL (Jones Lang LaSalle), o país contava, no primeiro semestre de 2026, com 706 MW de capacidade instalada em data centers, sendo 563 MW destinados ao modelo de colocation. Isso representa aproximadamente 80% da capacidade mapeada e reforça o papel estratégico da infraestrutura compartilhada na expansão do ecossistema digital brasileiro. A localização da infraestrutura acrescenta outra dimensão à discussão. Manter dados e aplicações em ambientes instalados no Brasil pode aproximar o processamento dos usuários, reduzir determinadas dependências internacionais e facilitar o atendimento a requisitos jurídicos e operacionais locais. No entanto, a localização física, isoladamente, não garante soberania. A análise também precisa considerar a jurisdição aplicável aos fornecedores, o controle de acesso aos dados, a dependência tecnológica e a capacidade de manter os serviços em funcionamento diante de diferentes cenários. Por isso, a soberania digital não deve ser confundida com autossuficiência ou propriedade dos ativos. Ela depende da capacidade de tomar decisões sobre os dados, estabelecer regras de acesso, escolher fornecedores e manter o controle sobre operações essenciais – o que é garantido pelo serviço de colocation Para os responsáveis por tecnologia, a questão não é simplesmente decidir entre infraestrutura própria e terceirizada, mas identificar qual modelo atende aos requisitos de segurança, disponibilidade, governança e autonomia do negócio. Isso exige avaliar não apenas onde os dados estão armazenados, mas também quem pode acessá-los, como as aplicações se conectam ao ecossistema digital e quais alternativas existem caso uma dependência comprometa a operação. Colocation é um ambiente soberano. E a soberania digital começa quando as empresas têm condições de definir como sua infraestrutura será utilizada e de preservar o controle sobre as operações das quais dependem. O desafio não é possuir todos os ativos, mas construir uma arquitetura que permita operar com segurança, flexibilidade e autonomia. Thaís Marçal é Diretora de Relações Institucionais da Elea Data Centers O post Colocation também é um ambiente soberano apareceu primeiro em TeleSíntese .